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Neste jornal temos também a oportunidade de continuar a análise com Álvaro Magalhães, antigo jogador da seleção nacional. Esteve lá em 84, nesse jogo da meia-final com a França, naquele gol de Platini aos 119 minutos. Álvaro Magalhães, bem-vindo. Obrigado por estar conosco na Rádio Observador. Outra vez a França. Isto é falta de competência ou é azar?
Eu acho que é uma lapada que nós temos contra a França. Penso que devemos dizer que azar é isso, uma vez que nós demonstramos muita qualidade, muita capacidade. Houve da parte dos jogadores do meu tempo e agora, o empenhamento, deram tudo e o máximo para poderem conseguir um outro resultado, mas infelizmente, na marcação das grandes penalidades, é uma lotaria. Acabamos por sermos eliminados e é uma pena, porque Portugal merecia estar na fase seguinte.
Mas foi também o primeiro jogo que terminou sem gols de qualquer uma das equipes, não só nos 90 como nos 120. Eu recordo, em 84, ficou um igual nos 90, ficou depois 2x1 no prolongamento com Platini a marcar no último minuto. O que faltou à nossa seleção para conseguir meter a bola na baliza? Porque oportunidades ontem surgiram. O que falhou aqui?
Surgiram algumas oportunidades, sem dúvida. A bola não entrou, faltou alguém que finalizasse ou que tivesse a felicidade da bola entrar. Aquela do Nuno Mendes.
Sim, no último minuto.
No último minuto poderia ter dado a vitória a Portugal. Foi uma pena. As oportunidades surgiram, é evidente que também surgiram algumas oportunidades para a França, mas temos que falar da nossa seleção, que na ponta final, naquela fase final, poderíamos ter arrumado com o jogo. Essa do Nuno Mendes, sem dúvida, que fez um excelente Campeonato da Europa, esteve muitíssimo bem, poderia ter conseguido o gol e a passagem de Portugal às meias-finais.
Álvaro, nós no início deste jornal estávamos à conversa a dizer que talvez seja o dia mais triste do ano até agora. Mas isso somos nós, que somos adeptos e jornalistas e acompanhamos também a seleção. Mas para um jogador, como é que é estar numa grande competição, saber que tem um país de olhos postos nos ecrãs, a ouvir a rádio, a acompanhar o que está a acontecer. Para estes homens que estão com a camisola da seleção, com o símbolo de Portugal ao peito, como é que é o dia depois e também essa noite depois de serem eliminados?
Isso é a maior tristeza que se pode ter depois de um jogo em que nós sentimos que à nossa volta temos o país inteiro do nosso lado, adeptos, jornalistas, todos juntos a apoiarem a seleção, a sentirem o fervor da nossa camisola. Portanto, eu penso que no final de um jogo, perdermos o jogo, não estarmos na fase seguinte, nas meias-finais, eu penso que é uma grande tristeza e os jogadores não dormem. Há alguns jogadores que não conseguem dormir porque estão com o pensamento no jogo. A tristeza acumula-se dentro de todos nós e é muito difícil, é muito desgastante. Psicologicamente, um jogador fica completamente desgastado.
Queria fazer mais duas perguntas, uma sobre Cristiano Ronaldo e Pepe, dois veteranos, Pepe 41, Cristiano Ronaldo 39. Acha que foi o último Europeu? E estou a fazer esta pergunta mais numa de Cristiano Ronaldo, porque Pepe dificilmente continuará para outro Europeu.
Sim, o Pepe demonstrou que, em relação a muitos jogadores mais novos, que era um menino. Penso que a idade não conta. O Pepe demonstrou capacidade de um grande jogador, que trabalhou muito e que nesta altura, com 41 anos, demonstrar toda essa qualidade, essa capacidade de resistência, é de enaltecer. O Ronaldo, praticamente, e penso que o Pepe também, acaba por ser o último Campeonato da Europa e não sei se vai continuar a jogar. O Ronaldo penso também que deve ter sido o último Campeonato da Europa. Penso que Ronaldo já não tem condições de estar presente no próximo Campeonato da Europa e se calhar vai despedir-se mais cedo. Já tem 39 anos. Penso que se olharmos bem, são posições diferentes, mais desgastante até para o Pepe, que é um defesa. Mas o Pepe demonstrou que a idade não conta.
Velho são os trapos.
Poderia e até quiçá jogar mais um ano, não lhe fazia mal.
Só para terminar então, discutir a permanência do Roberto Martínez faz sentido já a partir de agora ou é preciso fazer uma reflexão um pouco mais ponderada?
Agora é fazer uma reflexão mais ponderada, ter calma. Houve coisas boas e coisas menos boas e há que refletir aquilo que se fez neste Campeonato da Europa e depois tomar decisões.
Álvaro Magalhães, muito obrigado por ter estado conosco no Jornal das 10 aqui na Rádio Observador, no day after dessa eliminação de Portugal frente à França. Portugal está fora do Euro 2024.