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Sofia Santos, bem-vinda. Obrigado por estar aqui conosco. Gostava de lhe perguntar, em primeiro lugar, quais são as expectativas para estes Jogos Europeus para transplantados que começam hoje?
Boa tarde. Relativamente aos jogos, em geral, gostaríamos, sobretudo, de conseguir atingir os nossos objetivos. Nós pretendemos promover a prática desportiva na transplantação, demonstrar os benefícios que o exercício físico, esta prática desportiva, tem para a nossa saúde e que podem ser alcançados apenas de atividade física pós transplante de órgãos. Os jogos serão, claro, uma prática mais desportiva, de competição, mas os jogos estão abertos a qualquer transplantado, independentemente do nível de performance. Gostaríamos também de aumentar a prática nos nossos transplantados, nos nossos dialisados, reforçar o papel do grupo desportivo no âmbito do sistema desportivo português. Além disso, sensibilizar a população para a doação de órgãos, salientando a importância da doação e do transplante. E ainda celebrar a vida. Nós, com este evento, vamos promover que o transplante é, ou informar, ou dar a conhecer o mundo da transplantação, porque o transplante é uma oportunidade única para nós.
Claro.
Tem um papel importante na nossa saúde, é a solução que, em determinados casos, vai salvar vidas mesmo. Portanto, permite-nos ultrapassar aqui uma situação que poderia ser fatal.
E Sofia Santos, é mais especial fazer estes Jogos Europeus aqui em Portugal, porque pelo que percebi, é a primeira vez que se realizam por cá. É também especial, nesse sentido, sentir o carinho dos portugueses mais próximo?
Claro que é especial. E atendendo que, por vezes, o custo de participação, dado que temos parcos apoios, é uma barreira à participação, o fato de ser em Portugal proporcionou a participação de mais colegas transplantados e dialisados neste evento. O apoio das famílias, obviamente, é importante e também o papel e a posição de Portugal, e o trabalho do nosso Serviço Nacional de Saúde. É importante promovê-lo junto da Comunidade Europeia, o nosso Serviço Nacional de Saúde, que é onde as unidades de transplante se encontram. Tem uma posição no ranking muito boa. Nós, em Portugal, temos provado o consentimento presumido, somos todos dadores, com exceção daqueles que efetuam o registo de não dadores. E isto não acontece em todos os países. Agora vou dizer do mundo, porque estes jogos são europeus este ano, no próximo ano teremos mundiais e, portanto, é importante que também consigamos passar essa mensagem, dando exemplo como país, como nação. Tanto do que é o trabalho na saúde, como deste enquadramento legal, que nos permite chegar a mais pessoas. Sem dúvida.
Claro. E Sofia Santos, nós estamos a pouquíssimos dias de começar mais uns Jogos Olímpicos, desta vez em Paris. Gostava de lhe perguntar: estes atletas transplantados, que vão agora jogar nos Jogos Europeus, poderiam também competir com outros atletas que não fizeram qualquer transplante? Ou seja, poderíamos ter alguns destes atletas também a participar, quem sabe, nos Jogos Olímpicos, nos Jogos Paralímpicos, também, por exemplo?
Nós estamos fora do sistema desportivo português. Não estamos sob a alçada nem do Olímpico nem do Paralímpico. No entanto, os atletas transplantados podem participar sendo federados como qualquer outro elemento ou agente desportivo de uma federação. Neste momento, por exemplo, a Federação Portuguesa de Natação tem um escalão no Paralímpico para transplantados.
E, portanto, abriria essa janela.
Sim, mesmo não sendo transplantado, o fato de nós tomarmos imunossupressão, algumas das substâncias ou dos medicamentos que tomamos são consideradas substâncias dopantes. No entanto, se tivermos uma autorização de utilização terapêutica ou demais documentos previstos pelas entidades, agora estou a recordar-me da Agência Antidopagem, portanto, por aquilo que está preconizado, poderemos participar como qualquer outro.
E Sofia, só para terminar a nossa conversa, sei também que é praticante de ténis de mesa. Vai também participar nesta edição dos Jogos Europeus?
Vou dar o meu melhor, atendendo a que fui recentemente transplantada. Fui transplantada há oito meses.
Mas está preparada, está com boas expectativas?
Estou com boas expectativas. O importante é participar.
Claro que sim.
Sim. Esse é o objetivo. É chegar à meta. As medalhas aqui, a nossa medalha foi o transplante, a nossa vitória foi essa e a superação do mesmo, e o regressar ao exercício físico. E, portanto, claro está que a competição está sempre implícita, mas o estar aqui para participar tem muito mais valor.
Claro que sim. Parabéns por isso também, Sofia Santos, e obrigado por ter estado aqui na Rádio Observador. Começam hoje os Jogos Europeus para transplantados. Começam hoje, dia 21 de julho, e vão até ao próximo dia 28 de julho. Sofia Santos, muito obrigado mais uma vez e até a uma próxima.
Obrigada eu, obrigada a nós.