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E contamos agora a história de Antonieta, uma agente de viagens que prometia realizar sonhos aos melhores preços.
Prometia, mas não cumpriu. Antonieta tinha uma agência de viagens no Porto chamada Cidade Tour. Através de preços mais baixos do que a concorrência, atraiu centenas de clientes, convenceu-os a pagarem adiantado e chegados os dias das viagens, todos ficaram em terra. A Sónia Simões é a grande repórter do Observador que conta esta história. Sónia, estamos a falar de pelo menos 20 pessoas enganadas nesta alegada burla. Tu falaste com algumas das vítimas, uma delas chama-se Ruth Águas e investiu todas as poupanças numa viagem para a família.
Sim, foi uma das, pelo menos que saibamos, cerca de 200 vítimas desta burla. A Ruth, o seu marido e os seus filhos andaram nos últimos anos a juntar dinheiro para uma viagem. Sempre tiveram o sonho de ir às Maldivas. Como era muito caro, trocaram o destino para os Açores, mas quando contactaram com esta senhora, perceberam que o preço era muito bom e alargaram esta viagem para a Madeira. E foram sempre comunicando com ela, pagaram a viagem a pronto para terem 10% de desconto.
Tudo logo de uma vez.
Sim, e durante este processo, esta senhora anunciou-lhes que havia um ótimo preço para as Maldivas, era metade do preço, cerca de € 5.000 quando o orçamento inicial era mais do dobro, e se eles não queriam marcar para breve. E então esta família fez um esforço e comprou também essa viagem a pronto para usufruir desse desconto de 10%. O problema é que nenhuma destas duas viagens aconteceu.
Quando chegou o dia de embarcar, não havia viagem. Esse, como dizias, é um dos muitos casos desta alegada burla. Mas como é que foi possível esta mulher, Antonieta, enganar tanta gente?
Sim, eu acho que estamos aqui perante quase um esquema de pirâmide, porque a verdade é que as coisas só começaram a correr mal no início deste ano. A Antonieta já tinha esta agência ainda antes da pandemia. Durante a pandemia, teve que fazer uma pausa e estes lesados até associam esta mudança de paradigma à pandemia. Houve ali qualquer coisa que não correu bem com dinheiro que ela já tinha adiantado e que provavelmente ela gastou e se calhar teve que repor de alguma forma, porque muitas das pessoas que divulgaram estas viagens em grupos das redes chegaram a viajar efetivamente pela agência da Antonieta. As coisas não corriam eram normalmente, eles só tinham os bilhetes na altura de partir. Alguns aperceberam-se que ela só reservava mesmo no final e por vezes havia alterações de voo porque ela já não conseguia o voo que tinha combinado com as pessoas. Havia ali coisas, mas acabava por acontecer. E só quando as viagens deixaram de acontecer, e isto entrou num bolo gigante em que a Antonieta deixou de estar contactável, é que as pessoas foram para as redes e começaram a perceber que tinham sido enganadas.
E foram muitas. Em que ponto é que está este caso neste momento?
Neste momento, nós tínhamos apurado que havia três processos-crime, um deles com mais de 44 lesados a correr no Ministério Público, num Porto, outro em Setúbal e outro em Sintra. Entretanto, já soube que há 12 outros processos no Porto. Antonieta está em parte incerta, incontactável, apesar de nas redes aparecer online, mas ninguém sabe onde ela está. Entretanto, ela pôs uma mensagem no site a dizer que vai abrir insolvência da empresa. Não se sabe em que ponto estão estes processos, devem estar na fase de investigação, se vão ser eventualmente juntos num só, mas eles vão avançar para a responsabilidade criminal.
Obrigado, Sónia Simões.