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É para lá que vamos em direto. Nadine Soares, neste pavilhão estão a ser recebidas pessoas que estão em grandes dificuldades e com grandes preocupações.

Sim, este centro de acolhimento de Santarém começou agora a acordar. As luzes já acenderam, mas a grande maioria das pessoas continua a descansar. Estou agora mais perto da zona exterior deste pavilhão, precisamente para respeitar esse descanso. Foram adaptadas camas e colchões para as 37 pessoas que aqui estão. Há comida distribuída numa mesa, num canto do pavilhão, doada pela população e recolhida pelos bombeiros da Proteção Civil. Falamos de pão, água, bolachas. Algumas pessoas a esta hora também já começam a utilizar os balneários deste pavilhão para fazer a higiene pessoal. Além do segurança que se encontra na porta do pavilhão, a única pessoa que vigia as pessoas neste momento é Vanessa Domingos, enfermeira da Unidade Local de Saúde de Santarém, que é especialista em saúde mental e que passou aqui a madrugada, colocou férias para ajudar. Defende, por isso, que a atual situação merece um especial cuidado, especialmente porque a maioria das pessoas que aqui se encontram são idosos com algumas doenças, do ponto de vista do foro mental, e também algumas crianças, e daí essa decisão de Vanessa Domingos e de outros enfermeiros que ainda vão passar por aqui, de colocar férias para vir ajudar.

A situação que as pessoas estão a viver, de sair das suas casas de uma forma abrupta, deixando os seus pertences, e chegam aqui, saem da sua rotina, do seu espaço, ficam mais ansiosas e têm aqui comportamentos relacionados com isso e picos hipertensivos que têm de acabar por ser medicados. Tivemos uma médica em regime voluntário, eu também estou em regime voluntário, e ela acabou por fazer aqui planos terapêuticos para estas pessoas e ficou de chamada. Acabei por contactá-la algumas vezes durante a noite.

Pessoas medicadas e com algumas dificuldades financeiras, é a situação da grande maioria das pessoas que aqui se encontra. Ainda assim, os voluntários esforçam-se para tornar este espaço um pouco mais agradável, especialmente para as crianças e bebês que aqui se encontram.

Quando percebemos que haveria crianças, trouxemos brinquedos, eles andaram aqui a brincar e correr durante o serão. Jantaram bem, dormiram toda a noite. Temos aqui dois bebês. Não houve choros, tudo tranquilo. Tivemos de fazer aqui algumas adaptações nas camas, porque os bebês queriam dormir com os pais e estas camas são muito estreitinhas. Tivemos que pôr aqui uns colchões, mas tudo se resolveu.

O relato de Vanessa Domingos, enfermeira que esteve responsável pelo turno da madrugada, explicava também que, além destas pessoas, os outros desalojados destas cheias do Rio Tejo, de localidades como Caneiras e Ribeira de Santarém conseguiram ir para casa de amigos ou até mesmo hotéis, e por isso as pessoas que aqui se encontram são pessoas com maior dificuldade financeira. Para já, até o próximo enfermeiro voluntário chegar, Vanessa Domingos faz a esta hora a ronda pelas camas e colchões para passar a medicação da manhã a estas pessoas e também começar a distribuir os pequenos-almoços, isto numa altura em que também já se começa a ouvir os pingos da chuva a bater no teto deste pavilhão