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Nós estamos a prever que a partir da meia-noite se vai agravar outra vez a situação e, portanto, entramos naquilo que nós chamamos o alerta laranja. Já vimos pelos últimos tempos, aliás, eu podia dizer até com algum alvontade, pelos últimos anos, que algumas regiões urbanas, em particular de Lisboa, uma situação que é estatisticamente laranja, é uma situação que vai causar situações que podem ser gravosas. Tenho que admitir que o que aconteceu na noite que passou levou a que estivessem limpos já muitas situações e que as autoridades estejam já preparadas para, por exemplo, interromper a circulação nos túneis ou nas zonas de maior sensibilidade. E se se formar outra vez picos de precipitação como foram observados na noite anterior, nós não temos capacidade de prever. Iremos acompanhá-los. Nós acompanhamo-los essencialmente com a rede de descargas elétricas e com a rede de radares. E se nessa rede nós virmos de forma inequívoca que esses acontecimentos vão ter lugar, avisaremos o mais depressa que pudermos, que pode não ser suficientemente cedo, mas será aquilo que a ciência nos permite fazer.

Admite, eventualmente, passar-se a um aviso vermelho hoje?

Não posso excluir. Basta que nós, como sabe, temos a rede de radares no ar e a rede de descargas elétricas e, portanto, se aproximar o nível de precipitação com o mesmo tipo de violência da noite passada, iremos fazê-lo.

E que recomendações deixa para esta noite?

Normalmente não somos nós que emitimos recomendações, mas sim a Autoridade Nacional de Proteção Civil, mas eu diria que são as mesmas de ontem. Não circulação, cuidado com a circulação ao longo do alféu. Não fazer deslocações que não sejam absolutamente necessárias. Todas as casas que sejam baixas, que estejam em níveis reduzidos, caves, e que tenham tendência a inundação, especial atenção. Pessoas com mobilidade reduzida e que vivam nessas condições têm, na medida do possível, que se afastar delas. Na medida do possível, pode não ser possível para as pessoas. E do resto, eu diria que já temos uma situação em que as autoridades municipais, em particular, estão muito mais alerta. Portanto, eu creio que também serão capazes de desencadear mais cedo medidas preventivas. Eu ouvi o senhor presidente da Liga falar de coisas simples, como, por exemplo, interditar rapidamente a circulação em túneis ou em situações similares. E, portanto, eu diria que sim, que se prestem medidas de bom senso e que se podem fazer com custos reduzidos.

Para finalizar, em relação ao ontem, eu perguntava-lhe se nesta emissão de avisos, considera que houve um atraso ou que seria imprevisível a situação de ontem?

Eu diria uma frase, sem querer ofender ninguém. Eu não sou muito forte a fazer previsões para o dia de ontem, nem para o dia de anteontem, isso não é mesmo a nossa especialidade. Nós gastamos a nossa energia a tentar prever da melhor maneira que podemos os dias que vêm. Quando acabar este episódio, nós vamos estudá-lo como fazemos a todos e publicaremos sempre no relatório, na página. Existiram situações que vão ter que chamar a nossa atenção. O fato de nos modelos não ser claro estes picos de precipitação, o fato de nós termos tido dezenas de milímetros de chuva em períodos muito curtos, inferiores a uma hora, e tentamos compreender se são situações que são habituais e apenas não foram previstas porque não foram, ou se nós estamos a falar de uma situação que tem qualquer coisa de novo e para a qual nós temos que chamar a nossa atenção.