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Às 8h da manhã, a festa ainda continuava. O cheiro a sardinha e cerveja ainda se fazia sentir. E o sabor da vitória, diz Nuno Soares, organizador da Marcha da Madragoa, é especial.
É muitos anos a tentar o objetivo, que não conseguimos, e finalmente conseguimos. Depois de um ano, em 2019, de uma má prestação, uma das piores de sempre da nossa marcha, este ano voltámos muito mais fortes e estamos em primeiro lugar.
Uma posição que é agora festejada, para já, sem fim à vista.
A intenção é a festa continuar o dia inteiro, até amanhã, de certeza.
Nuno Soares, organizador da marcha vencedora, explica também uma das particularidades dos marchantes da Madragoa: desfilam descalços.
Nós somos descendentes todos de varinas e pescadores. Como tal, as varinas e pescadores estão na bota descalços, não entravam pro mar calçados. Por isso é que é tradição, descalço e de saravira.
Tradição que volta a ser distinguida nas marchas populares de Lisboa. O ensaiador da Marcha da Madragoa, João Medeiros, também fala numa conquista especial.
Eu entrei na marcha durante 11 anos, desde 2008 até 2018, e o meu sonho sempre foi ganhar. Eu sempre ouvi as histórias de Madragoa, como é que foi festejar o último título, em 94, e agora eu fazer parte dessa experiência de ganharmos um título, tem um sabor muito especial.
28 anos depois, o troféu de melhor marcha em Lisboa regressa ao bairro da Madragoa. A festa, essa, fez-se por largas horas, já depois de nascer o sol.