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O DocLisboa começa hoje até ao dia 25 de outubro, decorre em vários espaços de Lisboa. Começo por lhe perguntar precisamente quais são estes espaços.
O DocLisboa 2026 ocupa os espaços habituais do festival, o Cinema São Jorge, a Culturgest, o Cinema Ideal, a Cinemateca Portuguesa e este ano também se estende ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian.
E há este ano 198 filmes de 51 países. Pergunto quais são aqueles que mais se destacam, se é que há alguns que merecem mais destaque.
É sempre difícil destacar alguns filmes de um programa tão longo e diverso, mas eu diria que a competição internacional é um ponto muito forte desta edição do festival. Temos todos os 11 filmes dessa competição em estreia mundial, internacional e europeia. Cineastas muito importantes e filmes para ver praticamente pela primeira vez. Depois, também pela primeira vez, 11 estreias mundiais na competição portuguesa e portanto destaco assim as duas competições principais do festival. Para as competições, uma palavra para esta retrospetiva muito importante de Lino Brocka, um cineasta filipino muito relevante e que não é assim tão conhecido entre nós e é uma grande oportunidade para descobrir o cinema dele. E depois as secções transversais e paralelas, o Heartbeat, com filmes sobre outras expressões artísticas e aí será possível ver coisas como o "The Fight", um filme do William Greaves sobre Muhammad Ali. Será possível ver vários filmes portugueses também em estreia, filmes sobre a casa do artista, esse filme assinado pela Solveig Nordlund. Será possível ver um filme sobre a Kate Bush, um filme sobre Eric Cantona, ou seja, filmes também sobre grandes figuras da cultura pop. Se quiserem as pessoas têm muito.
Não. E falava-me de filmes portugueses, sente que a participação de filmes portugueses para mostrar tem sido maior?
O festival tem tentado aproximar-se cada vez mais das produtoras e dos realizadores portugueses, fazê-los sentir também que o DocLisboa sempre foi, mas continua a ser uma casa para aproximar o português. Nesse sentido, sim, acho que este trabalho que temos vindo a desenvolver nos últimos anos tem dado frutos. Temos quase 40 filmes portugueses este ano e a maior parte deles, como eu dizia, em estreia mundial. E portanto, sim, acho que é também uma edição bastante rica nesse aspecto do cinema português. Temos nomes muito históricos, quase da nossa indústria de cinema a voltar ao festival. Falei há pouco da Solveig, posso referir também o Manuel Moises, que retorna ao festival com um filme sobre o jornal do Fundão chamado "A Voz de Todos", por exemplo. E depois temos as novas gerações também de cineastas portugueses. Posso destacar um filme muito bonito chamado "Nhá Balila", sobre as batucadeiras de Cabo Verde, assinado por Inês T. Alves e André China, por exemplo.
E o público tem crescido também? O DocLisboa tem chamado cada vez mais pessoas?
Temos muito desejo de chegar a cada vez mais público. No ano passado, tivemos um aumento de quase 5 mil espectadores e portanto há essa ambição. Não é fácil, é difícil navegar uma cidade tão cheia e complexa como Lisboa, mas sim, acreditamos que o festival pode continuar a crescer em termos de público. Trabalhamos muito com escolas, universidades. Queremos também chegar às cidades satélite, digamos assim, periféricas de Lisboa, porque aí reside também a maior parte da população. Temos feito esse esforço e vamos continuar.
E não posso deixar de acabar esta entrevista sem lhe perguntar por hoje, que é o dia de abertura, acontece por volta das 21h, mas conte-me um pouquinho mais sobre como é que tudo vai acontecer e onde.
Então, temos a sessão de abertura com o filme "Guerrilha no Asfalto" de Edgar Pêra marcada para hoje, às 21h, no Cinema São Jorge. Acreditamos que vai ser uma noite especial e com casa cheia. É sempre um momento bonito, este ano também com um filme português, um filme que cruza documentário e ficção, que passa muito pela história do próprio cinema português e do cinema do Edgar Pêra, e esse cruzamento também com a memória política dos anos 80 portugueses. É um filme que também toca neste desejo que o Edgar sempre teve de fazer uma ficção sobre as FP 25, mas esse filme acabou por nunca existir. O que vemos nesta obra, que hoje abre o DocLisboa, são excertos de um filme que não existe e depois também o Edgar, que encontra ali um mecanismo para contar essa história à conversa com o ator Albano Jerónimo, enquanto vai navegando pela sua cinematografia. Queremos muito também usar esta noite para festejar e celebrar 24 anos de história do DocLisboa, agradecer aos nossos parceiros, à nossa equipa, a toda a gente e claro, já com muitos convidados internacionais também presentes em Lisboa.
E quem se quiser juntar a esta comemoração, não só esta noite, mas no resto dos dias do DocLisboa, como é que o pode fazer?
Os bilhetes para o DocLisboa estão à venda nas salas, mas também estão à venda na BOL e na Ticketline. Creio ainda haver alguns bilhetes para esta noite, mas já não muitos. E depois há muitas modalidades. As pessoas podem também comprar pacotes de bilhetes a preços mais simbólicos, há imensos descontos. Os festivais, e o DocLisboa faz parte desse movimento também, fazem um esforço para que o cinema seja mais acessível também do ponto de vista do preço dos ingressos e portanto acho que é uma ótima oportunidade para ir ao cinema ou regressar ao cinema para quem não tem esse hábito e quer voltar a fazê-lo.