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António Pina é presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve. Já são conhecidas as limitações à água na região. Estamos a falar de números que apontam para 70% da limitação da água na agricultura, 15% nas regiões urbanas. O que isto representa para a região?
Muito bom dia ou muito boa tarde, depende da hora que os nossos ouvintes estão conosco. Desejar-vos um bom ano à Rádio Observador pelo excelente trabalho que faz e também a todos os ouvintes. De fato, essas são duas propostas que conduzem a um objetivo maior, que é, perante o cenário que temos de água nas nossas albufeiras, e contando com o pior ano de chuva dos últimos 10 anos, esticarmos a disponibilidade de água, seja pro setor urbano, seja para a agricultura, até o final do ano de 2024, no fundo, criando aqui uma nova janela de oportunidade para que chova mais com os últimos dois, três meses do próximo ano hidrológico, portanto, são os meses de outubro, novembro e dezembro. Mas para isso é preciso esse esforço dramático, no caso da agricultura, e um esforço na parte do ciclo urbano da água, onde encontra o setor doméstico, o abastecimento da população, dos residentes, mas também o setor não doméstico, onde se inclui o turismo, os hotéis, o alojamento local, os restaurantes, outras empresas. Todos temos que fazer um esforço de pelo menos reduzir 15%, porque de outra maneira a água não chega até o final do ano.
Mas está então em perigo a subsistência da agricultura no Algarve.
Estes 70%, que depois adicionam alguma água mais de alguns furos, alguma possibilidade de algumas dessalinizações simples em alguns furos mais salinizados ou mesmo o aproveitamento da água residual, tanto este conjunto de medidas tentam garantir que as plantas sobrevivam, pondo em causa, no entanto, a produção de 2023, aliás, 2024 e de 2025. E para isso, depois, será necessário um apoio aos empresários, às empresas e aos seus trabalhadores, porque de fato, terão que cair no drama de não terem produção entre este ano e o próximo ano.
E que medidas em concreto é que pedem ao governo para resolver este problema de uma maneira estrutural?
Há duas medidas que estão a fazer o seu caminho, levando mais tempo do que aquele que todos gostaríamos, que são a criação de novas fontes de abastecimento de água, a dessalinizadora e o acesso ao Pomarão. No entanto, o aumento ou a influência que se verifica na pluviosidade da nossa região, fruto das alterações climáticas, levam-nos a acreditar que estas novas fontes são insuficientes e precisamos de maior robustez no sistema. E aquilo que queremos que comece desde já a ser estudado é a localização de uma nova dessalinizadora, especialmente no Sótavento, que juntamente com esta, se as duas produzirem cada 24 hectômetros, seriam 48, teríamos já aqui dois terços daquilo que é normalmente o consumo urbano, mas também uma ligação ao Alqueva. A água do Alqueva é de todos, e o Algarve também contribui, faz parte desta bacia hidrográfica. Felizmente, tem uma reserva muito superior àquela que é hoje usada e que com uma disponibilidade talvez de 0,5, aliás, estamos a falar de 0,5 da água armazenada, era uma robustez significativa no sistema do Algarve, seja pro consumo urbano, seja pra agricultura, porque o Algarve não pode perder a ambição de diversificar a economia e a agricultura é uma das formas de diversificação e que tem tido um crescimento muito bom, aumentando significativamente o valor acrescentado que deixa na região.
Queria lhe perguntar também nesse sentido, que consequências é que estas limitações têm para o turismo no Algarve?
Nós esperamos que nenhumas, pelo menos este ano. Aquilo que estamos a pedir a todos, que é possível, é que tenhamos mais cuidado e que reduzamos 15% do consumo. Isso é fácil. Aliás, todos percebermos a forma como usamos a água com muita facilidade, poderíamos diminuir quase a metade daquilo que é o nosso consumo diário de água.
E faço então uma última pergunta. Tem estado em contato com o governo. Quando é que vão voltar a falar com o ministro do Ambiente?
Esta sexta-feira, o senhor ministro, o senhor secretário de Estado, vêm reunir com os autarcas para apresentar também esta situação, as medidas que estão preconizadas e apresentar também aquilo que é o contributo que esperam do ciclo urbano da água, em que nós, autarcas, temos uma palavra importante, portanto, temos que fazer parte deste esforço, um esforço que é conjunto.