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A Associação Académica de Coimbra apresentou esta manhã o manifesto para a regulamentação da inteligência artificial no ensino superior. É um projeto desenvolvido em parceria com o Núcleo de Estudantes de Informática da AAC. Está conosco José Machado, o presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra. Obrigado pela disponibilidade para falar com a Rádio Observador. Começo por lhe perguntar quando é que surgiu esta necessidade de apresentar um manifesto, identificar casos em que se verifica a necessidade de regulamentar a inteligência artificial.

Olá, muito bom dia a todos os nossos ouvintes e à Rádio Observador. De certo modo, este manifesto procurou ser o primeiro contributo estudantil verdadeiramente fundamentado sobre essa nova tecnologia. Tornou-se evidente que no nosso dia a dia na academia somos bombardeados com estas novas ferramentas. Era já conhecido da nossa parte este uso generalizado da inteligência artificial no seio da nossa academia e nós procurámos, em conjunto com o núcleo, ao qual lhe é afeto a área tecnológica em particular nesta investigação, de facto, aprofundar a nossa posição e elaborar aqui um documento que tivesse um enquadramento contextual, uma análise da perceção estudantil e, por fim, recomendações políticas.

Sobre este questionário aberto à comunidade académica, quais foram as conclusões que retiraram?

Em perto de 300 respostas, nós concluímos que havia aqui uma série de estudantes, neste caso, mais particularmente sete em cada 10 estudantes, que utilizava este tipo de ferramentas, nos quais 80% indicou que as utilizaria para finalidades académicas. Esse foi o nosso indicador mais preocupante e depois, em última instância, aquilo que mais procurava comprovar que teria aqui 90% dos inquiridos, uma sensação de insegurança, considerando destes 90%, que essas ferramentas deveriam ser melhor regulamentadas.

E que recomendações ou que medidas é que querem ver implementadas para regular a utilização da IA no ensino superior?

Nós propomos medidas no curto prazo e no longo prazo. No entanto, acredito que haja aqui duas propostas que deveriam procurar executar-se com a máxima celeridade. Por um lado, tornou-se necessário e indispensável a criação de um mecanismo nacional de monitorização e acompanhamento deste tipo de novas ferramentas, que seja criado em coordenação com o Ministério, com o CISP, com o CRUP, e com os demais subsistemas, e que possibilite, acima de tudo, a capacidade à tutela para responder à falta de diretrizes crônica que se regista no ensino superior. E, por outro lado, que se transponha depois para uma aproximação quase pedagógica a cada IES e à capacidade orgânica.

E não sei se já obtiveram reações de docentes e, se sim, como é que eles reagiram à vossa proposta?

De momento, ainda não. Nós neste momento estamos a aguardar agora a admissão do nosso documento para a tutela e também para a comunidade científica local. Depois iremos procurar uma audiência parlamentar e junto das demais entidades pertinentes, que faça a ponte entre o nosso conhecimento, o nosso testemunho e os stakeholders, como se costuma mencionar.

Qual é que é o vosso horizonte temporal para que estas medidas ou recomendações sejam implementadas? E também pergunto se perspetivam a adesão de mais universidades no resto do país, não sei se num futuro próximo ou ainda é algo que não creem que vá acontecer.

O nosso horizonte é simples. Nós trabalhamos neste âmbito de manifesto com sensação de urgência, sentido de urgência. É um desafio que já chegou. Como mencionei no recurso, a IA não é algo do futuro, é algo do presente, já convivemos com ela diariamente. E a verdade é que nós iremos agora procurar aqui com a maior celeridade possível, remeter todos os documentos pertinentes para a tutela e exigir que haja aqui uma auscultação quase que imediata da nossa parte para que possamos transpor o nosso testemunho assim que possível e iremos naturalmente sensibilizar as outras academias. No entanto, de realçar que no último ENDA, no último Encontro Nacional de Direções Associativas, houve aqui um manifesto já aprovado em conjunto por sete proponentes, se não estou em erro, 7 a 10 proponentes, que foi aprovado no ENDA. Ou seja, já houve aqui capacidade de convergência em outros momentos neste âmbito e acredito que certamente também o será no futuro com o nosso contributo.