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No último discurso enquanto chefe de Estado no Parlamento, Marcelo Rebelo de Sousa recuou na história.

D. Pedro já falava do despovoamento, da imigração, da lentidão da Justiça, do gasto das finanças públicas e privadas. E nesse rol, sublinhava o grande trunfo português: a temperança, a moderação. Isto foi há 601 anos.

Os problemas de hoje têm mais de 600 anos e, no fim, entre o passa-culpas de uns e de outros, Portugal saiu mais forte.

Depois discutiu-se quem ganhou mais, quem ganhou menos, quem perdeu mais, quem perdeu menos. A pátria ganhou, certamente.

O Presidente da República a tentar apontar o chão comum perante um Parlamento dividido na forma de assinalar a data, como dá conta o deputado do PS, Marcos Perestrello.

A maneira ilegítima como o governo, com a maioria que o apoia, quer apropriar-se do 25 de Novembro, constitui mais uma ação de subordinação à extrema-direita saudosista.

E à direita, há quem queira comemorar sob várias formas.

Rua Otelo Saraiva de Carvalho, ou Rua Che Guevara, ou Rua Álvaro Cunhal. Talvez seja dia, e no que depender de mim acontecerá mesmo, de nós acabarmos com todas estas ruas pelo nosso país. Todas!

Já para Pedro Alves, do PSD, o 25 de Novembro soube mostrar a capacidade de reconciliação nacional, integrando os vencidos.

Foram perdoados e socialmente reintegrados. Ensinam em universidades, são deputados neste Parlamento. Tivessem eles vencidos, estaríamos nós no Campo Pequeno.

A Iniciativa Liberal lamenta os que resistem a comemorar a data, enquanto do LIVRE, Jorge Pinto aproveitou o palco para recusar reinterpretações da história.

Não contem, pois, com o LIVRE para alimentar esta guerra cultural que a direita quer fomentar com o 25 de Novembro.

Críticas que Mariana Mortágua repetiu de forma quase semelhante. Já o CDS, que há vários anos propõe esta sessão, aproveitou para um pedido de desculpas.

Quero pedir desculpa a todas as pessoas que foram vítimas das arbitrariedades, do mando e do desmando revolucionário.

Uma cerimônia em que Filipe Sousa do JPP lamentou repetição de erros semelhantes ao fim de 50 anos e Inês de Sousa Real criticou as trincheiras cavadas pela extrema-direita no Parlamento. Já o PCP voltou a faltar à sessão, como deu também conta ao presidente da Assembleia, José Pedro Aguiar Branco.