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Era um homem de caráter, era um homem de grande coragem, era um homem de audácia, era um homem inteligente e era um homem que tinha uma imensa experiência. Portanto, é uma grande perda pro PS, é uma grande perda pro país, porque o Jorge Coelho era um homem com um grande sentido de humor, com uma grande alegria de viver e, ao mesmo tempo, era um homem que procurava estar sempre do lado das soluções construtivas, porque era um homem progressista e era um homem profundamente fiel às suas convicções. Era um homem que revelou o seu caráter, nomeadamente na tragédia de Entre os Rios, quando se demitiu do governo e do lugar que ocupava, sem ter tido nenhuma responsabilidade direta no que se passou ali. E é uma coisa que é pouco frequente na nossa terra e na nossa vida política.

Já agora, João Soares, deixe-me perguntar-lhe uma coisa, olhando aqui pra notícia já de há muitos anos: estava aqui a olhar pra um cabeçalho de uma notícia que dizia que João Soares iria avançar pra liderança do Partido Socialista, mas que só não o faria se Jorge Coelho assumisse o controle do partido.

Isso deve ser uma coisa fi.

Sim, mas pergunto se também se corria dessa convicção de que Jorge Coelho era um homem também de destaque dentro do Partido Socialista.

Do maior destaque. Aliás, seguramente quem estará tristíssimo é o atual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, porque o Jorge Coelho foi amicíssimo dele, era um grande amigo dele. Foi um homem que deu um contributo muito grande pra que o António Guterres fosse, primeiro na batalha interna, secretário-geral do Partido Socialista, líder do Partido Socialista, e depois acompanhou nessa liderança e acompanhou no governo de uma forma absolutamente admirável. Portanto, o contributo que ele deu a todos nós, a começar por António Guterres, foi um contributo inesquecível. Era um homem, de facto, de uma capacidade de trabalho. Conhecia o país de norte a sul muitíssimo bem e era um homem que era amigo dos seus amigos, fiel aos seus amigos, às suas amizades, era um homem fiel às suas convicções, era um homem profundamente de esquerda. Ele, aliás, começou na extrema-esquerda. Ele contou-me uma vez como é que tinha participado, inclusivamente, não só na UDP, como no congresso fundador do PCR, que é uma coisa que já deixou de existir, e que depois, por convicção absoluta, aderiu ao Partido Socialista e reconhecia que quem tinha razão era o Partido Socialista, mesmo nos anos que antes de 75. Era um homem, de facto, absolutamente fantástico e a quem todos aqueles que tiveram alguma responsabilidade no PS devem muito. E o país, o país da liberdade, o país da solidariedade, o país do Serviço Nacional de Saúde e da solidariedade social, deve muito ao Jorge Coelho.