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O Porto foi até Sevilha na segunda jornada da Liga dos Campeões e depois de trazer uma derrota caseira frente ao City na primeira jornada, esteve quase a ganhar, ou pelo menos depois de estar a perder por 1x0, fez a remontada e foi durante algum período dono e senhor do jogo, o que nos fez acreditar que o Porto poderia trazer algo mais do que zero pontos, pelo menos até um empate. Mas o que é facto é que a equipa do Betis, ao minuto 84, acabou por dar a volta ao marcador com um golo de Isco apontado depois de um penalti feito por Francisco Moura, num jogo em que o Porto começou de forma algo atípica, Gabriel, metido na sua área, muito maior pressão do Betis. Só que ao longo da primeira parte, com zero gols marcados para cada lado, o Porto foi ganhando confiança e foi tomando conta do jogo e acabou a primeira parte em registo positivo. Até acabou por marcar, o gol foi anulado por uma mão, mas o Porto ameaçou.

Sim, ameaçou, mas pouco. Esta é que é a verdade. Na primeira parte. Tens o domínio de determinada altura da partida, mas não incomodas o guarda-redes, não incomodas a baliza contrária. Ao passo que o Betis tem uma entrada à sua medida, dentro daquilo que é o seu futebol, o seu futebol envolvente, de ataque, de pressão, o seu futebol de aulas muito bem galvanizadas por um Abdé à esquerda, um Anthony à direita, com Ortiz e com Fran García, dois laterais com capacidade atacante e muito bem rodados naquilo que é jogo exterior e jogo interior com os seus alas e com quer Anthony, quer Abdé a funcionarem de forma mecânica, quase que digo, mas com a qualidade técnica e o talento e, portanto, a habilidade, porque técnica é uma coisa, habilidade é outra, mas juntando essas duas vertentes, que é a saída de jogo exterior em diagonal para jogo interior e a aparecerem naturalmente um a transportar e a fazer o último passe e o outro a procurar a baliza contrária. E Diogo Costa teve que se apurar e naturalmente foi figura na primeira fase da partida em foco, naturalmente, porque foi solicitado para tanto. O Porto quando acertou as marcações a direito, sim, acertou as marcações, equilibrou, mas o equilibrar é uma coisa, chegar lá ao sítio, ao último terço, com definição, com capacidade, é outra. E se sai com o nulo, entra a perder com uma grande jogada de futebol, com um primeiro passe de grande qualidade de Marco Roca, um primeiro passe vertical com Fran García, o tal lateral, que dá a profundidade dentro do tal jogo que eu expliquei, deixar para que Abdé, que é de facto uma figura, um figuraço do futebol, daqueles que nós gostamos de ver, que esperamos sempre qualquer coisa diferente, arte em movimento, um quadro fantástico. Eu digo que é o vendaval dos desertos tropicais. Fez o vendaval hoje no Cartuja com um primeiro gol icónico, fantástico. A verdade é que esse primeiro gol fez com que a equipa do Betis perdesse um pouco o controle do meio-campo a determinada altura e o Porto reagiu bem, as substituições, tudo aquilo funcionou com caráter, com atitude, com agressividade. E a verdade é que consegue, através da marcação de um livre, chegar à igualdade com responsabilidades de Valhas, que se calhar ficou a olhar que aquilo ia fora, fez um golpe de vista, só que quando lá chegou, a bola já lá estava dentro.

E não é de alguma forma surpreendente, Gabriel, que o Porto, depois de ter quase estado a vencer por 1x0 no final da primeira parte com aquele gol que acabou por ser anulado. Entrando na segunda parte.

Mas que entrou bem o Betis. O Betis é que entrou melhor.

Mas sofrendo logo esse gol de rajada, acaba por ser positivo que o Porto, depois desses dois momentos, tenha ainda assim conseguido pegar no jogo para dar a volta.

Isso eu costumo dizer, o caráter, a atitude, a capacidade do Porto. Por isso é que eu digo que isto é um grande jogo. É um belo jogo de futebol, vale a pena. São duas equipas que, de facto, souberam, só que uma cometeu menos erros que outra.

Foi um jogo de dois sentidos, neste caso.

Exatamente. Uma cometeu menos erros que outra e que foi mais capaz naquilo que é o último terço. E a verdade é que o Porto faz as substituições, Samu entra e não pode entrar da melhor maneira um jogador que esteve praticamente afastado uma época por uma lesão grave e é sempre lamentável, a morder, com um toque de samba, de um pep, que é algo que pouco se vê na equipa campeã nacional, campeã de Portugal, que é uma máquina estruturada, uma máquina de futebol com disciplina, eu diria, quase militar, um regime de velocidade, de posição, mas que depois é preciso, estando a vencer por 2x1 em casa do adversário, controlar mais a posse e não controlou. E aí os jogadores tiveram coerentes com aquilo que se passou dentro das quatro linhas. E depois aquilo que nós temos que dizer, Francisco Moura acabou por ter em Ortiz um adversário que se calhar o vai fazer dormir mal esta noite. Vai sonhar com ele e não vai conseguir dormir, porque Ortiz acaba por passar e fazer o passe para o gol do Cucho González, que entretanto também, e aí está, as substituições foram operadas de um lado e do outro. E bem, esta é que é a verdade. Para dar outra nuance em termos de dimensão e em termos de volume de jogo a uma e a outra equipe. E a verdade é que Ortiz, eu disse isso na transmissão, estava a fazer uma segunda parte muito boa, o tal jogador, o tal lateral que vai à profundidade e que funcionou muito bem com o Anthony, como Fran García funciona muito bem com Abdé, vai à linha e faz um passe para que Cucho, que entrou, que é um jogador diferente do irlandês, muito mais móvel. E Cucho acabou por não entrar a ver-se muito, mas quando se viu Era a meter a bola lá dentro, a bater e a desfeitear Diogo Costa. Estamos com um 2-2. Aquilo que o Porto tinha feito, o campeão nacional, era a remontada, estava a chegar à igualdade a equipa do Betis, que é algo que normalmente o Futebol Clube do Porto, depois de estar a vencer, não deixa. Dificulta muito o seu adversário. E a verdade é que o Betis foi capaz, não só por aquilo que foi a sua pressão, mas quando tu falhas, tens que esperar que o outro tire partido desse teu falhanço. Porque isto é assim, é um jogo que se tu falhas, tem que haver mérito de quem tira partido desse falhanço, porque o futebol é um jogo de falhanços e de momentos grandes, como foi o gol do Abdé, como foi o bom gol do Samu. São situações que naturalmente aparecem, daí a utopia do futebol, como a gente sabe. E depois, finalmente, o Ortiz acaba por estar, e uma vez mais, o Moura, naquilo que é o terceiro gol da equipa do Betis de Sevilha, com aquele pênalti que provoca sobre o lateral direito da formação bética e que depois diz que de forma superior, com aquela qualidade técnica, frieza, capacidade, eu diria cultura técnica e tática, bateu Diogo Costa. Sem hipótese nenhuma para o guarda-redes português e o grande guarda-redes que é Diogo Costa. Portanto, diz-se assim: Betis teve que suar para ganhar. Futebol Clube do Porto deixa uma boa imagem de discussão de jogo, mas não chega para se pontuar. É preciso mais qualquer coisa.

E Gabriel Alves, para fecharmos este relatório do jogo, antes de sabermos o que foi o melhor esta noite na Cartuja, em Sevilha, no estádio onde joga a seleção espanhola, foi importante mencionar isso. E o jogo fez jus.

Exato, sim. Aquilo é um ambiente fantástico, até porque os béticos sevilhanos fazem, pelo futebol, algo que é um espetáculo nas bancadas. Também os sevilhanos, naturalmente, os de Sevilha, fazem exatamente a mesma coisa.

E para fecharmos, o que foi o pior? Antes de sabermos o que foi o melhor, o que foi o pior esta noite em Sevilha, Gabriel?

Olha, aquilo que posso dizer da equipa do Futebol Clube do Porto foi ela não ter conseguido controlar, fazer o controle emocional do jogo. Houve ali uma altura em que quis tudo e acabou por perder tudo. É preciso saber gerir em determinadas situações e é preciso ter um líder. Ben Arfa hoje fez falta ao Futebol Clube do Porto e o William Gomes também, porque tem toda uma capacidade criativa que naturalmente, não estando, ela acaba por se perder.

E para fecharmos, Gabriel Alves, o que foi o melhor esta noite na Cartuja?

Olha, eu direi boa atitude do Futebol Clube do Porto, que não teve acompanhamento de saber depois gerir essa atitude. Depois é o Betis, que ganha e ganha bem. Tem, de fato, jogadores de grandíssima qualidade. Não é por acaso que está na terceira posição em La Liga, que é um campeonato que tem muito pouco a ver com aquilo que é o campeonato português em termos de dimensão e de competitividade. E tem que deixar uma palavra pro Abdé, porque faz um gol. Eu direi que é um gol que vai circular, eu diria, marca Champions.

Gabriel Alves, está feita a entrega do relatório do jogo deste Betis 3, Porto 2, jogo a contar para a segunda jornada da fase liga da Liga dos Campeões. Gabriel Alves, de resto, é também para ouvir em "Sede o Campeão É", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto, aqui na Rádio Observador. Um grande abraço, Gabriel. Bom descanso.

Grande abraço para todos os observadores.