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Miguel Costa Matos é o fundador deste Instituto Progresso, está agora em direto conosco ao telefone. Obrigado. Bom dia, Miguel Costa Matos. O que o levou a criar este movimento precisamente nesta altura?

Bom dia. O que nós verificamos é que apesar de vivermos numa era com grandes progressos tecnológicos, nomeadamente, as pessoas sentem que vivem sem progresso, sentem que as casas estão cada vez mais caras, o custo de vida também, sentem que, de facto, instituições como o Serviço Nacional de Saúde enfrentam grandes desafios. Não nos basta apenas colocar lá mais dinheiro e, ao mesmo tempo, a democracia está cada vez mais polarizada. E por isso nós sentimos a necessidade de criar um espaço extrapartidos, que eu diria, até em correção ao que foi dito agora, que não é da esquerda, que vai desde o centro-direita até à esquerda, de todas as pessoas que partilham dos valores da democracia, do Estado Social, de um Estado que ao invés de sair da frente, tem que ser ágil, inteligente e dar a mão à sociedade para poder ajudar ao desenvolvimento do país. E, portanto, nós achamos que é preciso arranjar novas respostas. Não podemos limitar apenas a defender as coisas que foram feitas ao longo destes 50 anos, não só para responder às frustrações que as pessoas têm, legitimamente, com a sociedade como ela existe hoje, mas também para responder aos novos desafios do século XXI. Para lhe dar um exemplo, que será também o tema da nossa primeira publicação e da nossa primeira conferência no dia 19 de setembro, a inteligência artificial e o futuro da economia, claramente, o impacto que ela poderá ter, não só na nossa produtividade, mas também no nosso modo de vida, na nossa sustentabilidade ambiental. E, portanto, estes são desafios que nos motivam e que estão a atrair muita gente para lá do PS, como disse, muitos independentes, mas também pessoas do PSD, do Livre, de outros partidos também à esquerda. E a mensagem que quero deixar a quem nos está a ouvir é que sejam bem-vindos todos aqueles que quiserem pensar conosco. E mais do que pensar, nós queremos testar as ideias, porque muitas vezes as políticas públicas são feitas de improviso, com ideias teóricas, e nós queremos ir ao encontro da sociedade, que é para podermos fazer prova de conceitos, para podermos afinar os pormenores e garantir que as políticas públicas têm o máximo de eficácia. Já vimos demasiadas políticas públicas que fracassam nos primeiros 100 metros. É a altura de as fazer bem.

Miguel Costa Matos garantiu ao Observador que este não é um movimento de oposição a José Luís Carneiro. Queria que explicasse um pouco melhor. Portanto, isto nada tem a ver com a moção que apresentou no último congresso do Partido Socialista?

Não, naturalmente. Eu tenho a minha filiação partidária, como outros. Há pessoas neste movimento, neste instituto, que são de outros partidos, e cada um tem a sua liberdade para dentro do seu respectivo partido, poder fazer o seu trabalho e a sua afirmação. Eu, inclusive, contribuo para a linha programática do Partido Socialista. Este é um movimento sem partidos, este é um movimento que não irá entrar nas questões partidárias, e inclusive não irá entrar na atualidade. Nós queremos projetar as soluções de médio e longo prazo. Nós não queremos estar a discutir a proposta de lei do dia. Essas questões são para os partidos e para o Parlamento. Nós queremos atrair independentes, queremos atrair empresários, queremos atrair pessoas de vários partidos. E se nos fecharmos nas lógicas internas dos partidos, que eu percebo que é aquilo a que estamos habituados, nós não vamos conseguir fazer isso. E, portanto, da nossa parte contam com essa disciplina e peço também a vossa ajuda para que possamos focar o país onde ele tem que ter a sua cabeça e o seu olhar, que é no horizonte. Construirmos as soluções para os problemas do país e não estarmos apenas a olhar para as dinâmicas dos partidos, que acho que há coisas mais importantes no país do que estamos a pensar nisso