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O HeartMate foi realmente uma tábua de salvação. Eu muito possivelmente não estaria aqui neste momento se não fosse o HeartMate. Não só me veio trazer qualidade de vida, como veio me dar tempo, se nunca chegarmos ao próximo passo, conseguir viver anos com ele, ou se chegando ao próximo passo, poder fazer o transplante cardíaco e voltar a ter uma vida dita normal. Meu nome é Rui Vieira, tenho 38 anos. Há cinco anos atrás tive uma paragem cardiorrespiratória durante a cirurgia, uma hérnia inguinal. Passaram cinco anos e ainda estou aqui. Eu sempre pratiquei esporte, desde miúdo, o esporte sempre esteve na minha vida e na vida da minha família. Nos últimos anos, o esporte que eu praticava e competia era o jiu-jitsu brasileiro, com bastante regularidade. Eu chegava a fazer treinos bidiários, tanto o jiu-jitsu, como a parte da preparação física. E ao longo desses anos de prática de esporte e às vezes alguns exageros, principalmente a nível da parte da preparação física, fez com que eu tivesse as tais hérnias inguinais. Fiz uma primeira cirurgia às hérnias inguinais no Hospital de Cascais, sem qualquer tipo de problema, correu tudo bem. Uma delas teve uma reincisão. Infelizmente, como sabemos, no Serviço Nacional de Saúde demoramos sempre muito tempo a ter as cirurgias disponíveis, então optei por ir, neste caso, a um privado para fazer a segunda cirurgia, essa hérnia que tinha reincidido. Dentro do bloco operatório, já na parte final da cirurgia, entrei em paragem cardiorrespiratória, onde estive durante sete minutos, até me conseguirem reanimar, e depois três dias em coma. O grande dano que eu tive foi realmente cardíaco, ou seja, eu não tinha insuficiência cardíaca, tinha realmente a miocardiopatia hipertrófica não obstrutiva, mas sem insuficiência cardíaca. Fazia uma vida normal, praticava esporte. A partir desse momento, fiquei, se não me engano, na altura, com 28% ou 29% de função ventricular, do ventrículo esquerdo, o que automaticamente mudou completamente a qualidade de vida que eu tinha em relação ao passado. A nível das consequências, principalmente da parte da condição física, como eu disse, eu era um atleta, treinava quatro a cinco horas por dia, desde a preparação física à parte do jiu-jitsu brasileiro, para chegar a um ponto de eu não conseguir sair do sofá. Aliás, sair do sofá para ir à casa de banho, já ficava cansado. Subir umas escadas, já ficava cansado. Brincar com o meu filho, fazer as atividades normais do dia a dia, era algo que já se tornava bastante desafiante, devido à essa insuficiência cardíaca. Piorou, principalmente na altura do Covid. Na altura do Covid, infelizmente, o nosso Serviço Nacional de Saúde não funcionava da melhor maneira. Eu estive cerca de um ano e pouco sem consulta sequer de cardiologia e quando finalmente voltei a ter, a minha função cardíaca já estava, na altura, se não me engano, a função ventricular esquerda a 17%. Nesse ponto, eu já estava completamente inchado, as pernas inchadas, pés inchados, o andar só 100 metros era impensável. Foi então quando fui referenciado pelo Dr.

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