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Vamos a mais um relatório de jogo aqui na Rádio Observador. Analisamos o regresso do Benfica, mais de três anos depois, ao Estádio do Marítimo, também conhecido como o Estádio dos Barreiros. Vitória benfiquista por três bolas a zero, dois gols de Leandro Barreiro e um gol de Gianluca Prestianni selaram os três pontos para a equipe de Marco Silva. Comigo para analisar e entregar este relatório de jogo, tenho Augusto Inácio. Augusto, boa noite, bem-vindo. A equipe de Marco Silva conseguiu ultrapassar esta deslocação complicada à Madeira frente à equipe de Michel van der Gaag, mas um jogo em que pareceu que houve duas partes distintas, uma primeira e depois aquele início da segunda parte.

É verdade. O Benfica na primeira parte, principalmente os primeiros 25 minutos, foi demolidor. Diria que o Marítimo não queria fazer aquele jogo, mas o Benfica obrigou, e de que maneira, o Marítimo a recuar para poder não sofrer gols. O que é certo é que o Benfica fez um gol cedo por Leandro Barreiro, numa boa jogada em que com o pé esquerdo fez um belo gol. Eu diria que o Benfica esteve sempre perto da baliza do Pastor, que é o guarda-redes do Marítimo, e o Marítimo praticamente a não responder, diria eu, em termos de ataque para que o Samuel Soares pudesse ficar em apuros. Houve só um lance da primeira parte que me lembro que o Marítimo atravessou um cruzamento que atravessou a área do Benfica.

Sim, ninguém desvia.

Mais nenhuma jogada houve na primeira parte e praticamente só deu Benfica. Como eu disse, 25 minutos muito bons do Benfica, os outros 20 minutos eu diria que o jogo ficou mais equilibrado no sentido de que foi mais uma luta do meio-campo, muita disputa, muita determinação, mas pouca qualidade, até porque o relvado também não permitia que tecnicamente o jogo se desenvolvesse. Mas diria que o Benfica teve um handicap que lhe foi prejudicial. A saída de Bah, que se lesionou de uma forma que eu questiono aqui, posso dizer, se as leis estão dentro daquilo que é um jogo de futebol. Não sei se os fotógrafos, quem está ali a fazer o jogo, se podem estar quase dentro do campo pra tirar fotografias, quando há uma jogada que qualquer jogador que vá fazer um cruzamento, desequilibra-se e de repente cai em cima deles, cai em cima das máquinas, cai em cima dos bancos. E isso eu acho que não é permitido, mas fica aqui a dica para que realmente vejam e revejam para que isso mais tarde não possa acontecer, porque dá-me a sensação que o Bah lesionou-se precisamente por causa disso. Mas de qualquer maneira, isso é um aparte. Diria que o Benfica vai pro intervalo. Enfim, acharam era pouco em relação ao resultado. Acho que era curto o resultado e era perigoso. Na segunda parte, o Marítimo entrou muito bem, muito determinado, muito focado, empurrou o Benfica no sentido de não deixar o Benfica atacar, conforme tinha atacado na primeira parte. E o Marítimo rondou ali a baliza, é verdade, mas não criou aquela grande oportunidade de gol ou uma grande defesa do Samuel Soares, isso não teve. Mas em termos de competitividade, em termos de entrega, em termos daquilo que é o espírito coletivo de uma equipa, eu diria que o Van Nistelrooy era isso que queria. Sinceramente, era isso que queria. E se conseguir manter este espírito para todos os jogos, seja no Barreiros, fora dos Barreiros, eu acho que o Marítimo vai fazer um grande campeonato. Mas lá está a tal coisa, é Benfica, dá motivação, quando for lá o Porto se calhar vai ser igual, quando for lá o Spandai vai ser igual. É preciso que esse espírito competitivo esteja presente em todos os jogos. Se for só para um ou dois jogos, é curto. Mas gostei do Marítimo, daquilo que é o seu espírito. E tem jogadores individualmente também muito bons. Do Benfica, claro que o Leandro Barreiros foi a grande figura, na minha opinião.

Dois gols.

Mas diria que Palhinha varreu aquele meio-campo todo. Prestianni está num excelente momento de forma. E também um jogador que eu dou muita importância, porque cada vez que o Benfica estava a atacar e perdia a bola e a bola é metida nas costas da defesa, Tomás Araújo ia sempre buscar esses jogadores ofensivos do Marítimo. Por isso, diria que sim, que o Benfica ganhou um jogo, um jogo muito importante como são todos os jogos, mas diria que o Benfica, mesmo não jogando tão bem na segunda parte, conseguiu não sofrer gols. Ao não sofrer gols, dá moral, dá motivação e dá, se calhar, aquilo que os jogadores do Benfica e que o treinador do Benfica quer. Ganhar não sofrendo gols. E o Benfica conseguiu, não jogando bem na segunda parte, mas não sofrendo gols, é também uma grande vitória do Benfica.

A equipa de Marco Silva consegue acabar este jogo a zero na baliza, não sofreu gols Samuel Soares. Vamos ao melhor e ao pior desta partida. Para ti, Augusto, e começando pelo negativo, o que foi o pior do jogo, na tua opinião?

O pior do jogo é o relvado, claramente.

Sim, é preciso dar essa nota.

Não está de acordo com aquilo que é para se ter um bom futebol.

Para a primeira liga pede-se muito mais.

Também o lado negativo é os fotógrafos não podem estar no sítio onde estão e os placares publicitários também não podem, porque põe em causa a integridade física dos jogadores. E aconteceu ao Bah, é um belo exemplo. Isto às vezes falar e não acontecer as coisas é uma coisa, e falar e acontecer as coisas é outra. E aqui vejam bem, olhem bem, liga, tomem atenção, porque aconteceu num ombro, penso eu, no Bah, mas amanhã se calhar vai acontecer coisas piores se as coisas continuarem assim. E diria também, com o jogo controlado, completamente controlado, às vezes há jogadores que querem exagerar porque se querem mostrar. Cuidado, Samuel Soares, tens a tua grande oportunidade. Não entres nesses números, porque esses números não são pra ti.

O guarda-redes do Benfica que, de facto, ainda provocou alguns calafrios com a bola nos pés, nomeadamente a inventar na pequena área. Passando do negativo para o positivo, o melhor da partida para ti, Augusto.

O melhor da partida foi aqueles primeiros 25 minutos do Benfica, que foram fantásticos, extraordinários. Foi realmente a grande exibição do Palhinha no meio-campo que varreu aquilo tudo, mas também ao longo dos 90 minutos, o Leandro Barreiros, que além de defender e além de empurrar a equipa pra frente, ainda fez os dois gols. É o homem do jogo. Prestianni fez um jogo espetacular. Sheldon Luthe entrou muito bem e Tomás Araújo também lá atrás. Era aquela gazela que ia buscar o contra-ataque do adversário, que não permitiu que o Marítimo tivesse alguma oportunidade de gol. Mas diria que acima de tudo, o espírito competitivo do Marítimo e a vitória segura do Benfica foram as notas em maior destaque.

Está entregue o relatório de jogo do comentador Augusto Inácio para esta partida entre Marítimo e Benfica. Terminou com a vantagem vitória por 3x0 das Águias.