Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
O filme Mank, de David Fincher, e a série The Crown, sobre o reinado de Isabel II, trabalhos produzidos pela plataforma Netflix, lideram estas nomeações para os Globos de Ouro. De acordo com as contas feitas pela organização, a Netflix soma 22 nomeações, categorias de cinema, e 20 nas categorias de televisão. Na liderança das nomeações, segue-se também a Amazon Studios, com sete nomeações em cinema, e a HBO nas categorias de televisão. Quem já esteve a olhar de forma atenta para estas nomeações foi o editor de cultura do Observador, Tiago Pereira, que está agora conosco neste Jornal Observador. Boa tarde, Tiago. É um domínio da plataforma Netflix, um domínio de alguma forma esperado?
Sim, eu diria que é um domínio esperado. As plataformas de streaming no geral, mas a Netflix em particular, porque é a que tem mais assinantes e é a que tem um orçamento maior dentre todas estas plataformas, e a que tem apostado mais em produção própria, já tinha vindo a ameaçar, quando chegava a temporada de prêmios, tinha vindo sucessivamente a ameaçar ocupar uma posição cimeira. Ora, aproveitando o ano de 2020, em que os cinemas estiveram praticamente fechados, em que a produção parou e em que a Netflix foi um dos grandes motores de produção, era expectável que, chegando agora à altura das nomeações, a Netflix começasse a mostrar que, de facto, está a dominar. E foi o que aconteceu com 42 nomeações no total, portanto, em números absolutos, não dando hipótese à concorrência. Naturalmente que depois disto, há os prêmios, obviamente. E aí as coisas podem mudar.
Como sabemos, nem sempre, até mesmo, por exemplo, quando falamos dos Oscars da Academia de Hollywood, nem sempre muitas nomeações, depois, no final, significam muitos prêmios ganhos, nem propriamente prêmios ganhos, por vezes naquelas que são as categorias mais aguardadas.
Sim. Agora, aqui, neste caso, eu diria que há uma forte probabilidade, de facto, da Netflix sair grande vencedora. Começando pelos filmes, Mank e The Chicago Seven, estão ali no topo. São dois filmes que têm fortes probabilidades de ganhar, aqui já é um bocadinho de opinião, mas não porque sejam filmes absolutamente notáveis ou históricos ou que não tenha havido melhor, mas que congregam uma série de fatores que podem depois resultar decisivos na altura de escolher o vencedor. Mank, o filme de David Fincher, o argumento escrito pelo pai de David Fincher, uma homenagem à história do cinema americano, uma referência a um dos filmes clássicos, que é o Citizen Kane e a Orson Welles, e a todo esse misticismo à volta de um Hollywood muito particular, um filme feito a preto e branco e com um lado estético e formal também, de construção da narrativa muito particular, muito provavelmente estará lançado para sair vencedor. Chicago Seven tem um lado muito político também.
E o nome de Aaron Sorkin é também um nome sempre forte associado, neste caso, a este trabalho.
E aqui nomeado para também realizador. Portanto, parece-me que a Netflix pode, de facto, sair vencedora. Agora, há aqui filmes que nós ainda não vimos. Nomadland, por exemplo, o filme muito aguardado da Chloé Zhao, com a Francis McDormand, só estreia em março. I Care a Lot só estreia no dia 19 de fevereiro. Promising Young Woman, com a Carey Mulligan, que é outro forte concorrente, só estreia dia 25. The Father, protagonizado pelo Anthony Hopkins e pela Olivia Coleman, uma dupla muito forte, era para ser estreada amanhã, a estreia está em suspenso. Portanto, há coisas que nós ainda não vimos, ainda não sabemos como é que vão acontecer.
E Tiago, temos que avançar muito rapidamente para as séries. Já estamos aqui a ouvir em fundo o trailer de The Crown, que lidera também nas nomeações.
The Crown era expectável, obviamente, até porque consegue sempre estar nomeado em muitas categorias técnicas, e de facto é uma excelente série. Agora, eu diria que as nomeações não são surpreendentes. O que eu diria é que as ausências são relativamente surpreendentes. Primeiro, I May Destroy You está completamente fora das nomeações. Michaela Coel está completamente fora das nomeações. Acho que não se percebe muito bem isto. Não há referências ao fim de BoJack Horseman. Better Call Saul só tem uma nomeação. I Know This Much Is True não está nomeado para melhor minissérie de drama, o que eu não entendo. E depois um lado que não sei quando é que surgirá uma categoria só dedicada às séries documentais, quando é o estilo em que as coisas têm andado com mais interesse, em que tem havido produções muito mais interessantes. No ano passado tivemos, só de repente, Last Dance, Tiger King, I'll Be Gone in the Dark ou How To with John Wilson. E, portanto, não há uma categoria para congregar essas produções e nenhuma delas tem lugar nas outras categorias. E parece-me que aqui os Globos de Ouro estão um bocadinho a falhar. Aquilo que está a acontecer, na realidade, é que nós, enquanto espectadores, estamos cada vez mais atentos a esse tipo de séries e elas são cada vez melhores.