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Atenções viradas para Paris. Há novos confrontos entre manifestantes e polícias nos protestos sobre a crise na educação. A polícia acabou por lançar gás lacrimogêneo contra a multidão na Praça da Bastilha, em Paris. Os momentos de tensão ainda permanecem. Até agora, são milhares de manifestantes que ocupam as ruas, tendo como principais reivindicações a falta de professores e funcionários, as condições dos estabelecimentos de ensino, as dificuldades de acesso ao ensino superior. São protestos marcados por vários confrontos entre a polícia e os manifestantes. Mais de mil pessoas ficaram feridas desde o início destes confrontos. Os manifestantes estiveram durante a tarde atirar pedras e lançar também alguns petardos, sendo que a polícia respondeu também com canhões de água e de alta pressão. Junta-se a nós em direto o Hermano Sanchez Ruivo, conhece bem a realidade da capital francesa. Boa tarde, Hermano. Tem sido uma tarde muito tensa de novo aí em Paris.

Sim, claramente, até porque, como se pode imaginar, de uma certa forma, ainda estamos no início dessa mobilização, que está dois, três pontos acima do que é habitual ver quando os jovens dos liceus e os estudantes das universidades do ensino superior se mobilizam. Portanto, nós estamos claramente no início. É o segundo dia de grande mobilização em França e aqui mais especificamente em Paris, com uma realidade também ligeiramente diferente, porque a ideia era de um ponto de encontro à Bastilha e não haver outra manifestação, ou seja, não haver a possibilidade de um cortejo que fosse para outro espaço, que é agora o apelo de algumas associações estudantis, o que ainda vai complicar mais a situação, porque claramente, de uma causa justa e de uma mobilização consequente, estamos agora a passar à fase dois, que é quando as pessoas naturalmente deviam acabar e regressar entre aspas à casa, ficam os que ou têm mais uma mobilização, mas também aqueles que claramente vão procurar desacatos.

Estes protestos, como percebemos, continuam, apesar de o governo prometer medidas para breve. De que forma, Hermano Sanchez Ruivo, é que será possível ir esvaziando este balão de protestos? Até quando é que estes protestos poderão continuar?

Dificilmente será por via de proposta. O ministro da Educação está para falar às 20h de França para, com certeza, confirmar algumas das propostas que já fez na reunião hoje à tarde junto das associações. Mas a margem de manobra em termos de orçamento é quase nula. É preciso tirar alguém para dar à questão do ensino. A própria capacidade depois de assumir essas despesas, sabendo que passa por um orçamento e um governo que não tem a maioria na Assembleia da República Francesa, portanto, pode fazer promessas, mas depois tem que chegar a um consenso e a um orçamento que seja votado. E ainda por cima, estamos a menos de nove meses das eleições presidenciais e, portanto, há um aspecto político onde cada um já está mais a pensar no que vai acontecer em maio do que precisamente o que está a acontecer agora. E a própria mobilização dos jovens faz sentido, mais uma vez, o ensino em França, em termos materiais, como em termos mesmo de pensar o número de jovens que existem, que não têm acesso, porque não há os meios, não há as condições, não há os estabelecimentos, de uma certa forma, para os poder receber, é uma realidade. Mas já estamos cada vez mais a assistir a uma espécie de pressão sobre os diferentes candidatos para, na próxima mandatura presidencial, ver quais são as respostas, porque nessa altura a margem de manobra é quase nula.

Hermano Sanchez Ruivo, muito obrigado por ter estado em direto conosco, conhecedor da realidade de Paris, a ajudar-nos aqui a olhar e enquadrar estes novos protestos