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É nosso convidado nesta edição do meio-dia, o antigo jogador, treinador, atual comentador do Observador, Augusto Inácio. Boa tarde, bem-vindo. Augusto Inácio, de queixo caído com esta convocatória de Roberto Martínez ou sem surpresa?

Surpreendente mesmo, porque Roberto Martínez dá aqui umas declarações que falta-me perceber como é que aqueles que também podem ser convocados e que estão a jogar sistematicamente e que ficam de fora, como é que estes jogadores também não ficam. Não se pode convocar os jogadores pelo que fizeram o ano passado ou a época passada, ou há três meses, ou há quatro meses, e só vale esse tempo. O momento agora é outro e é diferente. Não entendo e não compreendo como é que um jogador que não joga, não é convocado, não tem nenhum minuto de competição e é convocado para a Seleção Nacional. Só posso entender isto como alguns interesses que possam estar por trás disto, porque se não haver interesses, esses jogadores não podiam ser convocados. Por isso é surpreendente e realmente estas declarações não se encaixam bem naquilo que é uma desculpa do selecionador para convocar esses jogadores.

Alguma estranheza, por exemplo, fiz aqui referência a esse facto, pelo facto de Paulinho, que está num ótimo momento de forma, melhor marcador do campeonato da Primeira Liga, não ter sido chamado nesta ocasião?

Sabes que as convocatórias têm sempre críticas e têm sempre elogios. E neste caso, a gente olha para o momento. Na Seleção Nacional, há treinadores que fazem as convocatórias consoante o seu sistema, independentemente de este estar em melhor forma do que outro, mas que o outro dá outra qualidade àquilo que o treinador pretende. Neste caso, a gente olha para o Paulinho e vemos que o Paulinho está em excelente momento de forma, tem quatro gols marcados. Está realmente num momento bom da sua carreira. Naturalmente, seria normal que ele fosse convocado. E quando a gente vê um João Félix que é convocado e não tem um minuto nas pernas em competição, e vemos o Paulinho com esta performance, a gente começa a perceber que afinal os jogadores não são convocados pelo mérito, mas sim por outras razões.

Que razões é que invocas? Os interesses dos empresários, é isso que sugeres, Augusto Inácio?

Também. Esse tipo de interesses também. Como é que eu te explicar isto para não ser tão contundente? Diria que o João Félix realmente fez uns bons jogos há uns meses. Agora não está a jogar, não tem muitos minutos, nem tem ritmo de jogo tampouco e tem, se calhar, um tipo de perfil de futebol que o selecionador até pode gostar só por aquilo, mas naturalmente não está nem fisicamente, nem competitivamente apto para fazer uma partida com esta dimensão e com esta responsabilidade. E eu diria que às vezes pode haver lobbies a pressionar. Já sei que vão dizer que eu estou a exagerar, que o selecionador é decisão dele. A gente já sabe tudo isso, mas por trás da cortina, há muitos interesses para que os jogadores não caiam no esquecimento, entre aspas, nunca caem no esquecimento, são sempre falados, mas que não caem no esquecimento da competitividade. E nesse aspecto, convém elevar alguns jogadores para um patamar mais acima, para não saírem da realidade futebolística no geral, porque vai haver sempre, não te esqueças disso que eu estou a dizer, justiças e injustiças. Neste caso, é muito grande.

Agradeço-te, Augusto Inácio, comentador de futebol do Observador, e a análise a esta convocatória recebida com surpresa pelo Augusto Inácio de Roberto Martínez para o duplo confronto da Seleção Nacional frente à Eslováquia e também ao Luxemburgo.