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A Fernanda Lapa, eu estreei-me com ela na Casa da Comédia em 1963. Éramos as duas muito meninas e fomos amigas toda a vida. Era uma mulher muito séria, muito talentosa e sobretudo muito igual a si própria. Nunca a vi cometer uma desonestidade, uma coisa menos clara. O trabalho dela foi sempre no mesmo sentido. E o sentido era pôr a cultura acima de tudo, pôr a investigação acima de tudo, o ensino, por onde ela passou, como eu também passei. A lealdade para com aqueles em quem ela confiava e a desconfiança relativamente àqueles de quem ela desconfiava. Ela nunca transigiu. Foi uma pessoa sempre leal, sempre talentosa, sempre trabalhadora e empreendedora. Deixa um grande espaço de exemplo, de lealdade e de qualidade. Estou muito chateada com isto. É um grande desgosto. A Fernanda Lapa pertenceu à Barraca, ao grupo que eu fundei. Nos primeiros anos, deu-nos muito companheirismo, muita alegria, trabalhamos, criamos. Mais tarde, trabalhei novamente com ela na Barraca, já como encenadora, e também foi uma experiência muito boa. Portanto, estou muito triste hoje.