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Ninguém melhor, nesta altura, para falar sobre os impactos desta greve que não o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira. Bom dia, em direto para a Rádio Observador. O Primeiro-Ministro disse ontem estar convicto de que a maioria dos portugueses que trabalha vai trabalhar hoje. Eu pergunto-lhe: o que é que espera a CGTP?
Para começar, acho que a CGTP e qualquer trabalhador espera é mais humildade por parte do Primeiro-Ministro. O Governo, ao longo destes dez meses, tem mostrado uma profunda arrogância e prepotência na condução deste processo. E as palavras do Primeiro-Ministro ontem, em vez de se preocupar com o fato de, na sua legislatura, esta ser a segunda greve geral, e em vez de se preocupar com as razões que trazem os trabalhadores para a rua, para a luta, para assumir mais um momento de luta, o Primeiro-Ministro sai-se com coisas que demonstram falta de humildade. E aquilo que traz os trabalhadores à luta é exatamente derrotar o pacote laboral. Repare que recentemente saíram três sondagens, nenhuma delas foi pedida pela CGTP. E as três sondagens dizem exatamente a mesma coisa: a maioria dos trabalhadores, a maioria da sociedade, rejeita este pacote laboral, não quer este pacote laboral. Estamos a falar de medidas profundamente negativas para os trabalhadores. E a adesão à greve, durante esta noite, demonstra exatamente a disponibilidade dos trabalhadores para a luta. Nós, neste momento, durante a noite, temos alguns dados que nos dão nota de hospitais e unidades locais de saúde que estão a funcionar apenas com serviços mínimos, recolha de resíduos urbanos na maioria dos distritos está 100% de adesão à greve. Portos de Setúbal e Sines estão encerrados. Transportes como a Grande Azão, o Metro de Lisboa, Transteis Soflusa, a CP, o setor rodoviário de passageiros, o setor aéreo com forte impacto na adesão à greve e no setor da indústria, aquelas empresas que trabalham à força dos turnos durante a noite, podemos dizer que estamos com adesões de 100% ou, em muitos casos, com a produção parada. Esta é a realidade daquilo que é a vontade dos trabalhadores de derrotar este pacote laboral. E, portanto, está aqui demonstrado que se o Primeiro-Ministro e se este governo não quer perceber aquilo que é a vontade dos trabalhadores, os trabalhadores irão levar até o Primeiro-Ministro a sua visão, a sua luta, a sua vontade e o seu acreditar que é possível derrotar este pacote laboral.
Ao contrário da greve do final do ano passado, a UGT não aderiu desta vez. Falou com o secretário-geral da UGT, está incomodado com esta situação?
Não, nem de perto nem de longe. Não tenho nada que estar incomodado. Tenho a certeza de uma coisa: todos nós queremos derrotar o pacote laboral. Não tenho dúvidas disso. E continuo a acreditar nisso. Aquilo que posso dizer é que a CGTP entendeu e entende que a única maneira de derrotar o pacote laboral é dando voz aos trabalhadores, é proporcionando aos trabalhadores o momento certo para os trabalhadores se fazerem pronunciar. E esse momento é através da luta, porque é a única forma que temos.
Mas não esperava uma posição mais firme da UGT nesta altura?
A UGT decidiu seguir o caminho que decidiu seguir. Nós temos dito isto desde o início. Cada um irá, no fim, responsabilizar pelo caminho que segue. Sempre com um objetivo, e continuo a afirmar isto, porque acredito que todos nós queremos derrotar este pacote laboral. A questão aqui é, da parte e da visão da CGTP, nós só o vamos conseguir derrotar com a força dos trabalhadores, com o pronunciamento dos trabalhadores, criando aos trabalhadores o momento certo e as condições certas para trazerem para a rua aquilo que são os seus descontentamentos, aquilo que são as suas dificuldades, mas também trazer para a rua as suas reivindicações. E obviamente, este é o momento certo para que os trabalhadores possam trazer para a rua aquelas dificuldades que já sentem no dia a dia, mas também é o momento certo para se exprimirem no sentido de mostrar, mais uma vez a este governo, que nós não queremos o pacote laboral.
É uma discussão que continua, de facto, na ordem do dia e daquilo que tem visto, qual é a expectativa em relação ao documento no Parlamento?
A nossa visão é muito simples: nós queremos evitar, e a luta de hoje diz isso mesmo, nós queremos evitar que esse processo tenha seguimento. O que nós exigimos do governo é que retire já o pacote laboral. É isso que a gente exige do governo, é que retire já o pacote laboral. Porque nós conhecemos, obviamente, a realidade da Assembleia da República e aquilo que nós estamos e vamos procurar fazer é derrotar o pacote laboral mesmo antes de todo esse processo, mas também, obviamente, condicionar a posição dos partidos políticos na Assembleia da República, relativamente ao seu posicionamento sobre o pacote laboral. Será a luta dos trabalhadores a definir isto, será a adesão dos trabalhadores, será a vontade dos trabalhadores, será a expressão dos trabalhadores que irá definir todo o processo. E portanto, aquilo que nós queremos é derrotar já o pacote laboral. O pior que podíamos fazer era permitir que o tempo passasse, que as coisas se concretizassem e depois de elas se concretizarem, irmos a correr atrás do prejuízo. Isso era o pior que podíamos fazer. E portanto, o nosso entendimento é que é agora. O documento deu entrada na semana passada na Assembleia da República, o documento já ontem, penso que foi ontem, que já deu início à discussão pública. Portanto, isto demonstra uma coisa, demonstra que a CGTP, desde o início, tinha razão em avançar com o dia de hoje para a concretização do momento superior de luta dos trabalhadores, porque é agora que temos que combater, é agora que temos que ir à luta, é agora que nos temos que afirmar. O pior que podíamos cometer, e volto a repetir, era permitir que isto fosse discutido e só depois avançássemos para o combate. É agora que a gente vai combater.