Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Relatório de jogo na Rádio Observador. À sexta jornada, temos o Futebol Clube do Porto a dirigir-se a casa do Casa Pia, ganhar por quatro bolas a um, mas num jogo em que os dragões ainda tremeram, porque estiveram a perder por 1 x 0 e recordaram quase de alguma forma essa derrota do ano passado, à 20ª jornada do campeonato, a primeira de Farioli, que não pôs em causa o campeonato do Porto, mas quebrou o estatuto de equipe invicta. Hoje, o Porto respondeu da melhor forma, pelo menos na segunda parte, a este jogo onde ainda tremeu. Na primeira, apesar de alguns lances, alguns tirasse muitos cantos, tardou o gol da equipe do Porto.
Eu diria que o Porto não fez um jogo muito consistente. Na segunda parte foi bem melhor do que a primeira. Diria que na primeira parte, os primeiros 10, 12 minutos, o Porto entrou muito forte dentro daquilo que é o normal, que o Porto faz sempre em todos os jogos, que é tentar marcar um gol logo nos primeiros minutos. O gol não aconteceu e depois o Porto entrou, não sei se foi por causa do calor, se foi por causa do esforço que fizeram com o City, não sei se foi por causa do adversário, o que é certo é que o Porto baixou.
Ou por causa do relvado, do qual o Farioli também falou.
Ou por causa do relvado. Eu também não achei o relvado muito lisinho. E às vezes o controle de bola e aquilo que é as dinâmicas do jogo, perde-se um bocadinho por causa do passe de primeira, que às vezes não é igual quando o relva está lisa, como eu acabei de dizer. Mas diria, acima de tudo, a atitude do Porto também foi uma atitude passiva, foi uma atitude de deixar andar, foi uma atitude de espera, ou seja, o gol vai aparecer, quanto menos a gente esperar, se calhar, vamos alcançar o gol. Mas teve o efeito ao contrário, teve o efeito de o Casa Pia, os jogadores do Casa Pia, acreditarem que, afinal, este Porto não é assim tão papão e nós podemos discutir o resultado. E aos poucos foi soltando. E o Porto não gostou muito disso, ficou desconfortável. Ao ficar desconfortável, o Porto também ficou naquela de que temos que estar corda aos sapatos, como se costuma dizer, para nós chegarmos à vitória. Mas entretanto, aparece o pênalti a favor do Casa Pia. Não vou discutir se é pênalti, se não é pênalti.
Não discutindo se é pênalti ou não, a forma como a equipe do Porto reage, independentemente da questão disciplinar, a energia que perdem os jogadores em torno do árbitro, o próprio movimento que há em torno do banco, isso às vezes não pode ser contraproducente, no sentido em que se gasta muita energia também com essas coisas.
Sim, mas aquele adversário que sofre esse pênalti, acontece isso com todos, não é só com o Porto, porque acham que não é justo.
Não digo como coisa exclusiva do Porto, digo isto como também um pouco crítico do nosso campeonato, até conta que não se perde alguma energia com isso.
Se reparares, isto fosse, desculpem esta expressão, com o Oriental, os jogadores do Oriental também iam ter com o árbitro, iam tentar dizer que não é pênalti, o treinador do Oriental também ia dizer isso. E tenho muito respeito por Oriental, até está lá o meu amigo Costinha, oxalá que faça um grande trabalho. Mas diria que o Casa Pia, de um lance que praticamente podia ser perigoso, porque é um lance de bola parada, da forma como ele foi desenrolado, já não era esperado. E o Casa Pia tem essa grande qualidade e faz o seu primeiro gol no campeonato ao fim de seis jogos.
Pelos pés de Henrique Araújo.
De Henrique Araújo. Agora, claramente que eu já não estava à espera, sinceramente, que o Porto na primeira parte ainda fizesse o empate. Estava à espera de uma reação forte na segunda parte para o Porto tentar inverter as coisas. Mas o Porto, também através de uma bola parada e através de um destilamento muito grande, depois do Alberto dar de cabeça, bateu no Pablo Rosário. Pablo Rosário, no meio daquela gente toda, ainda consegue fazer o passe pro André Silva, faz o 1 x 1.
Pablo Rosário conseguiu não ser precipitado na pequena área adversária, que é uma coisa difícil.
Exatamente. Um sangue frio muito grande. Não é fácil fazer aquilo. A gente estamos a olhar pra televisão e dizemos assim: "Isso qualquer um faz". Não faz, não. Porque ali a tendência é logo virar, se rematar ou uma coisa qualquer, aquela precipitação toda. Não, ele teve calma, teve sanidade, passou a bola ao André Silva, que o pé esquerdo faz o 1 x 1. E depois, claro, na segunda parte esperava-se uma reação do Porto e ela veio. Mas não senti um Casa Pia encolhido.
Não, antes do contrário. Até pareceu o Casa Pia mais soltinho desta época.
E soltinho, sim. Eu acho que na segunda parte o Casa Pia, mesmo sofrendo três gols, acho que ficou mais perigoso em relação à baliza do Porto. E é verdade que o Porto aproveitou também as bolas paradas, mais um canto, mais o Kvior. Se não é o Kvior, é o Evanilson, se não é o Evanilson, é o Kvior. O que é certo é que por estes cantos marcados por Gabi Veiga, conseguem sempre fazer o seu gol. O Porto fez 2 x 1 e depois num passe fantástico do Kvior, que eu concordo que tivesse sido o homem do jogo, acabou por fazer um passe extraordinário, que apareceu depois o Borges Santos a fazer, embora desviado na cabeça do Kali. O primeira faz um remate fantástico com o pé direito e faz o 3 x 1. Aí o Porto descansou mais e já sabia que podia acontecer aquilo que aconteceu depois no jogo Casa Pia e Benfica. O Casa Pia ia pra frente, o Benfica vinha pra trás, pra frente e depois o quatro, o cinco, o seis, o sete, era assim. Só que o Casa Pia com o Benfica não criou aquelas oportunidades que criou com o Porto. E o Porto marcou o quarto gol, é verdade, numa grande penalidade, mas o Casa Pia perto de estar a cheirar o gol pra reduzir a desvantagem.
Também com alguma aposta à falta de capacidade pra furar as linhas, aposta na meia distância, inclusive uma delas muito mais do que uma distância completa, mais do que meia distância, que foi um arremate atrás do meio-campo, que obrigou o Diogo Costa, ainda na segunda parte, a fazer uma defesa muito importante.
Isso seria um gol fantástico, aquele gol na linha do meio-campo. E normalmente o guarda-redes está sempre mais adentrado que aquela que estava o Diogo Costa, mas ele estava muito atento, muito concentrado e acabou por fazer uma grande defesa. Esta é que é a verdade, um remate do meio-campo, e as pessoas que estão a me ouvir, estão a dizer assim: "Como é que um remate do meio-campo pode ser uma grande defesa?" Não, foi mesmo uma grande defesa, pras pessoas terem noção, porque o Diogo Costa, se tivesse dois metros mais à frente, o que era o normal, se calhar, tinha sofrido aquele gol. Mas o que é certo é que lá está a tal coisa, rondas a baliza, estás no perigo, mas não consegues faturar ou não consegues marcar. E o Porto acabou por marcar o 4 x 1. Também acho que sim, foi um resultado exagerado. A vitória do Porto é indiscutível, mas talvez o 3 x 1, o 3 x 2, fosse o resultado mais justo em relação àquilo que se passou.
Tivemos um Futebol Clube do Porto que conseguiu, nessa segunda parte, crescer e também aqui mexidas interessantes de Farioli. Na verdade, as mexidas que são expectáveis e são expectáveis as que vão produzindo a diferença. Colocou Borja Sainz, Borja marcou, também Santiago Gimenez, que ganhou o pênalti e se estreou a marcar pelo Futebol Clube do Porto. Aqui não poderia ser um treinador mais feliz com as suas substituições, Farioli, porque tiveram impacto direto no jogo.
Sim, mas o Farioli está a tentar fazer aqui duas coisas num só, duas coisas ao mesmo tempo. Está a tentar dar ritmo competitivo à equipe e está a tentar dar moral a esses jogadores para que eles possam ter mais motivação. Não é que eles não tenham motivação, mas tenham mais alegria a treinar e a jogar. E foi isso o caso do Fofana. Fofana e Gimenez não tiveram uma pré-temporada daquelas que é o normal e Farioli vai tentar, de certeza absoluta, e vai fazer isso, tenho certeza, quando for a paragem para as seleções nacionais, vai fazer uma pré-temporada para os dois, porque nota-se que eles querem, mas têm uma falta de ritmo de jogo gritante. Este gol do Gimenez pode ser que lhe dê aquela alma de poder estar mais liberto e o Fofana ainda está um pouquinho pesado, precisa realmente de ter uma condição física adequada àquilo que é o seu jogo, porque é um jogo muito físico, é um jogo que também quer ir à frente e vir atrás, e ele não tem essa potência física ainda, porque não está preparado para isso, e ele precisa disso, porque se não tiver isso, o Fofana não vai marcar diferença nenhuma. E o Fofana entrou no jogo também muito alegre, muito disposto, um meio-campo muito físico do Porto. Alan Varela, Pablo Rosário, Fofana, três homens de combate, três homens realmente não é tração à frente, é tração atrás, mas diria que é robusto e claramente que essa também foi uma nuance tática, além dar o ritmo de jogo a esse jogador, é também para fechar o jogo, para fechar a baliza, para não haver mais gols contra o Futebol Clube do Porto. Isso foi tudo conseguido.
E na ausência de Frold, que muita falta vai fazendo a esta equipe do Futebol Clube do Porto, tivemos a estreia titular de Inbeom, que, nas palavras de Luís Pinto Coelho, não teve grande oportunidade para se mostrar, porque também não teve grandes momentos com bola, mas fica aqui, de alguma forma, uma má indicação por parte deste jogador coreano.
Não, eu estou de acordo com o Luís, porque o jogo não estava muito propício para aquilo que é o jogo normal do Hwang. A equipe também não ajudou o Hwang a se poder mostrar, mas também é verdade que nos lances em que ele esteve presente, eu esperava mais do Hwang. Eu acho que ele vale muito mais que aquilo que apareceu hoje, mas de qualquer maneira, ninguém vai fazer esquecer o Frold. Calma aí, isto são jogadores tipicamente diferentes, em que o Hwang é um jogador mais técnico, é um jogador mais de passe, é um jogador de retura, é um jogador de aparecer. O Frold, não, rouba, constrói, passa, marca gols, vai à frente, chateia o adversário, faz faltas. O Hwang, não, o Hwang é mais só.
Passa a ferro os equipamentos, serve as águas, dá essa sensação que é uma abrangência total.
É verdade. E depois, como eu tenho dito aqui no Observador, acho que isto está a pegar. Eu digo sempre que o Frold, cada vez que joga, o Porto joga com 12 jogadores. E isto é proibido. Pela lei da FIFA, só pode jogar 11, mas o Frold vale por dois. Isso devia ser proibido. Mas é uma diferença abismal, mas diria que o Hwang esperava mais, sinceramente, mas no jogo também hoje não fizeram... nenhum brilhou. Sinceramente, nenhum jogador do Porto brilhou. E para nós enaltecermos o homem do jogo, daquilo que se passou, diria também que foi realmente o Kvaratskhelia pelos passes, pelo gol que marcou, acho que sim, que foi o melhor homem do jogo.
Do lado do Casa Pia, acabamos por ter uma exibição que, mais uma vez, com muitos gols sofridos, traz o primeiro gol. Isso pode também, de alguma forma, motivar este balneário que, com tantas dificuldades em marcar, foi logo marcar a melhor defesa do campeonato.
Sabes, quando as coisas não estão a correr bem no sentido dos pontos, as equipes agarram-se a tudo e mais alguma coisa para se motivarem. Então qual é a motivação? Perdemos, mas já marcamos um gol. Como a semana passada. Não marcamos gols, mas já somamos um ponto. E isto é o normal nas equipes que estão, como costumo dizer, com a corda na garganta. Atenção, só, estamos na sexta jornada. Há equipes ali que só têm três pontos também, outras têm dois.
Mas, de alguma forma, o Casa Pia já traz a corda da garganta da época passada.
Sim, isso é verdade. Desde a época passada. Mas sabes que essas equipes que são, entre aspas, vendedoras, depois trazem alguma coisa para poder vender outra vez. E quando é para vender outra vez, às vezes é preciso que os resultados apareçam e que apareça o espírito de equipe, e que apareça a consistência, e às vezes as coisas não aparecem com essa facilidade toda.
E também não aparecem por decreto.
Claro, isto não é dizer assim.
Mas também não falham por necessariamente haver uma grande falha técnica. É ali um ambiente que se cria, uma espécie de um contexto.
Sabes, hoje o futebol e muitas das equipes estão naquela de acaba a época, temos que vender dois ou três jogadores, que é para nós absorvermos os gastos que tivemos. Mas depois esquecem-se que as equipes, para fazer bons campeonatos, têm que ter consistência. E consistência, muitas vezes, é teres os jogadores dois, três anos seguidos na equipe. E não, ao fim do ano já estás a querer vender. Ao fim de seis meses já estás a querer vender.
Às vezes não é bem vontade, não é bem querer vender, é uma necessidade.
Sim, também é necessidade, vontade.
Porque às vezes há muitos donos que querem manter certos jogadores cá e isso é claro que torna difícil.
Eu não sei os orçamentos. Mas reparem numa coisa. Por exemplo, o Rio Ave só tem dois portugueses, ou tem três agora que chegou outro. O Arouca quantos portugueses tem? Quer dizer, é só para dar uma imagem de que hoje o futebol está tão negócio que as pessoas...
Depois também não criam relação com os símbolos.
Não há relação, não há aquele espírito, amizade. Quando a gente diz assim: "Tu és amigo daquele?" "Mas aquele teu colega foi teu colega durante oito, nove anos." Aí há relações de amizade. Olha, aquele foi teu colega um ano Que tipo de amizade é que pode haver num ano?
Pode, mas com certeza com menos potencial de laços do que a presença.
É muito complicado. As pessoas sabem o que eu quero dizer. Até familiar.
O jogador passou também a deixar de ser um herói para passar a ser um produto, de alguma forma, acreditas nisto, comercializável, trocável. Há também essa coisa de perder o amor à camisola.
Não, mas sabes que o jogador também se serve disso. Isso não é só do lado do clube, o jogador também se serve, porque eu vou ser vendido para ali, mas está bem, vou para ali, mas vou ganhar mais dinheiro também, vou arranjar o melhor contrato, porque senão ele também não sai, porque se não for para o melhor contrato, ele também não sai. Isto é uma coisa que junta-se uma coisa com a outra, a fome com a vontade, como se costuma dizer. Mas diria que o futebol está assim e temos que nos adaptar aos tempos, como é evidente. Hoje é difícil, como nos bons tempos, estar oito, nove, 10 anos num clube. Hoje, se tiveres três anos num clube, já é muito bom.
Se calhar, até já é visto como jogador que não quer encarar novos desafios. Já é esta a conversa.
Com três anos já é jogador da casa.
Sim. Mas às vezes há aquela lógica de que uma pessoa não deve querer ficar no mesmo lugar, sair da sua zona de conforto, experimentar outros campeonatos.
Quer experimentar isso.
É um pouquinho uma dinâmica, são umas ideias que não têm só a ver com o futebol, é um pouquinho a dinâmica atual.
Repara uma coisa, só vou dar este exemplo. Vamos imaginar que estamos a ganhar €10 num clube português. Mas aquele clube inglês dá cinco. O jogador vai? Não vai. Mas o campeonato é melhor. Mas eu não vou, não vou porque não vou ganhar mais do que aquilo que eu estou a ganhar. Ou seja, tem que ir para campeonatos bons, mas também com contratos bons.
Há algum campeonato melhor do que ganhar bem?
Não, mas na Arábia Saudita pagam bem e o campeonato não é o melhor. Mas é assim. O mundo de futebol é assim mesmo e os tempos são assim. Mas diria que o Casa Pia vai sofrer muito esta temporada para ficar na Primeira Liga, porque quando se cai no buraco, para sair do buraco, às vezes as boias e os barcos não chegam para te salvar.
Para fechar este relatório de jogo, Augusto Inácio, o que foi o pior esta tarde, final de tarde em Rio Maior, entre Casa Pia e Porto?
Os últimos 30 minutos da primeira parte em que o Porto deixou rolar as coisas, não é menosprezar, porque é uma palavra muito forte, mas diria a deixar rolar o jogo quando não deves dar confiança ao adversário.
E para fechar, o que foi o melhor, Augusto?
Foi o gol do Casa Pia, que marcou o primeiro gol do campeonato.
Está feito e entregue o relatório de jogo da vitória do foco do Porto em casa do Casa Pia por quatro bolas, uma a seis da jornada, mantendo assim a equipa de Fabioli a total invencibilidade em seis jogos do campeonato. Augusto Inácio, vamos estar também aqui este domingo para o Famalicão-Sporting. Grande abraço.
Um abraço também.