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Estou, pergunte.
Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, para falarmos sobre a greve que está a ser sentida nos aeroportos de Portugal. Começo por perguntar qual é que foi o impacto já sentido pela associação neste momento.
Nós não temos dados exatos do impacto havido, mas basta ver o número de voos que foram cancelados para perceber que isso provocou elevados prejuízos na hotelaria, que podem andar, em relação às reservas que tinham, por ter uma quebra da ordem dos 80%, uma vez que os serviços mínimos não conseguiram evitar um número enorme de cancelamentos.
Raul Martins já me disse que não tem números, mas tem já recebido queixas por parte de alguns dos associados ou por parte de alguém dentro da associação? Tem algum tipo de registo já sentido?
Nós aquilo que recebemos dos nossos associados são as perguntas: por que é que isto acontece? E nós, não tendo resposta, temos, no entanto, uma questão que temos que pôr ao governo. Vamos lá começar. A TAP, ao tempo, fez um contrato de exclusividade com a Groundforce para a prestação destes serviços em terra. Foi definido, houve vários concorrentes na altura que apresentaram propostas e, portanto, foi escolhida a situação de prestação de serviços da Groundforce. Pese embora as razões que assistem à greve, que é a falta de pagamento dos ordenados, que é um direito dos trabalhadores que não pomos em causa, há uma coisa que a empresa em si deixou de cumprir, que é prestar os serviços à TAP. Eu pergunto ao governo e ao senhor ministro das Infraestruturas, por que a TAP, que é estatal, não rescinde o contrato com a Groundforce e não entrega os serviços a outros? Certamente que os trabalhadores que estão na Groundforce facilmente emigram, ou seja, mais facilmente migram para outra empresa porque têm know-how para isso. Agora, não faz sentido estarmos aqui, digamos, parece que a Groundforce é a única empresa que pode fazer esta prestação de serviços. Não prestou o seu serviço, não prestou o serviço que está contratado. O governo, através da TAP, só tem que rescindir o contrato e acabarmos com este prejuízo. Quer dizer, nós nos hotéis sofremos todas estas vicissitudes decorrentes dos exageros sanitaristas do governo. E agora temos esta? Já chega! Quer dizer, se é para acabar com o turismo e com a hotelaria, é melhor fazer um decreto e acaba-se já. Portanto, a situação é muito grave.
Raul Martins, deixe-me fazer uma outra questão que também já está a ser levantada por outras pessoas, que será uma outra alternativa, que é a requisição civil por parte do governo. Portanto, trocar por miúdos, será o governo impor um fim a esta greve. Acha que esta seria uma solução, pelo menos a curto prazo, para este problema ou acha que, na verdade, não seria uma boa resposta?
Na última greve que esteve marcada, foi isso que se fez. Não percebemos por que o governo agora não o fez. Portanto, nós quando desconhecemos as razões, tudo tem uma razão, tudo tem uma explicação. Nós desconhecemos ou pelo menos não a podemos revelar publicamente. Agora, por que a Groundforce tem o direito de não cumprir e acontece este prejuízo para o setor do turismo? É uma situação que o governo não explica. Ou faz requisição civil ou então rescinde. Isto é que não podemos continuar. Enfim, não é ao governo que dói essas situações. Infelizmente, o governo não tem consideração pelos empresários privados. E como não tem consideração pelos empresários privados, não acautela essa situação. Se fosse qualquer coisa que tivesse a ver com o Estado, já a situação seria diferente. Portanto, isto chega, isto ultrapassa tudo. Nós estamos moribundos e assim vamos morrer na praia. O desespero é aquilo que, quer dizer, não nos basta já, de facto, estes condicionalismos sanitaristas que muitos deles que são inadequados e já agora temos esta situação. É o desespero total no turismo e na hotelaria.
Tem recebido queixas por parte de clientes que já teriam tudo marcado e que agora se deparam com os aeroportos, ou melhor, com os voos para Portugal cancelados? Tem recebido esse tipo de queixa?
Hoje em dia a hotelaria trabalha com reservas que não têm prévio pagamento. Não podemos fazer de outra maneira, porque há sempre alterações por via da situação da pandemia e, portanto, nós não cobramos os clientes antes. Antigamente cobrava-se antes para eles assegurarem reserva. Mas agora não fazemos. Portanto, o cliente tem um incômodo. Claro, não vem. Mas como tem as férias para esta altura, não vem daqui a uma semana. Agora vai para a Espanha. É que as pessoas, de uma forma geral, têm a sua vida organizada. Portanto, se têm as férias marcadas para uma semana, pura e simplesmente não vêm. Vão para Espanha, que está aqui ao lado, vão para onde quiserem, vão para a Croácia. Têm tantos sítios para ir. Não adiam para vir mais tarde. E, portanto, é perca.
E já agora, ainda não é possível, já me disse que não tem números, mas é possível fazer pelo menos uma estimativa dos prejuízos que estão aqui em cima da mesa?
Repare, quantos voos é que foram cancelados? Talvez cerca de 80% dos voos foram cancelados. Portanto, pior que termos numéricos, não temos. Mas se nós tínhamos as reservas dos hotéis no Algarve andam por 40%, em Lisboa andam por 20%, aqueles que estão abertos. Quer dizer, pelo menos no fim de semana perdemos quase a ocupação total. E depois são pessoas que vinham agora, muitas delas para ficarem mais dias. Portanto, isto vai ter uma quebra. Nós agora não sei dizer de imediato, mas desta cá amanhã já dizemos.