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Durante décadas eu disse que ele teria sido um excelente primeiro-ministro em Portugal, pela sua competência, pela sua visão, capacidade de decisão. Sempre falávamos desse assunto, dizia isso: "Ó Ábber, você devia ter sido ou deve ser ainda primeiro-ministro, porque acho que o país ganharia com isso". É uma pessoa que quer o setor privado, quer o setor público, disputavam para presidir a empresas várias, em vários setores. Tem uma grande capacidade de gestão, muito inteligente, uma velocidade de raciocínio enorme. Sempre tive tanta admiração por ele, sempre achei que ele podia ser também um dia primeiro-ministro, que quando formei governo, quando foi entregue essa responsabilidade e o partido queria que fosse eu ou então outra pessoa, se era eu o número um, chamei-o logo para número dois. Achava que ele era imprescindível para o país. E o dia que se formasse governo, não tinha dúvidas que o chamaria. E foi assim que fiz quando me foi entregue essa responsabilidade. Lembro-me do sentido humor dele em Conselho de Ministros. Era talvez até o mais brincalhão com os seus colegas. Lembro no primeiro governo de Cavaco Silva, era o ministro da Justiça Mário Raposo, ministro da Indústria Júlio Piera Amaral, ministro das Finanças Miguel Cadilhe e ele, que era um homem de uma grande objetividade, tinha os dossiês todos sabidos, todos conhecidos, mas tinha sempre uma piada para cada um