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Os combustíveis vão voltar a aumentar na próxima semana, a gasolina 16 cêntimos e o gasóleo 15 cêntimos por litro. Queríamos saber qual é que é a reação da ANTRAM a esta subida.

A ANTRAN olha para este aumento, que é aliás o maior valor de sempre em Portugal. E por isso é com muita apreensão e preocupação que um sector que representa várias dezenas de milhares de postos de trabalho, a ANTRAL representa mais de duas mil empresas, olha para uma rúbrica que representa cerca de 30% a 40% do custo total que estas empresas têm para subir para valores astronómicos. Eu devo dizer que os apoios na segunda vaga, portanto nós, a ANTRAM está a avaliar se isto é ou não uma terceira vaga decorrente da guerra do Médio Oriente que aí vem, mas na segunda vaga aquilo que o governo lançou como apoios, nomeadamente o pós-ticipar do pagamento da Segurança Social, o que permite a estas empresas ter uma tesouraria melhor na sua gestão diária, foi uma medida muito importante. E, portanto, a ANTRIM mantém-se muito atenta, em diálogo permanente com o Governo, que tem acomodado estas preocupações à ANTRAN, e é portanto com muita preocupação que olhamos para este aumento brutal nesta segunda-feira, com impacto imediato nestas transportadoras. Eu quero recordar que estas transportadoras relativamente àquilo que era a sua vida há cerca de um ano e meio antes da guerra começar, algumas transportadoras das maiores, para fazermos cálculo relativamente fácil de compreender para toda a gente perceber, as empresas compravam um milhão de litros de gasóleo por um milhão de euros, com o apoio do gasóleo profissional. E hoje compram um milhão de litros de gasóleo por dois milhões de euros mensalmente. Portanto, isto é um aumento de 100% numa rubrica que representa 30% a 40% dos custos destas empresas e que mal comparado, vimos agora as cotadas em bolsas de transportadoras aéreas que apresentaram todas prejuízos de dezenas, algumas de centenas de milhões de euros e cuja justificação foi esta, do momento preço do combustível. Ora nas transportadoras isto não é diferente num setor que tem uma importância vital para a economia e que naturalmente terá disrupções se esta situação se mantiver por muito mais tempo porque as empresas não terão naturalmente capacidade para aguentar. Adicionalmente, a ANTRA gostava de sublinhar que o governo espanhol prepara-se com grande grau de certeza para manter um apoio extraordinário a este sector, o que faz com que o combustível seja muito mais barato em Espanha do que em Portugal e isso terá naturalmente impacto na competitividade das empresas. As empresas espanholas hoje serão mais competitivas do que as portuguesas e isso tem obviamente uma consequência muito negativa para este sector e para este mercado.

Portanto, o nosso governo não está a fazer o suficiente, não está a tomar as medidas necessárias?

Repare, a ANTRAN saúda o governo por nesta segunda vaga, vamos perceber se temos entrar numa terceira vaga, ter acomodado algumas medidas, nomeadamente esta que resublinhei, que é o pôs participar durante três meses das contribuições para a segurança social, que é uma grande ajuda para a tesouraria dessas empresas. Mas se isto for uma terceira vaga, como tudo indica que será manifestamente insuficiente para a situação que vivemos, como aliás outros governos já estão a perceber, nomeadamente o espanhol.

E podemos esperar com estas dificuldades todas que as empresas de transporte aumentem os preços cobrados aos seus clientes, por exemplo?

Parece-nos inevitável que uma empresa que tem sofrido nos últimos anos e meio incremento abrupto, porventura o maior de sempre de uma rubrica tão importante, que tenha uma de duas vias, ou aumenta em muito a sua carteira de clientes ou aumenta o preço que tem e isso obviamente terá, parece-nos evidente que resulta da economia e dos livros de Economia, impacto na cadeia seguinte. E isso obviamente se não acontecer, se estas empresas não tiverem capacidade para repercutir este aumento brutal de custos nos seus clientes, isto terá obviamente efeito de corrupção no mercado de abastecimento.

Pode haver também aqui o risco de as empresas diminuírem a atividade ou deixarem de fazer determinadas rotas, também é uma possibilidade?

Isso já aconteceu. Já aconteceu no passado, está a acontecer agora. Muitas dessas empresas não estão a conseguir suportar este aumento brutal de custos que estão a ter e portanto isto comme costumamos dizer, é obviamente sofrimento silencioso, mas que está a acontecer diariamente. E se não olharmos para este setor com muita atenção, passaremos rapidamente a ter empresas que não terão capacidade para se manter à tona e que serão obviamente objeto processo insolvência e passarremos de ter empresas que pagam salários para empregados que estão no subsídio de emprego cujo pagamento será suportado pelo Estado.