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Chegou há minutos um autocarro de refugiados ucranianos à cidade de Braga. Ao todo são 44 pessoas que chegaram agora ao país e que vão ficar temporariamente num hotel junto ao Santuário do Sameiro. A acompanhar estes cidadãos da Ucrânia, veio também uma equipa de profissionais e voluntários que prestou cuidados médicos e também serviços logísticos para a viagem. Junta-se agora a nós o presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, ele que esteve presente nessa receção. Muito boa noite, senhor presidente.

Muito boa noite.

Ricardo Rio, começo por perguntar como é que foi esta receção. Como é que vinham estas pessoas neste autocarro aqui para Braga?

Naturalmente cansadas. Foi uma viagem relativamente exigente, na medida em que eles partiram da Polónia, no local onde foram recolhidos no início da manhã de sábado e, portanto, acabaram por fazer a viagem até bastante mais depressa do que estava inicialmente planeado, o que obviamente acarreta para o perfil das pessoas que estavam a ser transportadas, uma exigência acrescida, porque estamos a falar de muitas crianças, de muitos menores, de algumas pessoas de idade. Três das cidadãs ucranianas têm mais de 65 anos e naturalmente que isso se reflete nesse cansaço natural, mas obviamente também ao mesmo tempo, com os ecos que fomos recebendo durante a viagem dos nossos colaboradores, com muita expectativa e com muita satisfação por poderem vir para um porto de abrigo durante esta fase tão difícil do seu país.

Doutor, não sei se já conseguiu mesmo falar com alguém ou não, mas notou esse alívio a partir do momento em que as pessoas saíram do autocarro?

Sim, sem dúvida. Obviamente que aqui, com essa expectativa acrescida de verem um ponto com outro conforto para os receber, nesta fase ainda de forma transitória, porque muitas destas famílias já têm sinalizados locais de destino no nosso país, junto de amigos e familiares que já cá residem, em Braga e noutras localidades, mas também, obviamente, para aqueles que não têm esse acompanhamento, com a garantia que lhes foi prestada desde a primeira hora, de que iríamos assegurar essa mesma integração a diversos níveis, não só do ponto de vista da habitação, mas também depois, numa fase subsequente, ao nível do emprego e de outros bens materiais que possam necessitar nesta fase de adaptação.

Aproveito para perguntar sobre essa questão do emprego, que tipo de postos de trabalho é que já estão disponíveis para estas pessoas e também quantos postos de trabalho é que já estão disponíveis?

Eu diria que só nestes últimos dias, em todas essas diferentes áreas de disponibilidade, desde locais para as receber, até oportunidades de emprego, até uma iniciativa que o município desenvolveu e que imediatamente recebeu respostas positivas de muitos cidadãos e instituições de apadrinhamento, por assim dizer, de alguns destes indivíduos e durante este período, em termos de algumas necessidades básicas que possam ter. Houve muita disponibilidade e nós diria que já temos algumas dezenas largas, senão centenas mesmo, de ofertas de oportunidades de emprego para estas pessoas, que são de áreas muito diversas, ora de serviços comerciais, de hotelaria, de restauração, da agricultura, até engenharia, aos sistemas de informação. Temos de facto perfis muito diversos que agora vão ser compatibilizados com o perfil das pessoas que estamos a receber e que vamos estudar ao longo dos próximos dias.

Haverá, portanto, essa disponibilidade. E pergunto mesmo se já há planos para trazer mais cidadãos ucranianos para a cidade de Braga.

Nós já recebemos vários outros pedidos. Não temos ainda nenhuma nova operação desta natureza montada nesta escala, mas hoje mesmo já recebemos disponibilidades, inclusivamente de alguns cidadãos para irem com carrinhas de menor dimensão para recolherem pequenos grupos que estão sinalizados e que poderão vir a ser transportados nos próximos dias também.