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João Soares, pergunto-lhe quais são as memórias que guarda de Mário Mesquita.
Eu guardo uma memória de longa e profunda amizade com o Mário Mesquita. Eu penso que o Mário Mesquita é ligeiramente mais novo que eu, mas encontrámo-nos enquanto jovens nos combates estudantis contra a ditadura, na candidatura da CEU em 1979, que ele apoiou também com grande entusiasmo, e na envolvente daquilo que veio a ser o Partido Socialista. Ele era um fã do meu pai, do Sá Carneiro, etc. E por essa via também, ele foi fundador do Partido Socialista. Foi, aliás, dos poucos de Portugal que foram à Alemanha para participarem no congresso fundador do Partido Socialista. Tirando um curto período mais diferente num período posterior, ele teve sempre uma ligação de grande proximidade política e afetiva com o meu pai, que ele considerava um grande exemplo. Ainda há pouco tempo, tivemos a oportunidade de participar ambos num programa dedicado ao meu pai no segundo canal da RTP, chamado "Sociedade Civil", e ele fez uma intervenção onde fica claramente demonstrada a sua fidelidade à memória de Mário Soares. Além do mais, era um tipo da minha geração, portanto, tivemos um convívio muito próximo, sobretudo antes do 25 de Abril. Era um homem muito inteligente, com uma grande cultura também, e que teve um papel importante, quer na direção de órgãos de comunicação social, e nomeadamente do "Diário de Notícias" de que foi diretor, quer depois na Entidade Reguladora da Comunicação Social e nas várias escolas de ensino do jornalismo em Portugal, onde também formou muitíssimos quadros. Portanto, quando sai