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Adoro viajar. A viagem faz parte de mí. Mais que duas ou três horas, tinha medo. Agora fui ao Sri Lanka, adormeci. Tinha medo de andar de avião, hoje não tenho mais medo. Vou morrer. A diferença é como é que eu morro. Chamo-me Paula Sousa, tenho 66 anos, tive o AVC em 2019. Era o último dia de aulas. Fui almoçar com os meus colegas. Tinha 60 anos, não queria mais ser diretora de turma. Ofereceram-me um colar. Depois vim pra casa, tinha dores nas pernas. À meia-noite, mais ou menos, fui à cozinha, tive AVC. Descobriu o meu marido às 8h da manhã. Tive AVC à meia-noite, até às 2h ou 3h da manhã tentei chamar o meu marido. Não sei, eu só. Depois adormeci ou desmaiei. No dia seguinte, telefonei pro 112, os bombeiros foram lá em casa. Entretanto, fui ao Hospital de Santa Maria. Fui operada. Fiquei lá dois dias, depois fui ao Hospital de Cascais o resto do tempo. Não tinha nem colesterol, nem tinha tensão alta, nada. Eles fizeram um exame. Tinha um buraco entre a artéria esquerda e a artéria direita de 7 mm. Por isso é que deu AVC. Depois fui operada ao coração. Eu não estava a fazer nada. Não falava, não andava. É muito mau. Chamaram o meu marido: "Tens que arranjar lugar e álcool em tão". Três meses internada. Eu tinha a mão assim. Demorei um ano a abrir a mão. A primeira vez que fui à piscina, tinha uma boia. Não nadava. Depois aprendi a nadar outra vez. Dormia de barriga pra cima, durante um ano, porque não conseguia virar pro lado esquerdo, nem pro lado direito. Não tenho dificuldade nenhuma em raciocinar, é mais falar. O corpo está muito bem. É falar. Sim, é muito difícil falar. Demorei três anos a falar como agora. A terapia da fala, repetidamente, eu tinha álcool então. Não sabia ler, não sabia os números, não sabia o que eram as letras. Aprendi tudo, de novo. Uma vez por ano, vou ao médico para ouvir o coração. Como normalmente, ando de avião, faço ginástica, guio, limpo a casa. Segunda à noite, Solidariedade no Hospital de Santana. Eu tinha uma vida muito intensa. Agora não tenho. Depois me inscrevi no Hospital de Santana para servir jantares. Faço ginástica três vezes por semana. Depois da ginástica, vou ao café com as amigas. Eu, em capacidade, reformei-me. Tinha 60%. Eu adorava dar aulas. Tinha nove turmas, tinha muita gente à minha volta, os colegas. Saía de casa às 7h45, voltava às 18h. Estava muito bem disposta. Agora também estou.
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