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Em direto ao telefone neste jornal está agora conosco o Coronel Francisco Rodrigues, presidente do OSCOT, o Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo. Coronel Francisco Rodrigues, bom dia. Temos assistido a diversas manifestações que terminam em violência por ação de elementos que não pertencem necessariamente à organização, tal como aparentemente aconteceu na última quarta-feira. É um fenômeno que está a crescer em Portugal?

Olá, bom dia, muito obrigado pelo convite. Eu não diria que seja um fenômeno que está a crescer em Portugal. Este fenômeno, de certa forma, vai se vendo um pouco, embora muitas vezes não midiático como é natural os fenômenos cá em Portugal, mas acontece em todos os países e, no caso da Europa em concreto, haver sempre a possibilidade de haver grupos inorgânicos, como são mais recentemente apelidados, que se infiltram nas manifestações legais, legítimas, para desestabilizar. Acima de tudo, podem ter como objetivo desestabilizar a própria manifestação, como, em sequência desta, poder confrontar as forças de segurança presentes, no sentido de criar motivo de disrupção social momentânea, e levar naturalmente à confrontação com as forças de segurança. Penso que não é um fenômeno que esteja a crescer. É um fenômeno que existe, e depois é utilizado por estes grupos inorgânicos da forma como eles entendem que devem tentar mostrar os seus pontos de vista, não da forma mais correta, como nós pensamos, mas é o que é.

E percebemos quais são as motivações, quais são os pontos de vista, o que é que pretendem exatamente com esse tipo de ação?

Esse é que é o problema. Porque numa sociedade livre e democrática, como a nossa, existe a possibilidade de nos manifestarmos e demonstrarmos a nossa opinião, que pode ser contrária até à generalidade dos outros, mas temos a possibilidade de o fazer. Fazê-lo desta forma, como nós assistimos ontem, depois da manifestação organizada ilegalmente. São formas não normais para nós podermos manifestar essas nossas mesmas opiniões.

E as forças de segurança estão preparadas para este tipo de fenômenos?

Estão, claro que sim. As forças de segurança estão preparadas para este tipo de fenômenos. As forças de segurança preparam-se diariamente para este tipo de fenômenos e para outro tipo de fenômenos. É evidente que as forças de segurança não gostariam que tivessem que fazer intervenções naquilo que a gente, de uma forma genérica e técnica, apelida de reposição da ordem pública ou controle de distúrbios. Porque há sempre aqui um lado menos positivo, que é a atuação de uma força de segurança em oposição a um conjunto de pessoas, que pode levar, como ontem vimos em imagens, de facto bastante negativas, do ponto de vista da utilização da força, que foi aquilo que aconteceu, a utilização da força por parte da força de segurança para reposição da ordem pública. Não é muito agradável. Acredito que não é muito agradável para uma força de segurança ter que utilizar a força. Não é para isso que existem as forças de segurança, as forças de segurança existem acima de tudo para prevenir e para fazer regular a vida em sociedade de forma que não haja alterações que levem exatamente à utilização de outros meios, mas é o que é, e é pena que aconteça.