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Estamos com o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, acerca desta possível candidatura de Miguel Prata Roque, antigo secretário de Estado e também agora comentador político. Sabemos que a Comissão Nacional do PS é este sábado e o putativo candidato, podemos assim dizer, só se irá pronunciar oficialmente após este dia. Naquilo que pudeste apurar, o que é que motiva esta possível candidatura de Miguel Prata Roque?
Miguel Prata Roque, ainda antes de afunilarem as candidaturas, tinha feito um manifesto no início da semana a dizer que achava que só deviam existir diretas depois das autárquicas e queria, portanto, pedir mais tempo. Também fazia um plano a médio prazo para o Partido Socialista, em que, por exemplo, teriam que existir primárias em 2027 para aprofundar e para, no fundo, haver uma reflexão interna no PS e de alguma forma dar um novo fôlego ao partido. Agora, o que Miguel Prata Roque vem dizer, através de uma publicação no Facebook, é que é contra consensos balofos, contra unanimismos no partido e que já lutou contra isso na Federação de Lisboa e que, portanto, parece dar um sinal de que está disponível para tentar contrariar uma candidatura única e de unidade de José Luís Carneiro. Agora, é preciso ter em conta que Miguel Prata Roque nem a Federação de Lisboa conseguiu ganhar.
Teve 29% dos votos, exatamente.
Perdeu por muitos votos e portanto é muito difícil conseguir, de alguma forma, ombrear lado a lado com José Luís Carneiro, que tem feito um trabalho de formiga pelas várias federações e que desde o dia 18 de maio, que houve aquela derrota estrondosa do Partido Socialista, não parou de ligar a autarcas, a presidentes de federação e a tudo quanto são pessoas que de facto têm influência no PS. E, portanto, pode ser uma tentativa de marcar posicionamento para o futuro, mas Miguel Prata Roque, diria eu, mesmo que avance, terá poucas possibilidades contra José Luís Carneiro.
Miguel Prata Roque é alguém da ala Pedro Nunista, ou seja, seria alguma candidatura de continuidade. Neste momento, como referiste, é alguém que parte em desvantagem contra José Luís Carneiro, que não só já se tinha candidatado nas últimas internas do PS, mas também tem feito este trabalho de tentar captar ainda mais ajuda, ainda que não sabemos se há eleições internas ou não no PS.
Se o PS tivesse tido o resultado que houve nas sondagens, a questão não se colocava. Ou seja, se Pedro Nuno Santos tivesse tido uma derrota honrosa, mesmo com todo o trabalho feito por José Luís Carneiro, pelo menos até às autárquicas, Pedro Nuno Santos continuava. Mas o resultado foi de facto desastroso e, portanto, o Partido Socialista e o presidente do PS, Carlos César, ontem numa nota à Lusa, garantiu isso, é que aquilo que vai propor é diretas imediatamente. Portanto, não foi na conversa das outras alas que não a de José Luís Carneiro, a ala mais centrista do partido, de arranjar mais tempo até para o partido maturar e haver outras candidaturas. Ora, tudo isto propiciou a que José Luís Carneiro seja o candidato mais forte à liderança do PS. Claro, Miguel Prata Roque pode ter o interesse todo em colocar o pé na porta até para o futuro.
Fernando Medina também já anunciou que não se iria candidatar, por isso há menos adversários, até mesmo de uma ala mais costista para José Luís Carneiro.
Sim, Fernando Medina e Mariana Vieira da Silva eram duas possibilidades para, de alguma forma, ter uma alternativa credível e com peso, que eu creio que Miguel Prata Roque com peso não será, não estou a dizer que não é credível, mas não é uma candidatura com o peso desses dois. E que também pode ser estratégico, porque Fernando Medina sabe que o que vem aí é um grande desgaste para o líder do Partido Socialista e, portanto, vale mais deixar José Luís Carneiro fazer essa travessia no deserto para depois talvez até, de uma forma fresca e sem esse desgaste todo, poder aparecer como uma solução no futuro. Vamos ver o que é que vai dar. É certo que agora aparece esta precandidatura de Miguel Prata Roque. Nós também falámos com ele, não disse isso, mas ele também presta declarações ao Observador a dizer que fará uma declaração pública depois da comissão política e antecipa que vai falar num espaço de comentário na televisão onde ele comenta, que é a SIC Notícias. Mas na verdade, não quer abrir o jogo, é um bocadinho agarrem-me, senão eu vou. Nós estamos fartos de ver em política, políticos que dizem: "Eu vou avançar, eu estou a ponderar", e depois não vão. E, portanto, o que há aqui é uma possibilidade de poder haver um outro candidato que não José Luís Carneiro. Mas também há a possibilidade, como acontece muitas vezes com alguns destes protagonistas políticos, da última hora dizer: "Afinal não me dão condições, não me deram tempo, então não vou." E voltarmos à ideia inicial, que é uma única candidatura forte, que é de José Luís Carneiro. Não significa que não apareça depois o Daniel Adrião e outros que aparecem sempre para ter meia dúzia de votos. Mas é muito difícil neste momento contrariar a vaga de fundo que José Luís Carneiro criou e trabalhou para isso nos últimos meses.
Recordar que Miguel Prata Roque não tem lugar na Comissão Nacional do PS, ou seja, não estará presente nessa reunião do partido socialista este sábado, mas diz que tem lá ditos apoiantes ou as suas pessoas. Por isso há que aguardar então por essa Comissão Nacional de sábado.
Sim, na verdade, também nessa resposta que ele nos enviou a dizer que não dava nenhuma declaração formal, diz que vai ter lá pessoas do movimento que ele criou. Será muito difícil contrariar a ideia do presidente Carlos César de adiar as diretas para depois das autárquicas, como pretendem alguns. Portanto, o mais provável é que sejam marcadas diretas já, o mais próximo agora possível em junho, e isso também favorece José Luís Carneiro. Caso as diretas no sábado não sejam marcadas e ficarem adiadas para depois das autárquicas, aí sim podia ser um sinal que estava a borregar, na verdade, a candidatura de José Luís Carneiro, porque havia tempo para uma alternativa e tinha tido essa derrota. Agora, se forem já, não tenho dúvidas nenhumas que o candidato mais sério à vitória do Partido Socialista é José Luís Carneiro e Miguel Prata Roque pode dar as voltas que quiser que será muito difícil intrometer-se nessa candidatura que é neste momento a mais forte.
Ficamos a aguardar por sábado. Rui Pedro, mais uma vez obrigado.