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Laura Ferreira estava doente há bastante tempo, há quase cinco anos. O cancro no joelho tinha sido declarado em 2015, ainda era Pedro Passos Coelho Primeiro-Ministro. No entanto, nunca foi uma doença que fosse muito do conhecimento público, porque enquanto était Primeiro-Ministro nunca quis que isso acontecesse. Numa primeira fase, parecia ter sido possível controlar esse cancro, que era bastante agressivo, mas depois houve uma degradação da doença e nos últimos meses, talvez no último ano, eu tive conhecimento de que a situação se tinha agravado bastante. Havia um metástase passado dos ossos para os pulmões e a situação era bastante grave. Laura Ferreira foi acompanhada primeiro no Hospital Amadora-Sintra. Ela foi sempre acompanhada no hospital do SNS. Pedro Passos Coelho nunca quis que fosse de outra forma e nunca nem sequer provavelmente tinha possibilidades para que fosse de outra forma. E nos últimos meses, nos últimos tempos, passou do Amadora-Sintra para o Instituto Português de Oncologia, para o IPO de Lisboa, onde estava internada aqui já há uns meses. E eu sei que por altura do Natal, por circunstâncias especiais, ela melhorou um pouco e foi possível passar o Natal em casa, coisa que ela teve muita questão que isso acontecesse. Eu sei também que Laura Ferreira sempre lutou muito por viver. Ela achava que tinha muito ainda para dar e Pedro Passos Coelho sempre esteve muito próximo dela durante todo este processo, que foi seguramente extraordinariamente difícil. Nós não sabemos muito, porque ele nunca quis que isso fosse do conhecimento público, tratou sempre a doença da esposa com uma enorme discrição. E quem o acompanhou, quem pôde acompanhar, os médicos, os profissionais que o foram conhecendo nos hospitais quando ela passou, sabem que ele era muito dedicado. Por acaso conheço alguns que falaram disso, por vezes passado, sempre que era necessário, passava a noite nesses hospitais e como toda a gente sabe, os hospitais do SNS não são hospitais que estejam muito bem preparados para isso. Mas ele sempre fez todo o possível para que Laura Ferreira tivesse as melhores condições, não só para poder recuperar, o que infelizmente não foi possível, mas para poder ter as melhores condições nos meses finais de vida.

José Manuel Fernandes, e como é que esta doença da mulher afetou a vida política de Pedro Passos Coelho?

Eu acho que Pedro Passos Coelho sempre procurou separar a vida política da doença da mulher. Nunca houve qualquer aproveitamento político da doença da mulher. Ele não era uma figura das rosas cor-de-rosa. A sua vida privada nunca foi uma vida pública. Portanto, é evidente que enquanto Laura Ferreira esteve bem, ela por vezes acompanhava-o em eventos políticos. Eu recordo-me, por exemplo, de vê-la nas festas da vitória em 2011, na vitória eleitoral em 2011, mas depois era uma figura relativamente discreta, não fazia parte da vida política de Pedro Passos Coelho. Eu acho que ela lhe deu muita estabilidade. Pedro Passos Coelho tinha tido o primeiro casamento que não tinha acabado bem e esse segundo casamento deu muita estabilidade a Pedro Passos Coelho. A Laura Ferreira era uma pessoa muito calma, penso que também era uma pessoa muito sensível e muito lutadora, como este processo mostrou. Pedro Passos Coelho, naturalmente que nos últimos tempos, a maior parte da doença decorre já depois da saída dele de Primeiro-Ministro. Naturalmente que todo o tempo que tinha que dedicar, sobretudo no último ano, nos últimos meses à mulher. Nos últimos meses ela não podia comer sozinha, tinha de ser alimentada, estava ao oxigénio nos períodos em que estava em casa e ele tinha que lhe dar assistência direta a tudo. Portanto, naturalmente não tinha vida política. A única vida política neste momento que se pode considerar que ele tem é escrever as suas memórias do tempo em que foi Primeiro-Ministro, mas isso faz em casa, não faz fora disso. De resto, eu acho que a única coisa que pode fazer é dar aulas, é o único trabalho que tem. Portanto, o resto do tempo dedicava a procurar dar apoio e ajudar Laura Ferreira a passar o melhor possível estes meses tão difíceis.

José Manuel Fernandes, e como devemos lembrar a falecida esposa de Pedro Passos Coelho?

Eu acho que a Laura Ferreira, eu não a conhecia muito bem, aliás, porque nunca fiz parte do círculo próximo, íntimo de Pedro Passos Coelho e ele protegia esse círculo íntimo e portanto não conheço bem Laura Ferreira, mas sempre me pareceu, pelos poucos contactos que tive com ela, como uma pessoa muito sensível, uma pessoa muito calma, muito próxima de Pedro Passos Coelho, que dava sempre muito apoio, alguém que costuma dizer sempre meneiras minhas, portanto muito lutadora mas também com uma enorme determinação de sempre procurar a luta por cima e que nesta fase final procurou manter uma alegria de viver que era muito difícil de manter