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É o relatório de jogo com Mário Cajica, fica também disponível através do podcast da Rádio Observador. Mário, mais uma vez bem-vindo. Agora sim, para falar um pouco mais a fundo daquilo que aconteceu, uma vitória importante do Porto perante Estoril Praia. Um Porto que entrava pressionado, obviamente. O Benfica ganhou, o Braga ganhou e o Sporting também já tinha ganho. Primeira parte, o Porto entra forte, acaba a empatar o jogo, curiosamente, no período em que menos esteve tão bem na partida.

Sim, eu gostei muito da análise do Ian Catrou ao jogo. Há algumas questões com as quais eu não concordo, outras concordo, isto falando da Flash, mas há ali uma expressão que é expressiva daquilo que foi o jogo. O jogo teve, de facto, muitos momentos, e momentos em que o Estoril começou a ganhar algum protagonismo na partida, o Futebol Clube do Porto ganhou depois noutros momentos e estivemos constantemente nesta luta pela supremacia durante a partida e foi muito interessante de assistir. E isto é mérito também para a forma como o Estoril se apresentou em campo, com alguma ambição, mesmo tendo pela frente o Futebol Clube do Porto. Isto não é novo, não aconteceu hoje. Está a acontecer com o Ian Catrou e, de facto, é assinalável. E em relação à partida, vamos olhar de forma bastante clara para todos estes momentos. O Futebol Clube do Porto, na minha opinião, entra melhor no jogo e consegue manobrar bem a equipa do Estoril, principalmente aquela linha defensiva mais alta, através de duas, três bolas nas costas da linha defensiva. E há ali momentos em que o Futebol Clube do Porto tem a oportunidade para marcar e até tem um golo anulado. E de facto, surge o golo do Estoril no momento em que a equipa nem estava tão bem. Mas surge também porque tem essa linha defensiva mais alta, que permite ter naturalmente mais unidades, mais perto e mais próximas da grande área da baliza defendida pelo Diogo Costa. E é por aí que naturalmente surge essa bola que vai para a grande área e depois ao tal braço na bola do Iván Marcano. E aí o Estoril coloca-se em vantagem e eu acho que o Estoril reage bem ao golo que marca, ou seja, a equipa baixa, aí sim, aquela linha defensiva mais subida, coloca-se naquele patamar de expectativa e o Futebol Clube do Porto começa a circular, mas sem grande objetividade, sem grande capacidade para desmontar a equipa do Estoril, isto falando da primeira parte. Falámos até durante o jogo que praticamente só poderia surgir o golo de duas formas: ou um rasgo ali do Mora ou do Fábio Vieira, ou de uma bola parada. É de bola parada, há o penalti e o Porto consegue o empate e vai o jogo empatado para o intervalo. Na segunda parte, e de forma muito sucinta, há que destacar, e eu quero ressalvar isso, aquela mudança do sistema tático do Ian Catrou, que eu acho que baralhou um bocadinho as contas do Futebol Clube do Porto e há mérito para a forma como o Ian Catrou lê o jogo aí e percebe que pode gerar algum desconforto, com maior liberdade para o João Carvalho pela zona interior. O Marquês também cai na zona defensiva e troca um bocadinho as marcações do tridente defensivo do Futebol Clube do Porto. Mas o Futebol Clube do Porto, e aí vamos ao último momento, reage bem também a isto. O Futebol Clube do Porto consegue perceber pouco a pouco, com e sem bola, o adversário que tem novamente pela frente, um adversário já com uma linha de quatro, já não com a linha de três, um adversário que estava mais exposto nos corredores e a partir do momento em que se gera a dinâmica com o lance de génio do Rodrigo Mora com o golo, o Futebol Clube do Porto marca o 2-1 e, na minha opinião, depois faz uma boa segunda parte, fecha o jogo, controla a partida e ganha com mérito.

Então, para fechar muito rapidamente também, porque disseste.

Estendi-me aqui um bocadinho.

Não, foi uma leitura perfeita. O pior do jogo, já agora.

Vou tentar individualizar aqui algumas opções de um lado e do outro. Do lado do Estoril, hoje desiludiu um bocadinho o Gitane, acho que esteve pouco em jogo. Não conseguiu afirmar-se ali na frente. Também acho que houve pouca bola na frente, mas foi um jogo mais discreto do Rafik Gitane. Do lado do Futebol Clube do Porto, coloco o Pepe na unidade que eu esperaria um bocadinho mais. Não conseguiu afirmar-se 100% no jogo e, portanto, de um lado e do outro, coloco aqui uma unidade como o fundo da partida.

E o melhor?

O melhor, acho que não há grandes dúvidas. Rodrigo Mora, um lance de génio, um golo fantástico com a assistência do Francisco Moura. É o segundo jogo consecutivo a marcar, está em ponto rebuçado, é um jovem com talento extraordinário e é um lance de génio que acaba por desmontar a defensiva do Estoril, que faz o 2-1 e dá esse triunfo ao Futebol Clube do Porto. Mas um talento que está aqui para ficar e Roberto Martínez estava na bancada e é bom que tenha visto bem o talento que tem ali à disposição, porque, de facto, é um jogador que, isto não vamos olhar para a idade, vamos olhar para o talento, se não é o melhor jogador do Futebol Clube do Porto, anda lá perto e merece claramente a seleção.

Relatório de jogo com Mário Cajica, fica também disponível através do podcast da Rádio Observador.