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É na Quinta da Tomada, na Venda do Pinheiro, que a Comunidade Vida e Paz ajuda a reconstruir vidas. Que o diga Paulo Santos, de 61 anos, utente do centro de reabilitação.
Se não fosse a Comunidade Vida e Paz, não estaria aqui. A vida de consumo só leva a prisões, hospital ou morte.
O passado à adição é comum a muitos dos utentes que são ajudados pela Comunidade Vida e Paz e há vários casos de sucesso. João Miguel Pereira, 53 anos, explica o que faz a diferença neste centro: a forma humana como tratam as pessoas.
Eles começam logo por esse pequenino e grande passo, que é o abraço, saber o que é dar o abraço, o sentir o abraço. E a gente a partir daí começa a sentir: alguém se importa conosco.
Paulo Santos e João Miguel Pereira viram-se na situação de sem-abrigo nos últimos anos. Agora ajudam utentes em recuperação na comunidade. É o caso de Fernando Antunes, de 63 anos.
Tenho que reconstruir a minha vida. A comunidade não me deixa desacreditar, tem feito um trabalho excelente comigo e com centenas de outras pessoas.
O otimismo é partilhado por muitos dos que todos os dias ambicionam uma vida melhor. São cerca de 90 os utentes na Quinta da Tomada. Muita gente para alimentar numa altura em que os donativos são cada vez menos.
Nós tivemos uma altura em que tivemos que comprar arroz, que era um bem alimentar que nunca tínhamos que comprar. Estamos a falar de percentagens, por exemplo, 85% de decréscimo. É um impacto muito grande.
As comparticipações do Estado para cada utente foram recentemente atualizadas. Valor insuficiente, diz Rita Rocha, diretora do Centro da Comunidade Vida e Paz, na Venda do Pinheiro.