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Se apenas dois partidos garantem a viabilização do orçamento, Luís Montenegro sabe que entre os restantes, as portas estão fechadas, com exceção da Iniciativa Liberal, que ainda assim deixa avisos.
Neste momento, o estado da nação é o estado dos planos. E já agora, senhor primeiro-ministro, e aí vou lhe dizer que perdeu claramente, houve até quem apresentasse um plano para dois aeroportos e o senhor só apresentou um. Portanto, veja bem como esta coisa dos planos funciona. Senhor primeiro-ministro, não basta apresentar planos, é preciso depois concretizá-los e é preciso que os planos sejam bons. Eu não quero fazer oposição destrutiva.
Rui Rocha deixa a porta entreaberta. Já Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, que já rejeita por completo o futuro orçamento, apontou o dedo às políticas do governo.
É um governo de ganância, é um governo que governa para a ganância e o estado da nação é só o trailer do que vai acontecer no Orçamento do Estado.
Críticas partilhadas também pelo PCP. Paulo Raimundo cita o próprio Luís Montenegro e diz que o governo está a favorecer os grandes grupos económicos.
Como afirmou o senhor primeiro-ministro, palavra dada é palavra honrada e aí está a medida das medidas, a descida do IRC. Uma opção sua, ao serviço dos grupos económicos e que custará ao país nos primeiros quatro anos, caso ela avance, quatro mil e quinhentos milhões de euros.
A esquerda não ficou sem resposta. O primeiro-ministro rejeita as acusações e partiu ao ataque.
Até podem concluir que elas podem não atingir os resultados que nós queremos. Agora, dizer que nós governamos para os ricos? Srs. deputados, tenham vergonha, sinceramente, tenham vergonha.
Num debate focado, sobretudo, na política nacional, Rui Tavares, do Livre, apontou o dedo à ausência das causas internacionais do discurso de Luís Montenegro.
Perante uma guerra no continente, não houve a palavra Ucrânia no seu discurso, não houve a palavra Palestina no seu discurso. Por favor, Sr. primeiro-ministro, não passa apenas por ter alguém num cargo de topo da União Europeia.
Apesar das críticas, o foco foi mesmo o atual estado da nação, com os olhos postos no próximo orçamento do Estado.