Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olhamos agora para as atividades desportivas que entram em confinamento a partir da meia-noite de hoje, à exceção para as modalidades profissionais, Aníbal.
Para percebermos os efeitos desta medida, junta-se a este jornal Carlos Paulo Cardoso, o presidente da Confederação do Desporto. Antes de mais, bom dia, obrigado por estar aqui conosco. O desporto amador fecha logo mais, à meia-noite, mais uma vez, as portas. Quais são os riscos para os pequenos clubes que têm milhares de atletas?
Bom, vamos lá ver. Bom dia, uma vez mais. Desta vez, o desporto não vai confinar como aconteceu em março passado. As atividades seniores, de acordo com o que foi publicado, poder-se-ão manter em atividade e as diferentes modalidades, logicamente, têm de estar de acordo com a orientação da Direção-Geral de Saúde 36/2020, em que as modalidades são distribuídas em alto risco, médio risco e baixo risco. Aquelas que estavam em atividade até agora ao nível dos escalões seniores, de acordo com aquilo que nós temos e que foi publicado, poder-se-ão manter em atividade, nomeadamente as atividades individuais. O que se passa é que os escalões não seniores ficam completamente sem competição.
Esse é um dos problemas, porque se já da primeira vez muitos destes atletas, que não são os seniores, não voltaram depois da primeira fase de confinamento, agora há risco de mais perdas nas diversas modalidades.
Sim. Nós podemos dizer que se perdem duas épocas. Estes jovens, falando dos escalões de formação, obviamente, estes jovens que estavam em uma fase da sua vida desportiva, de progresso, de aquisição de boas práticas desportivas e melhorando na sua atividade, logicamente nas suas modalidades escolhidas. Esses jovens, no ano passado, interromperam a atividade, as atividades não se concretizaram até o final, e este ano vamos entrar pelo mesmo caminho. São duas épocas que se perdem no desenvolvimento, quer no desenvolvimento humano, digamos, desenvolvimento físico dos jovens, e também na aprendizagem da modalidade que eles tinham escolhido. É dramático.
O que pode acontecer também a estes clubes? Porque a grande parte destes atletas são atletas de formação, são atletas que ajudam nas contas dos clubes. Vamos ter mais clubes a fechar?
Pois, esse é um risco que nós, na Confederação do Desporto de Portugal, temos dito desde março passado, em que a nossa grande preocupação é o tecido desportivo nacional, o tecido desportivo em termos de clubes espalhados pelo todo nacional, que são aqueles que ao fim ao cabo são o alicerce das modalidades desportivas ano após ano. São aí que aparecem os jovens que vão evoluir e alguns deles chegarão depois aos mais altos níveis em determinada modalidade. Isso é crucial. Além disso, da própria subsistência dos próprios clubes, eu aqui devo realçar mais uma vez que as autarquias locais têm feito um trabalho fantástico, fizeram-no sempre ao longo dos anos. Desta vez, deste período mais complicado ainda, elas têm aparecido, têm apoiado, mas realmente receamos muito que se esta questão se prolongar, vamos perder muito mais clubes ainda e é um tecido desportivo que é difícil de ser reativado. Porque criar novos clubes é muito complicado. É um processo muito complicado, mas nós estamos num momento muito complicado da parte de toda a humanidade.
A Confederação do Desporto foi ouvida antes de estas medidas terem sido discutidas?
Não. O que foi publicado ontem e que foi informado, não fomos ouvidos nem nós, nem o Comitê Olímpico, nem o Comitê Paralímpico. Como sabe, nós temos estas entidades que temos estado a trabalhar em conjunto. Vamos a um exemplo, anteontem foi feita uma cimeira do desporto, em que estavam presentes muitas federações desportivas, mas o movimento desportivo não foi ouvido.
Que opiniões saíram dessa cimeira onde estiveram estas federações? Em relação a isto que está a acontecer agora.
Na altura, nós não tínhamos ainda conhecimento. Quer dizer, previa-se já, obviamente, anteontem, o que vimos, que havia o confinamento. As federações mostraram-se muito preocupadas, obviamente, em relação ao que está a passar, mas neste momento não tínhamos ainda concretamente dados. Bem posso dizer também que o facto de os escalões seniores ficarem a funcionar, poderem trabalhar e poderem competir, foi uma agradável notícia, porque nós estávamos com algum receio, inclusivamente, que houvesse um maior número de restrições. Mas por acaso, neste sentido, nós não fomos ouvidos, mas temos que dizer que as questões são bravas, obviamente, pelo menos os escalões de formação, mas pelo menos os escalões seniores podem continuar a competir.