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Vila Real está a enfrentar o único incêndio de grandes dimensões no país. Tem, neste momento, duas frentes ativas. Uma em Vila Real, outra em Mondim de Basto, são as duas frentes ativas. Há também duas frentes dominadas. Este incêndio está a ser combatido, neste momento, por mais de 600 bombeiros, apoiados por 200 veículos. Temos, neste momento, em direto ao telefone neste jornal, o presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favães. Muito bom dia. Que dados é que tem, neste momento, sobre o combate ao incêndio? Estes números que acabei agora de revelar ainda são os atuais?

Sim, este momento, sempre essa é a capacidade instalada no terreno. Como disse, de facto, aquilo que se verifica são duas frentes ativas, uma no concelho vizinho, o concelho de Mondim de Basto, que naturalmente está a preocupar neste momento mais aquilo que são os incidentes operacionais no terreno, mas também esta em Vila Real, que depois daquilo que era a nossa expectativa durante o dia de ontem, quando aparentemente as condições estavam favoráveis para poder debelar este incêndio, infelizmente, as próprias condições de terreno, as mudanças repentinas de vento, levaram a vários reacendimentos em várias aldeias, colocando-as novamente em perigo. E no final da tarde, início de noite, uma das zonas que não tinha sido fustigada, precisamente por essa mudança dos ventos, que foi a aldeia de Arnal, também a aldeia de Galegos da Serra, na freguesia de Vila Marim, se viu também, de alguma forma, fustigada por estes incêndios que estiveram à sua porta. Felizmente, e mais uma vez, a capacidade instalada de homens e mulheres, das nossas corporações de bombeiros, mas também das outras evidentemente entidades, permitiram fazer esse ataque. Durante a noite, esse trabalho de sapador, de facto, foi muito intenso. Aquilo que neste momento verificamos de manhã é um cenário mais favorável, que esperemos agora a entrada também de meios aéreos que venham complementar, consolidar, de forma articulada, esse trabalho que está a ser feito precisamente no terreno por estes homens, por estas mulheres e pelas viaturas que efetivamente também referenciou. Aquilo que se vai sentindo é um enorme cansaço, exaustão dos homens e das mulheres, alguns deles a trabalhar há mais de 36 horas no terreno. Existe necessidade de aumentar aquilo que é a capacidade instalada, mas também de refrescar, ou seja, tornar efetivamente ainda mais agressiva aquilo que tem sido um combate enormíssimo, intenso e que eu não me canso efetivamente também de elogiar e de destacar. E isso claramente terá que ser feito. O reforço também, evidentemente, de meios aéreos, porque ainda se prevê, nos próximos dias, o aumento das temperaturas e, como é óbvio, se não pudermos cobro àquilo que são estas ignições, ou seja, estes incêndios e estas duas frentes ativas, certamente ainda vamos ter alguns dias de trabalho, de preocupação, de exaustão, de ansiedade das populações que nós queremos, naturalmente, evitar.

Mas com tudo isto que nos está a dizer, Alexandre Favães, as perspetivas para as próximas horas não são de controlar estas frentes ativas ou pode haver aqui a tal janela de oportunidade antes que as temperaturas voltem a subir ainda mais, como se prevê?

Do meu ponto de vista, no que diz respeito ao concelho de Vila Real, não me irei pronunciar, naturalmente, aquilo que são os trabalhos no concelho de Mondim de Basto. Realmente, de facto, existe essa janela de oportunidade. Penso que se de facto for assumido esse reforço de meios no terreno, temos condições para pôr cobro a este incêndio durante o dia de hoje. Essa é a minha expectativa, essa é a minha vontade, essa será a vontade dos homens e das mulheres que estão no terreno e evidentemente, também todos aqueles que a estão a coordenar. Aquilo que apelamos, de facto, é esse esforço adicional para permitir, na janela de oportunidade, que neste momento está criada no concelho de Vila Real, se ponha termo a este incêndio.

Ainda não há qualquer noção sobre danos e área ardida nesta altura. A preocupação é outra.

A preocupação, de facto, é outra. Continua a ser pessoas, continua a ser bens, continua a ser as nossas casas, que felizmente, até ao momento, não houve nenhuma casa, nenhum anexo que tenha sido fustigado. Existe a lamentar, naturalmente, aquilo que é uma malha florestal enormíssima, que foi devastada, também produções agrícolas. Estima-se neste momento também mais de 2000 hectares ardidos. Mas como disse, e bem, não é ainda altura de contabilizar danos, é altura de continuar a proteger as nossas populações, as nossas gentes e principalmente dar-lhes a paz e a serenidade que nos últimos dias lhe foi retirada por este ataque ao território.

O senhor falou na possibilidade de fogo posto. Faz essas afirmações por quê? Porque as ignições começaram de noite, é por isso que fica com essa perspectiva?

Eu apenas destaco os horários das ignições. Sábado, 14h30, uma ignição. Sábado, 20h, uma ignição. Sábado, 23h, uma ignição. E mesmo ontem à noite, sublinho, felizmente sem danos maiores, porque o rápido ataque das populações e dos bombeiros que o perceberam no momento inicial, numa aldeia vizinha, nada próxima, fartuda a estas frentes de incêndio que estiveram ativas. Aquilo que se verificou foi uma nova ignição na aldeia de Lamas do Olo. Era 00h30. Permito-me apenas destacar os horários. O resto deixo para que as entidades competentes também investiguem e, se possível, levem à Justiça aqueles que, de facto, estão a destruir aquilo que é a nossa casa comum.