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Relatório do jogo na Rádio Observador, na noite de hoje, escrito e assinado também pelo Augusto Inácio. Augusto, acompanhámos aqui o Porto 2, Arouca 0. Duas equipes que chegaram a esta terceira jornada com duas vitórias, seis pontos, zero gols sofridos e, no caso, o Arouca tinha até mais um gol marcado que o foco do Porto, mas hoje, em campo, no Dragão, onde o Porto se faz sempre valer, mais uma vez, vitória clara do Dragão frente ao Arouca, que não confirmou este estatuto criado nas primeiras duas jornadas, porque o Porto foi quase sempre dominante e quando não o foi, consentiu o domínio com bola Arouca, que pouco ou nada fez para chegar à baliza do Diogo Costa, que hoje, para além de ser santo, como muitas vezes se diz, chegou ao jogo 250 num espírito de absoluta paz, digamos assim.

Em primeiro lugar, parabéns ao Diogo Costa, 250 jogos é uma marca bastante grande e ainda é muito novo. Se o Cristiano Ronaldo anda à procura dos 1000 gols, por que não o Diogo Costa à procura dos 1000 jogos? Nunca se sabe o que acontece na carreira de um jogador. Mas diria que este era um jogo que eu considerava um jogo altamente competitivo, no sentido de o Porto podia ganhar, mas iria ter muitas dificuldades em ganhar. Mas não foi assim. Realmente, o Arouca teve uma boa organização defensiva, mas faltou a outra parte. Faltou a parte de incomodar e realmente a baliza do foco do Porto, coisa que nunca conseguiu, a não ser um remate de cabeça, e mesmo assim fraco, do Barbero para as mãos do Diogo Costa. De resto, foi sempre um Porto mandão, um Porto competitivo, um Porto a encostar a defesa do Arouca um pouco mais atrás que aquilo que se achava que esperava. É verdade que o Arouca não colocou um autocarro à frente, não colocou muitos defesas, muitos médios e os avançados todos ali atrás. Não, até avançou um bocado as linhas e o Porto aproveitou alguns espaços desse mesmo adiantamento para que o Evanilson Gomes, principalmente ele, que foi aquele que deu a velocidade, que deu as rupturas todas da defesa do Arouca, foi através de Evanilson Gomes. Mas o Porto aqui pecou. Pecou pela finalização, não foi eficaz. As oportunidades que teve não soube materializar isso em gol, mas também teve um grande obstáculo, isso é que é a grande verdade, do Arruabarena. Eu não sei bem como é que se diz isso.

É Arruabarena.

Arruabarena.

É um trava-línguas.

É isso, é trava-línguas.

É o Rato Rui Arroz da Rapa Reda da Rússia que se chamava Arruabarena.

Arruabarena, isso. Melhor jogador em campo, na minha opinião, foi atrasando o gol do foco do Porto, e o que é certo é que o Porto, depois de na segunda parte fazer um a zero, baixou um bocadinho e aí já pôde respirar um pouquinho mais com bola. O Arouca, houve ali alguns lances que estiveram perto da área do Porto e que o Diogo Costa não fez aquela tal grande defesa. Diria que depois com o segundo gol, que já antes o Borges Assunção podia ter marcado, mas deu um toque na bola primeiro e ouviu o Luís Pinto Coelho dizer que tem que rematar primeira, foi o que ele fez no segundo passe do PP e fez o segundo gol. Diria que o Porto aí acabou com o jogo, mas um olhar para este jogo diria que o Porto poderia ter marcado muito mais gols e o Arouca pouco fez para marcar um gol ao foco do Porto.

Muitas vezes, na primeira parte, o Porto, depois de uma energia inicial de alguma pujança, parece que geriu, como disse aqui Farias ao longo da conferência de imprensa, foi gerindo os vários momentos do jogo, foi tendo paciência, porque uma equipa não pode estar 100% do tempo em jogo, altamente ligada, altamente pressionante, como é característica panaja deste foco do Porto. Foi também um jogo em que o Porto foi fazendo a gestão e onde, como tu dizias, só não chegou ao gol, também na primeira parte e na segunda, por causa da Arruabarena. Mas fica aqui também a nota de que a solução do Porto saltou, de alguma forma, para este jogo. Saltou do banco, o que é importante para Farias, a forma como mexe no jogo, ao contrário, por exemplo, do que se tem dito do Sporting, em que Rui Borges, apesar de ter vencido ontem um pouco mais tranquilo, teve duas jornadas onde as suas mexidas foram um pouco questionadas.

Eu fico contente quando os treinadores falarem e depois a coisa bate ou coincide com aquilo que eu digo, que foi a minha análise também. Porque nós não estamos aqui, ou eu não estou aqui a inventar coisas daquilo que eu vejo do jogo. E podia não ser coincidente com a opinião dos treinadores, mas é. Eu disse que houve um momento ali na primeira parte que o Porto baixou um bocadinho a guarda no sentido da intensidade e que os jogadores do Arouca puderam trocar a bola, não com perigo para a baliza, mas puderam ter bola. O Porto era precisamente isso. É impossível, e venha-me cá o melhor cientista dizer-me aqui no futebol, que é possível estares 90 minutos sempre naquela mesma dinâmica, com aquela mesma intensidade, porque o corpo, o ser humano, não aguenta essa verticalidade e essa intensidade toda. Diria que há momentos de pausa, e aí é que o Porto é grande. O Porto é grande porque nos momentos de pausa consegue sofrer e todos sofrem. Tudo em prol da sua baliza não ser violada. E nesse aspecto, não é só o guarda-redes que faz grandes defesas, é a equipa toda que também trabalha muito para que realmente a bola não chegue tão perigosa à baliza do foco do Porto, onde está Diogo Costa. E depois ganha outra vez essas forças coletivas, não são individuais, são coletivas, e depois voltas outra vez à procura daquilo que é o teu grande objetivo, que é ganhar. Foi isso que o Porto fez. Na primeira parte, fez isso durante quase o tempo todo. Na segunda parte, enquanto não marcou o gol, viu-se um Porto furioso, entusiástico, com ganas de marcar o gol. Fez o gol e aí, o que aconteceu? O balão vazou. Depois vazou, recuastes e agora diz assim: "Arouca, joga agora um bocadinho a bola, sempre na expectativa depois do contragolpe, naquilo que era a transição rápida, como queiras dizer. O Porto teve várias oportunidades, o Borges fez o gol, mas teve uma antes que poderia ter feito o meio gol, conforme muitas outras e o guarda-redes lui.

A barra renda foi sempre dizendo que não. A verdade é que o Porto ainda chegou a marcar dois gols que acabam por ser anulados por fora de jogo. A fiabilidade dessas decisões é para avaliar no Sem Falta com o Pedro Henriques. O que é certo é que o Porto foi produzindo. E também aqui uma nota importante é que não se deixou abalar animicamente pela questão dos gols não terem entrado. É essa tal maturidade que fala Farioli, essa tal paciência que faz a diferença.

É uma boa observação, Vicente Figueira, fica já com nota de campeão, nota 20, que é o máximo.

Obrigado.

É isso mesmo que estás a dizer. Só quem não está lá dentro e está com aquela ansiedade toda de querer marcar um gol, que não acontece. Estás perto, mas não conseguiste. Estás num empate. E depois o árbitro anula um gol, depois o árbitro anula o segundo gol. Pode ser que a um ou outro possa saltar a tampa no sentido de desfocar-se do jogo e pensar mais noutras coisas do protesto do que em jogar.

Perder energia com isso.

Perdes energia e perdes o foco. E depois a tendência que tu tens é assim que tens a bola, meter a bola lá na frente, há de aparecer alguém que marque um gol de cabeça ou uma segunda bola, um remate depois e consegues fazer o gol. Não, o Porto não teve isso. O Porto teve calma suficiente para poder jogar, entrar pra esquerda, entrar pra direita e tentar arranjar o melhor caminho pro gol. E isso sim, notou-se uma equipa que já se nota realmente que sabe o que é dentro do campo e foi assim que conseguiu chegar à vitória. Aliás, justamente esta vitória que o Porto obteve.

Antes de irmos ao melhor e ao pior, falando também aqui das palavras de Farioli, ao falar do comportamento defensivo da equipa, fala da importância de Diogo Costa, fala da importância também do quarteto defensivo, mas fala da dependência de todos os jogadores da equipa, da forma como a equipa enquanto ecossistema se ajuda e entreajuda na defesa. Temos mais uma vez um jogo do Porto com dois gols, 100 gols dos pontas de lança, quer Dénis Gulo, quer André Silva não marcaram, mas Farioli deixa elogios a André Silva pelo trabalho defensivo do ponta de lança, que não é algo muito comum, mas é algo que é característico também desta equipa de Farioli. Farioli gosta de jogadores que defendam, seja ele um ponta de lança, seja ele o guarda-redes.

Se te lembrares e os nossos ouvintes se lembrarem, quando entrou Dénis Gulo, eu disse que o André Silva estava a fazer um trabalho defensivo também muito grande em termos da pressão. E depois, naturalmente, como são os jogadores que normalmente percorrem menos espaços e fazem menos quilómetros, desgastam-se de uma maneira tal que o Farioli tem que trocar de pontas de lança, precisamente para dar frescura pra essa intensidade que o Farioli quer na equipa. Eu diria que há uma coisa a mim que me salta sempre à vista. Eu começo a olhar pra cara dos jogadores, aqueles que não jogam, aqueles que vão entrar, se estão com azia, se não estão com azia, se estão com aquela cabeça baixa, se estão a dizer que sim com a cabeça ao treinador, e o treinador está a dar as suas instruções, eles estão a dizer que sim com o caniço. "Tá bem, fala praí, que eu não quero saber." Não, eu não vejo nada disso. O que eu vejo é uma união muito grande dos jogadores do Porto. E repara, quando o Porto marcou o primeiro gol, e mesmo aqueles que foram anulados pelo árbitro, o primeiro a saltar foi precisamente um dos jogadores que é titular desta equipa, foi o Alan Varela. Não foi só o Alan Varela, foram os outros jogadores todos. Mas isto é sintomático em relação àquilo que quem marcou o gol não foi o A, o B ou o C. Não, quem marcou o gol foi o Porto e a equipa é que marcou o gol. E é esse o espírito que o Farioli quer, e é esse o espírito que está a incutir, é esse o espírito que os jogadores também compram essa ideia. E por isso mesmo, o Porto, como eu costumo dizer, e já disse isto o ano passado tantas vezes, e agora vou-me repetir outra vez, as pessoas do Observador que estão a ouvir, vamos dizer assim, este tipo não sabe dizer outra coisa.

É importante reforçar a ideia.

É dizer que o Porto, mesmo assim, morre os jogadores dentro do campo pelo melhor resultado. E normalmente ganham.

E do lado do Arouca, Vasco Seabra e também o defesa da equipa espanhola, Ravi, acaba por admitir aqui que é uma equipa que gosta de ter bola, o Arouca. Ora, terá de procurar outros jogos pra impor o seu jogo.

Sim, vai ter a oportunidade noutros jogos de fazer esse seu jogo. Sabes que foram duas vitórias que o Arouca teve, principalmente aquela em Guimarães, que deu uma alma muito grande a esta equipa. Eles acreditam cada vez mais naquilo que são os processos que o treinador quer incutir. Eles acreditam também neles enquanto individualidades e coletivas. Eu diria que não é este jogo, jogando na casa do campeão, que vai alterar o que é que seja em relação à ambição desta equipa. Eu acho que o Arouca, na minha opinião, pelo que eu estou a ver, embora estejamos no princípio, pode ser uma coisa já muito espontânea, eu diria que o Arouca pode ser a grande surpresa neste campeonato. E quando eu digo que pode ser a grande surpresa, estou-me a referir a seguir aos quatro grandes, onde está, claro, o Porto, o Sporting, Benfica e o Sporting Braga, poderá ser aquela equipa que vai ficar no quinto lugar.

Resta saber o que foi pra ti, Augustinho Inácio, antes de fecharmos em nota positiva, o que foi o pior esta noite no Dragão, entre Porto e Arouca?

Sinceramente, eu acho que o pior que este jogo teve foi a forma como o Porto desperdiçou as oportunidades que teve e por isso mesmo retardou a marcação do primeiro gol, que só aconteceu na segunda parte, mas acho que o Porto podia ter feito muito mais nesse sentido na primeira parte.

E pra fechar, o que foi o melhor esta noite no Dragão?

Arruá-Barrena. Como é que é?

Arruá-Barrena.

Arruá-Barrena.

Temos que treinar os vários...

Exato, Arruá-Barrena. Eu acho que os nossos ouvintes estão-

Pelo menos o Coro Xaraxilo já se lembra do Sporting.

Não é isso. Os nossos ouvintes estão também a querer dizer o que nós vamos aqui dizer. Eles também vão chegar lá também. Diria que o guarda-redes do Arouca foi o melhor jogador em campo e que a vitória do Porto é indiscutível.

Augustinho Inácio, está feito e entregue mais um relatório de jogo aqui na Rádio Observador. Acompanhamos o Porto 2, Arouca 0. Vamos ouvindo Augustinho Inácio em análise nas partidas que aqui acompanhamos, mas também com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto, nas mais diversas edições de O Campeão É, aqui na Rádio Observador. Augustinho Inácio, um bom descanso, bom resto de domingo. Um grande abraço.

Um grande abraço também.