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Temos agora ao telefone o próprio Ribeiro e Castro. Bom dia e obrigada por estar connosco. Ribeiro e Castro, por que é que seis anos depois decide voltar a ser candidato a deputado?
Porque era preciso. Era preciso pelo CDS e era preciso também pelos desafios que se põem nesta altura ao país, depois da crise política que foi aberta em 27 de outubro, com a queda do orçamento, que arrastou também o fim deste governo e a necessidade de irmos a eleições.
Mas quando diz que era preciso, é porque tem havido muitas saídas no CDS e era preciso reforçar os quadros do partido?
Sim, é preciso apresentar as listas melhores que o partido puder apresentar e, portanto, isso tem a ver também com a disponibilidade das pessoas. E eu devo dizer que a apreciação que faço das listas que ontem foram apresentadas é muito positiva. E portanto, quero felicitar o presidente do partido pelo que conseguiu. Acho que tem apostas muito fortes, novas, abertura à sociedade civil, tem grandes novidades e obviamente que a presença de nomes que têm algum-
Mas conhece, com muitos nomes pouco conhecidos para os eleitores.
Mas vão ver que os vão conhecer e vão ter magníficas surpresas. Eu acredito que agora que iremos para o terreno, os eleitores do CDS rapidamente se... Muitos conhecem essas pessoas. Eu percebo que o grande público e a comunicação social, que não dá muitas vezes atenção devida ao CDS, não conheça muitas destas pessoas, mas são pessoas que têm percursos conhecidos e consagrados e que rapidamente aparecerão. Portanto, agora começa uma corrida para 30 de janeiro. As equipes estão feitas. Vamos correr para o melhor resultado que for possível. E creio que somos, de facto, a alternativa necessária, depois do PSD ter feito uma surpreendente viragem à esquerda.
O PSD fez uma viragem à esquerda?
Sim, manifestamente a estratégia do PSD é alinhada com o bloco central, que é um tema que nunca se dissipou por completo no debate político e infelizmente, ao não fazer no continente o mesmo que o PSD e o CDS fizeram nas regiões autónomas, deu um sinal político distinto. E eu espero que os eleitores do continente reconheçam na marca do CDS a fidelidade ao espírito da AD. Enfim, eu não tenho dúvida nenhuma o que é que Sá Carneiro teria feito no dia 28 de outubro, no dia a seguir à abertura da crise. Era apresentar uma alternativa à esquerda e não uma proposta de casamento ao Partido Socialista para um bloco central. Isso não tenho dúvida nenhuma. E esse sinal far-se-ia através dessa aliança, que foi, de resto, aquela que teve resultados extraordinários nas últimas eleições autárquicas e, portanto, seria perfeitamente natural que tivessem continuidade.
Ribeiro e Castro, mas espere. Vão sozinhos. Mas para ter um partido mais credível, não era importante que, por exemplo, um nome que foi anunciado como desejado por Francisco Rodrigues dos Santos, como Manuel Monteiro, tivesse aceitado integrar as listas?
Bom, isso tem que perguntar. Eu creio que o doutor Manuel Monteiro já disse as suas razões e, portanto, as listas fazem-se com as pessoas que aceitam e que estão em condições de o fazer. E, portanto, são essas pessoas que irão interpretar os valores, a história do partido, as suas propostas, os seus sonhos, as suas ambições e, por certo, teremos também o apoio de Manuel Monteiro. Enfim, ele tomou a sua decisão, já comunicou, não tenho nada a comentar. Eu faço parte das listas. Há mais de 229 membros das listas e que iremos representar o partido e contamos que consigamos reforçar o partido. Eu compreendo muito também, nessa altura, isso também me levou a avançar, as razões do desencanto das pessoas. Em primeiro lugar, com a política, com os partidos, as pessoas estão bastante distantes e afastadas. Eu próprio tenho me empenhado num projeto de reforma eleitoral que pretende resolver esse problema. Eu compreendo isso e, portanto, creio que o CDS tem a missão não só de restabelecer a confiança do seu eleitorado em si próprio, mas também do eleitorado em geral na participação das eleições. Por ser genuíno, por ser autêntico, por interpretar ideias e valores e propostas claras. É muito importante que os eleitores vivam as eleições como uma festa, como um momento de encontro com a política e a construção do futuro do país. E é isso que nós temos que fazer, todos daqui até 30 de janeiro.