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Já cá estamos para mais um relatório de jogo. Olhamos para a partida Inter Miami, Futebol Clube do Porto. O Porto saiu derrotado de Atlanta, 2x1, resultado final, complica as contas para o apuramento da próxima fase do Mundial de Clubes. Augusto Inácio, obrigado por esta análise. Foi um jogo com duas partes muito distintas.

Sim, é verdade. Mas resumindo tudo isto, depois da parte final, tu até podes perder o jogo, mas se tu visses evolução na equipa, se tu visses que havia coisas que tinham melhorado, era difícil engolir esta derrota, mas podias ter aqui um sentido. Neste caso, é difícil de explicar esta derrota do Futebol Clube do Porto. Uma primeira parte em que o Porto realmente foi bem melhor, o Inter Miami praticamente não existiu. Mas aquilo que costumo ver no Futebol Clube do Porto ou noutra equipa qualquer que estivesse a jogar hoje, é o Futebol Clube do Porto, é do Futebol Clube do Porto que eu tenho que falar, é realmente a forma displicente como o Porto, depois, encarou sempre o jogo. Devagar, devagarinho, sem rasgo, sem velocidade, sem intensidade, sem aquela ganância de ganhar a bola, porque tinha que a ganhar, não, deixou sempre andar, que o tempo rolasse, e que chegasse depois ao intervalo. É verdade que o Porto teve mais duas ou três jogadas boas na primeira parte, podia ter elevado o marcador quando apertou, quando deu velocidade. Isso foi coisa rara que se viu na primeira parte, perante um Cláudio Ramos, já tinha feito duas boas defesas em que o Inter Miami também podia ter feito o empate, mas notou-se claramente quando o Porto acelerava que o Inter Miami abanava por completo e o Porto foi para o intervalo a ganhar só por 1x0, mas ficou a sensação: Porto, por que é que não jogaste assim durante mais tempo? Tinhas ganho uma vantagem muito maior. Na segunda parte, a surpresa das surpresas. Entra o Inter Miami logo a marcar um gol e pareceu que o Inter Miami tinha vindo com outros jogadores e com outros estímulos do intervalo, porque foi realmente uma equipa mais intensa, mais agressiva, mais ligada, em que o Lionel Messi esteve realmente em bom plano, mas perante um Futebol Clube do Porto, que enquanto não esteve a perder, continuou também, parecia que estava a entrar nas praias de Miami, estavam de férias ainda, quando aquilo era uma competição a sério e que valia não só um apuramento, como também muito dinheiro para os cofres do Futebol Clube do Porto. Messi faz o segundo gol e aí começou-se a perceber a transformação ou o baralhar tático do treinador do Futebol Clube do Porto. Começou a jogar por três defesas, depois começou a jogar por dois. Pôs o Rodrigo Mora para jogar do ponto lança. A sensação que eu fico é que o treinador do Porto ainda não sabe bem, afinal, com que sistema quer jogar. É verdade que o banco não é famoso, o banco dos suplentes, para poder mudar alguma coisa, mas sempre se pode mudar, pelo menos, alguma coisa tática em relação àquilo que é os comportamentos e que é o conforto dos jogadores, que gostam mais de jogar nos certos determinados sítios e lugares. E o que é certo é que isso não tem acontecido e o Porto, depois, quer ir à procura com o coração, com vontade, com raça, com determinação, mas já está o adversário mais por cima do jogo, mais confiante, mais unido, mais coeso, mais organizado e as coisas tornaram-se muito mais difíceis. E o Porto perde. Perde o jogo e foi o que eu disse ainda há pouco. A pergunta que eu coloco a mim mesmo é: ô Porto, como é que consegues perder um jogo destes?

De facto, na primeira parte comentamos as debilidades tantas que parecia ter o Inter Miami e esta reviravolta não deixa de ser surpreendente. Como é que olhas também para este sistema tático? Luís Pinto Coelho, adepta do Futebol Clube do Porto, nos acompanha aqui nestas emissões especiais de desporto. Já está a ficar um bocadinho agastado com o Martín Anselmi. Achas que a eliminação precoce no Mundial de Clubes pode ditar um início de próxima época diferente? De facto, já leva algum tempo e não estamos a assistir a grandes mudanças exibições no Futebol Clube do Porto.

Eu lembro quando tu fizeste essa pergunta e outra ao Luís, no jogo do Porto com o Palmeiras.

A resposta foi muito diferente.

Não, mas o Luís estava-

Muito otimista

...e bem. Naquele jogo que o Porto fez com o Palmeiras, e bem. Só que eu fiquei sempre na dúvida, e ainda hoje tu me fizeste essa pergunta, o Inácio não está muito confiante. A questão não é Inácio estar confiante. A questão é que eu olho para este Porto e não sei que Porto é que vou ver. Eu nunca sei que Porto é que vou ver. Se é um Porto arrojado, se é um Porto criativo, se é um Porto, como se costuma dizer, com a faca nos dentes, se é um Porto que vai meter o pé. Nunca sei qual é esse Porto e por isso eu ponho sempre algumas reservas. E hoje fico com coceira na garganta, mas o Porto agora está coçado. Talvez no próximo jogo entre com outras ideias e entre com outra intensidade, a querer realmente honrar a camisola que os jogadores vestem. Mas estavas a me fazer a pergunta do-

Se ele tem margem.

Se o treinador tem margem. Pois o presidente agora é que deve saber se tem margem ou não. Aquilo que eu sempre disse, e não é por o Porto ter perdido hoje, é que para os jogadores que o Porto tem atualmente, o sistema com que o Anselmi joga não se adequa àquilo que são os jogadores do Porto. Não estou a dizer com isso que a equipa não pode ser diferente para melhor num outro sistema, mas Anselmi insiste. Eu já ouvi dizer isto, não sei a quem: "Vai morrer com as suas ideias". Pois, vai morrer com as suas ideias, mas os treinadores inteligentes são aqueles que mesmo sabendo que estão a ir contra um muro, contra uma parede, contra um precipício, manter a mesma ideia é realmente de uma pessoa que não é muito inteligente.

O que achas que há de mais positivo neste jogo? Há um sinal mais a atribuir a quem?

Tu estás me a fazer a pergunta mais difícil que eu posso responder desde que eu estou aqui no Observador. O que é o positivo do jogo de hoje? Olha, o positivo é para André Vila Boas. Pense realmente bem aquilo que é para o futuro do Futebol Clube do Porto.

E o negativo desta partida, quem leva o sinal menos?

Quem leva o sinal menos tem que ser o treinador do Porto. Custa-me tanto dizer isto, que também sou treinador, mas eu sou comentador e tenho que comentar aquilo que vejo. Acho que o treinador tem muitas culpas naquilo que foi o jogo do Porto hoje.

Está feito o relatório de jogo com a ajuda do Augusto Inácio. Augusto, obrigado. Um abraço.

Um abraço também.