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Para começar, fazia-lhe uma pergunta um pouco geral, tendo em conta as últimas notícias que chegam da zona da Faixa de Gaza. O que sabemos para já? O que está a acontecer nessa região?

O que está a acontecer é um bombardeamento de um lado e do outro, quer de Israel, quer da Jihad Islâmica. Temos aqui um confronto que já não víamos quase desde há um ano, em que, como se lembram, em maio do ano passado, tivemos um confronto grande, não com a Jihad Islâmica, mas com o Hamas. Agora estamos a verificar de novo uma situação idêntica. Há mortes a lamentar na Faixa de Gaza. Não é o Hamas, é a Jihad Islâmica. Atenção que há diferenças.

Continuamos aqui com uma luta, uma guerra de informação, ou seja, de um lado recebemos informações que os mísseis chegam de Israel, do outro lado recebemos informações que chegam da Jihad Islâmica. Também já não é novidade, já víamos isso há um ano.

Sim, isso não é novidade. Isto tudo começou com a prisão de um dos altos elementos da Jihad Islâmica e Israel tomou, por medidas preventivas, a um ataque à Faixa de Gaza com medo da retaliação. Isto é um ataque da parte de Israel, com medo, com algum receio de uma retaliação por parte da Jihad Islâmica, visto que tinha prendido um dos altos dirigentes ou o mais alto dirigente, e acabou por matar um dos seus braços direitos. É curioso vermos que estamos em período de pré-eleições. Vamos ter eleições em novembro. No ano passado, a guerra aconteceu quando se estava a formar governo. Eu costumo dizer que em política não há coincidências e normalmente o que acontece aqui em Israel e o Hamas, há uma escalada de violência cada vez que há uma justificação política. Porque é assim: quando temos uma escalada de violência em Israel e na Palestina, normalmente temos dois objetivos muito claros, que é ganhar os extremos. Portanto, por um lado, de Israel, os nacionalistas e os sionistas, e do outro lado, justificar o Hamas, justificar a Jihad Islâmica, neste caso, e justificar que realmente são necessários. No ano passado, a situação colocava-se de uma forma um pouquinho diferente, porque se queria justificar que houvesse um resultado, queria-se alcançar um resultado em eleições que tivessem um pendor, ou seja, que ganhassem os partidos de direita. No ano passado era esse o objetivo. Não nos podemos esquecer que já este ano houve uma escalada de violência na Esplanada das Mesquitas e nessa altura uma parte dos judeus foram rezar na Esplanada das Mesquitas, muito perto da Al-Aqsa, o que foi considerado uma afronta. Nessa altura estava o governo para cair, a coligação estava fraca e acabou por acontecer. Agora, o que nós temos é um Lapid, que está em primeiro-ministro interino. Vai haver eleições. Aliás, foi ele que ganhou as eleições, mas depois deu o lugar de primeiro-ministro por causa da coligação. Mas neste momento é o primeiro-ministro em funções e vai a eleições em novembro. Ora, o mais engraçado disto tudo, e é a pergunta que eu deixo no ar: será que Lapid está a piscar o olho ao lado sionista? Esta é a pergunta que eu deixo, porque normalmente a escalada de violência que nós vimos em Israel tem momentos políticos associados. E este momento político é o momento das eleições que vai acontecer em novembro. Portanto, há aqui coincidências, que não há coincidências em política, e em política internacional muito menos. Porque Lapid tem uma postura de centro, uma postura muito reformista, e é importante que se diga isto. É um homem que era apresentador de televisão, é um reformista e que pode não ser encarado uma boa opção pela facção mais à direita. Será que ele está a tentar buscar votos à direita? Porque ele teve uma atitude muito firme de ir prender um líder da Jihad Islâmica. Portanto, está a justificar a necessidade de Israel ir se defender face ao Hamas e à Jihad Islâmica. Isto é um comportamento típico de direita.

Eu perguntava, se calhar é um tiro no escuro, mas quando é que podemos esperar um fim destes confrontos que têm vindo a escalar?

Israel diz que é uma semana. Israel diz que é uma semana, mas a crise humanitária em Gaza já de si não é fácil. Aliás, é engraçado vermos que nós estamos em agosto, foi há dois meses que se tem estado a abrir um pouco a Faixa de Gaza. Portanto, as restrições têm estado a ser aliviadas. Lá está, isto é o oposto. Aliás, porque foram repostas e foram agravadas, e foram agravadas ao ponto de não ser entregue o gasóleo para a central elétrica de Gaza e neste momento Gaza não tem eletricidade. Portanto, a crise humanitária já de si é grave em Gaza, agora agravou-se ainda mais. Com isto tudo, Israel diz que são 10 dias. Portanto, vamos ver.