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1937, Cedofeita. A 28 de dezembro, numa família da alta burguesia, nascia Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa. Foi no Dia dos Santos Inocentes, como gostava de sublinhar, mas cedo a inocência deu lugar à traquinice. Aos 10 anos, vai pro Colégio Interno das Caldinhas, em Santo Tirso, mas é expulso. Não era um aluno dedicado. A dedicação aí já era outra: o Futebol Clube do Porto. Mais tarde, em 1962, com 25 anos, torna-se chefe da secção de hóquei em patins do clube. Em 67, passa pro boxe, onde conhece o braço direito, Reinaldo Teles, que era pugilista. Em 76, chega a diretor do futebol, em dupla com José Maria Pedroto, Mestre, e só em 82 chega à presidência. E o resto, o resto é história.
O cruzamento, gol! Gol, gol, gol! Atira, gol!
Foram vitórias atrás de vitórias, troféus atrás de troféus. O de maior relevo chegou logo cinco anos depois de chegar à presidência. Em 87, o Futebol Clube do Porto era campeão europeu pela primeira vez e, em 2004, duplicava o feito com o Mourinho e ainda conseguiu duas Taças UEFA e duas Intercontinentais. A juntar aos 30 títulos de campeão nacional, às taças internas e a uma Supertaça Europeia, o Futebol Clube do Porto ganhou, com Pinto da Costa, 69 títulos no futebol. No total de todas as modalidades, conseguiu mais de 1300 troféus. Uma presidência recheada em títulos, mas também polêmicas.
Vem a caminho do pavilhão do Futebol Clube do Porto a GNR com o pretexto de que estará aqui uma bomba. Se estiver aqui uma bomba, eu espero que ela expluda.
O centralismo foi um elemento presente no discurso de Pinto da Costa, que não foi só polêmico nas palavras. Na Justiça, foi arguido em vários casos, mas o mais midiático chegou em 2004. O Apito Dourado, um dos maiores escândalos desportivos em Portugal, em que foi absolvido. Mais tarde, voltou a ser implicado pela Justiça e chegou a ser arguido na Operação Fénix, em 2017, mas acabou por ser absolvido nas alegações finais. Salvou-se da Justiça, mas não de um escrutínio cada vez mais apertado pelos sócios do Porto. Numa campanha quente, André Villas-Boas conquistou os sócios do Futebol Clube do Porto e Pinto da Costa caía com estrondo. Não chegou sequer aos 20% da votação. Ainda assim, manteve-se azul até ao fim, o título do livro onde quebrou o silêncio, e já a pensar numa despedida.
Eu serei do Porto até o fim, até o meu último dia. E quer dizer também lembrar a toda a gente que todos temos um fim.
Esse fim chega agora aos 87 anos, mas com um legado que é eterno. O presidente mais titulado da história do desporto deixa um vazio na cidade invicta, numa vida cheia e sempre com uma certeza: sabia o caminho para onde ia.
Não sei para onde vou, não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí.