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Portanto, antes de mais, obrigado pela disponibilidade para gravar com a Rádio Observador.

Eu é que agradeço.

Depois do Académico de Viseu, agora o Estoril. As coisas no campeonato também têm corrido bem. Qual tem sido o segredo da equipa, sobretudo na taça, onde já eliminaram duas equipas dos campeonatos profissionais?

O segredo passa muito pela coesão da equipa, pelo bom ambiente que é criado e que temos tido na nossa equipa, pela boa estrutura que o clube tem proporcionado a todos nós, jogadores, equipa técnica. Acho que temos todas as condições para trabalhar. O clube tem se desenvolvido muito nestes últimos tempos para dar as condições melhores aos jogadores e isso basicamente é a base. Depois a receita naquilo que é a parte tática, acho que tem se visto a nossa boa coesão defensiva. Temos uma equipa bem organizada e depois também naquilo que é as suas individualidades, também temos bons jogadores que demonstram também no campeonato de Portugal a qualidade.

Sente que a magia da taça é uma coisa real, ou seja, os jogadores superam-se mesmo contra adversários teoricamente mais complicados?

Sim, eu já passei por isso. Enquanto jogador também tive o privilégio de estar no Vitória de Setúbal numa era muito jovem, ainda com 18, 19 anos. Também tive o privilégio de estar numa final de uma taça e enquanto primeira liga, tivemos muitas dificuldades em passar nestes jogos, porque as equipas teoricamente de escalões inferiores, galvanizam-se. As equipas de primeira liga, enquanto está zero a zero, parece que o resultado não é zero a zero e está para ir dois zero. Enquanto a equipa da primeira liga não marca, à medida que o tempo passa, as equipas inferiores vão ganhando mais confiança, as superiores vão perdendo essa mesma confiança. E nós, enquanto equipa, soubemos jogar com esse pouco à vontade que o Estoril ia tendo durante o jogo e soubemos explorar isso. E acho que aquilo que se passou depois, como já falei em algumas comunicações sociais, é aquilo de penáltis, é verdade, é penáltis, mas nós trabalhamos a parte final, os penáltis, durante a semana toda, na terça, na quarta, na quinta, na sexta e até no sábado, porque tínhamos essa capacidade de não sofrer gols. Não sofrendo gols, e neste jogo até podíamos ter marcado, não marcámos, mas não sofrendo gols, podíamos chegar à decisão dos penáltis. Acho que não foi sorte, foi qualidade por parte dos nossos intervenientes naquilo que é a marcação de penáltis.

Dentro do grupo já falaram no objetivo para a taça? Não falo do campeonato, falo sobretudo da taça.

Não, porque dentro do seio, a nível de estrutura, a nível de equipa, equipa técnica, tudo, nosso grande objetivo é mesmo o campeonato. Nós propusemos entrar nos dois primeiros lugares nesta primeira fase de campeonato e depois, numa segunda fase, tentar ir àquilo que é a Liga 3. Esse é o nosso grande objetivo. A taça é um acréscimo. É o que eu digo aos jogadores nestes últimos dois jogos, principalmente com escalões superiores, foi para desfrutarem. Os jogadores têm feito isso. Isso pode ser também um dos fatores que nos liberta um bocadinho naquilo que é a pressão, e eles têm desfrutado disso. Agora, é como eu costumo dizer, e já disse até aos jogadores em tom de brincadeira: "Se nos deixar ir, Ója Mour, até pé iremos".

E já há algum adversário que desejem particularmente apanhar na próxima fase?

Sim, é óbvio. Quem não gostaria de ter uma equipa grande, principalmente em Évora? É óbvio que Évora é uma cidade que está há muitos e longos anos afastada destes paradigmas de equipas de primeira liga a jogarem em Évora. Nós conseguimos após 40 anos, efetivamente acho que a última equipa que lá passou foi o Vitória de Guimarães há 40 anos, no Lusitano de Évora. E quem não gostaria de ter um grande agora? É óbvio, já sabemos que se for escolhido um grande, não podemos jogar no nosso estádio. Essa é a realidade do nosso futebol, impossibilita de podermos escolher um grande. É óbvio que nós gostaríamos de um grande, mas aquilo que vier, vem, não temos escolhas. Queremos é desfrutar deste momento e queremos na próxima eliminatória tentar também desfrutar do momento e praticar futebol e orgulhar aquilo que é a gente e Brens.

Até porque receber um grande seria quase como uma oportunidade única na vida para muitos jogadores do Lusitano, certo?

Sim, não só para os jogadores, para treinadores, mas acima de tudo para os sócios, porque os sócios viveram 14 anos, muitos sócios, principalmente os mais velhos, tiveram 14 anos na Primeira Liga. É uma massa adepta muito exigente, porque ainda se orgulham de passar por esses momentos da Primeira Liga e eles adoram viver estes momentos com equipas de Primeira Liga. Gostam de vivenciar aquele passado deles e é óbvio que para nós sócios, para a nossa equipa técnica, para nós jogadores, que essa é que é a parte fundamental disto tudo, é óbvio que gostariam de ter uma equipa, um grande. É óbvio que é um momento único de poder jogar uma eliminatória com jogadores de grande qualidade.

Pedro Russiano, muito obrigado pela disponibilidade.

De nada. Obrigado.

Parabéns pela passagem e votos de uma feliz época.

Muito obrigado a vocês todos e pelo contributo de poder demonstrar que a zona do Alentejo ainda está viva e quer muito aparecer para outros patamares. Muito obrigado.