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Não sabemos se haverá condições ou não. Em termos de UGT, o que lhe posso dizer é que só no dia 23 de setembro, quando fizermos o nosso triátio nacional, é que iremos decidir quanto ao valor do salário mínimo que iremos reivindicar para o ano de 2021. Mas espero que haja condições para haver aumento de salário mínimo, até porque, como sabe, o aumento do salário mínimo impulsiona a subida de salários, que também é fundamental para a retoma econômica que se necessita para fomentar o consumo interno. E por isso nós entendemos que há condições para aumentar o salário mínimo. Iremos fazer no dia 23 de setembro a nossa proposta ao governo e depois entrar na discussão. Para já, ainda consideramos que é cedo para discutir essa matéria. Até porque ainda há legislação que está a ser produzida, acertos que estão a ser feitos, etc. Portanto, em setembro, na chamada rentrée, teremos o nosso valor, mas continuo e reafirmo, para a UGT, tem de haver condições para o ano haver aumento do salário mínimo, independentemente do valor a que se chegue a consenso ou não.

E há sempre a velha questão: o aumento do salário mínimo pode causar realmente o aumento do consumo, mas há empresas que podem não aguentar financeiramente. Como é que acha que as empresas vão reagir a isto?

O que eu lhe posso dizer agora é fazer uma análise daquilo que foram estes últimos anos. Nós também tivemos uma crise, não destas dimensões, mas tivemos uma crise muito forte quando foi da Troika, em 2011, e até a própria Comissão Europeia, na altura, dizia que aumentar o salário mínimo poderia provocar um hecatombe, falência de empresas, despedimento, desemprego, etc. Nada disso se verificou. A UGT, desde 2011 para cá, no período da Troika, assinou alguns acordos relativamente ao aumento do salário mínimo e todos os receios que agora estão outra vez em cima da mesa não se verificaram. Obviamente, que não estamos a pedir, não iremos pedir um aumento para 850 ou para 900 €. Não é nada disso que se trata. Tem que ser um aumento adequado que a economia corresponda e consiga perfeitamente absorver. Eu não lhe posso agora dar valores, como digo, não estou habilitado a isso, uma vez que temos que fazer a discussão nos nossos órgãos internos, mas certamente a UGT irá apresentar um valor que seja comportável com a economia, até porque para 2021, como sabe, já se prevê uma certa recuperação econômica e isso é importante.

E o Bloco de Esquerda já fez saber que esta proposta tem de avançar na mesma. Os patrões nem põem isso como opção, muitas vezes. Em que lado da barricada é que acha que o governo de António Costa vai ficar?

O governo de António Costa tinha calendarizado o aumento do salário mínimo para atingir, salvo erro, estou a falar de memória, mas parece-me que era os €750 em 2023. Ou seja, no final da legislatura. A UGT até dizia, quando o governo divulgou esta vontade de aumentar o salário mínimo gradualmente até aos €750 em 2023, nós dissemos pelo menos €750. Ou seja, ao colocar a expressão pelo menos, queríamos dar sinal que poderia ser um pouco mais, caso a economia correspondesse a essa perspectiva. Portanto, eu acho que o governo está comprometido, pelo menos, e depende do governo, mas terá que, na nossa ótica, tentar cumprir aquilo que fazia parte do seu programa. Foi com esse programa que foi eleito. Agora, independentemente do valor a que se chegar, ele irá ser discutido em concertação social, tenha certeza, porque como sabe, o salário mínimo apenas obriga os parceiros sociais a darem parecer. O governo apenas ouve os parceiros sociais. Depois, compete ao governo determinar o aumento. Obviamente que o governo quererá sempre que, seja qual for o aumento, haja acordo não só em sede de concertação social com os parceiros sociais, mas também, se possível, com os partidos políticos em sede de Assembleia da República. Mas se não houver acordo nem num lado nem noutro, competirá ao governo determinar o valor do aumento.