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Conosco em estúdio está a editora de economia do Observador, Alexandra Machado. Alexandra, este é o processo que era esperado ou há aqui alguma surpresa?

Era um processo relativamente esperado, porque havia pouca margem num governo que não tem maioria absoluta no Parlamento, poder avançar já com uma privatização de mais de 50% do capital, sendo certo que, como o Primeiro-Ministro anunciou, foi aprovado um decreto-lei que não precisa de aprovação parlamentar. No entanto, é expectável que haja partidos a chamar o diploma para apreciação parlamentar. E no Parlamento poderia ser difícil passar uma proposta que tivesse a possibilidade de venda de mais de 50% do capital. Decorre disto que é relativamente expectável que este governo tivesse avançado só com menos de metade de privatização do capital social e até porque as informações que foram saindo e as declarações que foram sendo feitas, nomeadamente pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, iam também um bocado nesse sentido.

O que é que isso significa para possíveis investidores? Vêm aqui uma privatização de menos de metade de uma empresa, que no caso dos investidores é 44,9. O que é que isso significa para possíveis investidores?

Os investidores, pelo menos os três que se tem falado que serão os principais interessados, a Lufthansa, o grupo Air France-KLM e a IAG, que detém a Iberia British Airways, já foram dizendo que poderiam continuar à mesma interessados, mesmo que fosse por uma minoria de capital. Também já em tempos houve uma minoria de capital, mas que deu à gestão, à comissão executiva, ao investidor privado, neste caso, a gestão e a comissão executiva. Não se sabe o que é que este governo pretende fazer no acordo que será assinado com o futuro vencedor do concurso para a venda de 44,9% da TAP. Não se sabe que acordo é que vai ser estabelecido com o investidor, nomeadamente no parassocial, para percebermos que peso é que terá o Estado na gestão do dia a dia da companhia que vier a ser alienada.

Ainda não sabemos os detalhes, vamos saber deles no Conselho de Ministros de amanhã logo. Mas queria perguntar-te também, daquilo que tu conheces e da tua experiência, este é um processo que deverá ainda durar algum tempo, este concurso, este processo é uma coisa para demorar tempo, não é?

Sim, uns meses, certamente. Ficará, em princípio, concluído este ano. Há tempo para ficar concluído este ano. Embora já sabemos que estes concursos internacionais há sempre demoras com pedidos de esclarecimento, papel pra cá, papel pra lá, demoram sempre alguns tempos e se houver litigância, que eu diria que não é expectável, mas enfim, nunca se sabe.

Pode sempre existir, claro.

Pode sempre existir. Então aí demorará seguramente mais tempo. Mas eu diria que há tempo, com estes timings, há tempo para ficar uma conclusão ainda até final deste ano, no limite, início do próximo ano.

Alexandra Machado, obrigada por nos teres ajudado a olhar para este anúncio feito pelo Primeiro-Ministro, editora de economia do Observador, o Primeiro-Ministro que anunciou a reprivatização de 49,9% do capital da TAP.