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É nosso convidado nesta edição da "Uma da Tarde", Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal. Boa tarde, bem-vindo a este jornal. Na nota enviada às redações, é sublinhado que Francisco Pinto Balsemão foi o primeiro líder a colocar a política fora do clube. Como assim?

Naquela altura, como você sabe, o Partido Comunista e a esquerda revolucionária tentavam tomar conta de tudo e todos. O Automóvel Clube era muito apetecível porque tinha uma lista de sócios enormíssima naquela altura e o próprio Partido Comunista tentou obviamente pôr a mão no Automóvel Clube de Portugal e nessa altura Francisco Balsemão tomou conta do ACP através das eleições, que foram históricas. No fundo, as primeiras eleições democráticas que houve em Portugal foram as do Automóvel Clube de Portugal, ainda antes de qualquer eleição para a Assembleia da República ou o que quer que fosse. Foram as primeiras eleições democráticas e aí Francisco Pinto Balsemão foi eleito presidente do Automóvel Clube, com uma lista, na altura, que teve gente de todos os quadrantes e que fez com que efetivamente a política não entrasse dentro do Automóvel Clube de Portugal, como até hoje.

Qual era a relação de Francisco Pinto Balsemão com os automóveis?

Pois é, ele era um apaixonado de automóveis. Eu conheci muito bem Francisco Balsemão, fui sócio dele quando eu era proprietário do "Correio da Manhã", fui sócio dele, quer na VASP, quer no Autosport, portanto conheci muito bem o Francisco. E ele adorava automóveis, ele tinha um Porsche 356 preto que adorava. Era um homem que adorava automóveis, adorava corridas, adorava tudo isso e foi um homem que deu grande importância aqui ao clube na altura e sobretudo com a importação dos carros dos retornados na altura, em que o ACP teve um papel muito importante e muito preponderante na importação de todos esses veículos que vieram das províncias ultramarinas.

Como é que recorda Francisco Pinto Balsemão?

Francisco Pinto Balsemão era um gajo porreiro. Odiava perder ao golfe. Quando nós ganhávamos ao golfe ao Francisco, ele passava-se da cabeça, dizia que já não queria jogar mais conosco, mas era efetivamente um grande senhor. Tive 22 anos sócio dele, com grandes conversas, com grandes sociedades, tudo a funcionar bem. Nunca se opôs a nada, nunca discutiu nada, nunca impôs rigorosamente nada. Era um homem que ouvia e tinha um braço direito, o Luís Vasconcelos, que era um homem excepcional. E esse excepcional Luís Vasconcelos conseguia com que Francisco Pinto Balsemão tornasse as coisas muito mais simples e muito mais fáceis para ele. E é um homem que eu lembro com saudade. Tenho pena desta parte final do Francisco doente e tenho muita pena dele, porque a imagem que eu tenho dele sempre é de um homem pujante, de um homem alegre, de um homem com graça, sempre com um humor muito fino, sempre com um sorriso muito grande e vamos ter saudades do Francisco Balsemão.

Agradeço-lhe, Carlos Barbosa, pelo seu testemunho. O presidente do Automóvel Clube de Portugal, o ACP, que foi presidido precisamente por Francisco Pinto Balsemão, o primeiro presidente depois do 25 de Abril.