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A previsível queda do Governo afetará com certeza todos os processos negociais que estão em curso. No que diz respeito à primeira etapa da revisão do estatuto da carreira docente e no que concerne àquilo que foi o acordo celebrado semana passada sobre o decreto de lei para a mobilidade por doença, queremos acreditar que o Governo ainda em funções possa ir a tempo de, através do processo legislativo, ainda fazer publicar estas alterações em relação a este diploma em concreto, bem como também em relação ao Decreto de Lei 32-A, que também é muito importante que seja publicado, porque é aquele que define as alterações que podem vir a acontecer e devem acontecer em termos concursais e que vão dar resposta à organização do próximo ano letivo. E este, a nosso ver, é precisamente o ponto mais crítico que advém desta possível queda do Governo. É que nós estamos numa fase do ano em que devíamos estar já todos focados na preparação do próximo ano letivo, por exemplo, para combater a falta de professores, mas também a falta de psicólogos, de técnicos especialistas, de terapeutas da fala, que tanta falta fazem às nossas escolas e que é necessário abrir procedimentos concursais que com a queda do governo podem estar em causa. E, portanto, não será de estranhar que mais uma vez, infelizmente, no início de mais um ano letivo, estejamos preocupados com a falta de respostas que foram dadas sobre estas matérias, mas cuja responsabilidade cabe essencialmente àqueles que estão na Assembleia da República e que teimam em nos fazer perder tempo em vez de resolver os problemas.

Portanto, na sua visão, qual é que seria o cenário mais benéfico para a FNE neste momento?

O cenário mais benéfico era que os nossos representantes na Assembleia da República assumissem a responsabilidade para a qual foram eleitos e não estivessem a tomar atitudes que mais não sejam, que nos fazem perder tempo. Estamos sistematicamente a voltar à estaca zero com novos governos, com novos protagonistas, com novos programas. Ou seja, a burocracia funcionar com o país parado talvez não seja o melhor caminho. Isto devia fazer refletir todos aqueles que o povo elege, pensando que têm a responsabilidade de contribuir para o encontro de soluções no nosso país.