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Está conosco agora, em direto neste jornal, Jorge Vala, que é o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, que no sábado pediu precisamente a intervenção do Presidente da República para prolongar esta medida. Jorge Vala, bom dia. Teve alguma resposta por parte de Marcelo Rebelo de Sousa e já agora, também do Governo?

Não, infelizmente não tivemos. E, portanto, aparentemente, hoje, quem circula na A8 e na A19, nomeadamente nestas duas, que são aquelas que nós solicitamos a continuação da isenção, as pessoas já estão a pagar. E por que é que solicitamos a isenção? Precisamente porque estes dois troços de estrada nacional, a 242, que liga Marinha Grande a Leiria, e a IC2, que liga Porto de Mós, Batalha a Leiria, são estradas que se mantêm muito condicionadas, seja por intervenções na estabilização de taludes, seja pela reposição de pavimentos e bermas, seja devido a operações de remoção de resíduos florestais, na sequência da tempestade. E as Infraestruturas de Portugal dizem-nos que só em junho é que estes trabalhos ficam concluídos. Portanto, nós achamos que é mais do que justo o país olhar para a situação futura da região de Leiria, até porque o estado de calamidade acabou, mas a calamidade na região não acabou. Nós continuamos com uma região muito devastada, que tem que ser naturalmente reerguida, com muito trabalho, com muita resiliência, e estamos em crer que o vamos fazer. No entanto, este contributo que o Governo podia dar às pessoas, aparentemente não está a fazer e nós, autarcas, estamos a ponderar fazê-lo.

Como assim?

Nós estamos a ponderar seriamente substituirmo-nos ao Governo e permitir às pessoas continuarem com a isenção das portagens.

Ou seja, seriam as autarquias a custear o preço das portagens que estão a ser cobradas a partir de hoje.

Estamos a ponderar seriamente fazer isso.

Quando é que será tomada uma decisão sobre o assunto?

Estamos a conversar entre nós e vamos ponderar esta situação.

O que está a dizer, Jorge Vala, é que neste momento seria mais importante a continuação da isenção das portagens nesses troços afetados do que propriamente a situação de calamidade continuar em vigor.

Sem dúvida.

O mais urgente é mesmo a questão das portagens. E o mais gravoso.

Sim, porque o estado de calamidade, de facto, deixou de existir a partir do momento que o tempo, a meteorologia melhorou. E aparentemente esta situação de tempestades sucessivas também acaba por nos permitir dar sequência aos trabalhos que estão em curso. Estes trabalhos que estão em curso são naturalmente incluídos dentro do estado de calamidade, porque foi a tempestade Cristina e Lourenço que o provocaram. E, portanto, tudo aquilo que seja despesa, que se faça daqui para frente no âmbito da destruição, será incluída. No entanto, eu devo dizer, e para isso não é necessário prolongar o estado de calamidade. Estas facilidades que o estado de calamidade nos permitiu, vai continuar a permitir, certamente, porque nós ainda nem sequer na região conseguimos apurar ou fazer uma estimativa de custos daquilo que é a despesa com o património público destruído. Agora, o estado de calamidade tinha associada esta questão da isenção das portagens, bastante mais vasto do que aquilo que nós hoje pedimos. Nós pedimos de uma forma justificada. Nós precisamos de continuar a ter as comunidades da Marinha Grande, da Batalha, de Porto de Mós, a ligarem-se à cidade de Leiria, e sobretudo aí, mas também a norte e a sul, por autoestrada, porque os eixos rodoviários IC2 e Nacional 242 não estão em condições. Portanto, não estando em condições, o princípio mantém-se. E o princípio mantém-se ou vai manter-se pelo menos até julho, que foi a informação que recebemos das Infraestruturas de Portugal.