Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este era o destino inevitável, esta saída de Fernando Santos?
Sim, a partir do momento em que foi essa a vontade que manifestou na reunião de terça-feira Fernando Gomes, e apesar de Fernando Gomes ter tentado demover Fernando Santos dessa intenção. Ou seja, a ideia inicial de Fernando Gomes era manter Fernando Santos até 2024, que é quando termina o seu mandato e é também quando terminava o contrato de Fernando Santos. Fernando Santos não mudou a sua opinião, ou seja, considerou que tinha chegado ao fim um ciclo e houve vários fatores no último ano que ajudaram também a que se chegasse a esse final de ciclo. É óbvio que toda a gente esperava, em termos internos, mais do que os quartos de final do Campeonato do Mundo, independentemente de todo o sucesso que Marrocos teve na competição. O facto de também ter sido o adversário acabou por saber a pouco no plano desportivo. Mas depois há mais uma série de fatores, desde a questão do desgaste, que foi evidente com a questão do fisco, a questão de Cristiano Ronaldo, que a partir de agora será um problema não só para Fernando Santos, mas para qualquer outro selecionador, a própria relação com alguns dos jogadores que faziam parte das escolhas do Campeonato do Mundo. Tudo isso contribuiu para que Fernando Santos dissesse que tinha mesmo chegado ao fim um ciclo e como tal, queria sair. A partir desse momento, aquilo que Fernando Gomes fez foi virar a página e começar a preparar não só a saída, mas também a sua sucessão.
E há mais pormenores, Bruno, sobre esta saída que nos possas aqui contar?
Sim, esta saída não é uma saída propriamente normal em termos de futebol. Foi um pouquinho mais complexa, tendo em conta também aquilo que nós publicamente viemos a saber nos últimos meses. Ou seja, a federação não tem um contrato com Fernando Santos e outro com os seus adjuntos. Existe um contrato de trabalho entre a federação e uma das empresas de Fernando Santos e é a partir daí, depois, que o selecionador nacional recebia, bem como todos os seus adjuntos. Essa parte já está toda tratada. O anúncio deverá ser nas próximas horas. Ainda assim, houve esse especial cuidado para depois de todas as notícias que vieram a público e depois dos problemas que existiram e também do confronto, digamos assim, entre Fernando Santos e as autoridades tributárias e o fisco, houve esse cuidado para que tudo ficasse certinho e não houvesse depois qualquer problema. Todas essas situações já estão agora resolvidas. O anúncio estará para muito breve.
E agora, Bruno, o senhor que se segue. Há possíveis treinadores na mente da federação?
Sim, há muitos. Há de registar primeiro logo aqui um fator: Tiago Craveiro, quando saiu da federação, fez com que os centros de decisão na federação também tivessem mudado. Fernando Gomes tem sempre a última palavra, mas gosta também de falar com todas as pessoas que o rodeiam. E nesta altura, Tiago Craveiro, que era alguém que tinha um peso vincado na federação, já não está e por tudo isso, também os centros de decisão mudaram. Numa primeira análise, vários nomes foram surgindo. A hipótese de haver um treinador estrangeiro acabou por ser a primeira excluída, também por haver muita resistência em termos internos ao fato de haver um treinador estrangeiro, tendo em conta o sucesso de todos os treinadores portugueses lá fora. Eu, particularmente, à opinião pessoal, acho que uma coisa não tem a ver com a outra, mas foi a decisão em termos internos. E depois de analisada toda a situação, José Mourinho foi definido como alvo número um para a federação. E isso poderá fazer com que, em primeiro lugar, o sucessor não seja anunciado até antes de 2023. E também pode fazer com que os dois primeiros jogos de qualificação para o Campeonato da Europa, que são em março, com o Liechtenstein e com o Luxemburgo, possam ser feitos por um treinador interino, seja ele Rui Jorge, seja ele outro quadro da federação. Aquilo que nesta altura importa perceber é que se José Mourinho, que ainda assim tem contrato com Roma até 2024 e, portanto, teria de rescindir esse contrato no final da época. Se José Mourinho estiver disponível para assumir a seleção no verão, os próximos dois jogos serão feitos por um interino. Se José Mourinho disser que não está nesta altura interessado ou que não quer deixar o projeto da Roma, aí Fernando Gomes avançará para um plano B. Há um cenário que também chegou a ser equacionado, mas que foi deixado cair por terra por todas as partes e que tinha a ver com a possibilidade de acumular a Roma com a seleção. Isso não vai acontecer. Chegou a ser equacionado, ambas as partes deixaram cair essa hipótese. Se José Mourinho quiser, é o próximo selecionador de Portugal a partir de junho, que é quando termina a temporada desportiva com a Roma, e admitindo que vai haver um acordo entre a federação Roma e José Mourinho para que o liberte do último ano de contrato.