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Já da última vez a encontrei aqui na manifestação, por que é que o Bloco faz questão de marcar mais uma vez presença numa manifestação de professores?

Nós precisamos da escola pública a funcionar e há um problema: é que tem sido às costas dos professores, que literalmente pagam para trabalhar. A situação está insustentável, há muitos professores a reformar-se, os mais jovens não querem ser professores porque os salários são muito baixos, andam com a casa às costas e pagam tudo. Pagam a renda, pagam o combustível em preços cada vez mais difíceis e, ao mesmo tempo, as escolas cada vez têm menos condições, porque faltam professores e faltam também todos os outros trabalhadores da escola e condições. E o governo puxou a corda demais. E neste momento há a revolta óbvia: então há milhões para tudo e para as escolas não há sequer o suficiente para uma carreira, para um salário digno, para pagamento de despesas de deslocação. Os professores exigem é tão simples quanto que respeitem o seu trabalho.

Já vão na quarta ronda de negociações falhadas até agora. Considera que o governo está a ser intransigente?

O governo rompeu a corda, porque em 2019 estivemos quase a conseguir a contagem integral do tempo de serviço. António Costa teve aquela ameaça de crise política, a direita apoiou para manter os professores com os salários como estavam. Entretanto, não há progressões na carreira porque há bloqueios nos acessos aos vários escalões, não há despesas de deslocação pagas. Portanto, a situação foi-se degradando cada vez mais. Os professores aguentaram a pandemia e reinventaram a escola durante a pandemia, sem condições e sem apoios. Acaba a pandemia, o governo vem se gabar do maravilhoso crescimento económico, há empresas a distribuir milhões a administrações e em dividendos todos os dias e os professores são pior do que nunca. Portanto, o governo literalmente partiu a corda e agora tem de ceder. Tem de haver dinheiro para os professores serem bem tratados. Só pode haver dinheiro para tudo neste país, menos para aqueles que aguentam um serviço público fundamental, que é a escola pública.