Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Temos agora a oportunidade de falar com Diogo Guia, da Câmara Municipal de Torres Vedras. Diogo Guia, consegue descrever-nos os estragos a esta hora? Já caiu a noite, uma ideia dos estragos aí no concelho.

Boa noite. Obrigado pelo vosso interesse e pelo acompanhamento desta situação. Eu tive a oportunidade de falar esta manhã com a Rádio Observador e a vossa plataforma é importante para que possamos chegar mais rapidamente à população. Nós tivemos aqui um acompanhamento permanente, tivemos uma madrugada muito difícil, de acordo com a previsão da Depressão Christine. De facto, a partir da meia-noite choveu bastante e depois das 3:00 às 6:00 da manhã fomos muito fustigados por ventos violentos. Às 3:30 da manhã medíamos mais de 130 km/h e o resultado foi que na primeira volta que fizemos pela cidade, tendo feito durante a noite pelo concelho, tínhamos quase um estado de guerra. Árvores destruídas de grande porte, muitas vias interrompidas e conseguimos desde muito cedo meter equipamento pesado, porque estamos em estado de prontidão desde sábado, desde a constituição do posto de comando, e foi possível circular rapidamente este equipamento e proceder à remoção, afastamento numa primeira fase e depois remoção com os sapadores, com os bombeiros e com os serviços da Câmara Municipal. Isto também só foi possível porque a Comissão Municipal de Proteção Civil se reuniu ontem ao fim da tarde para fazer uma avaliação da situação e o que fez foi decidir pelo encerramento das escolas no dia de hoje. Isso facilitou muito, aliás, a circulação ontem à noite já era muito reduzida e esta manhã, por via dessa decisão, contribuiu muito para que conseguíssemos reparar rapidamente, acudir rapidamente a essas situações das vias. Tivemos uma estrada nacional fechada, a Estrada Nacional nº 9, também tivemos aqui episódios de inundações, mas ao meio-dia conseguimos normalizar a situação nessa via. Tivemos, finalmente, como aliás nos concelhos vizinhos, sobretudo no concelho de Leiria e em Coimbra, onde isso foi particularmente grave, grande quantidade de postes de electricidade e de comunicação que caíram, interrompendo vias, etc. Uma vez que contámos com uma grande resposta da parte da população, foi possível ir resolvendo caso a caso. Nós às 16:30 da tarde tínhamos cerca de 180 casos, já com mais de 120 casos resolvidos. Continuamos a trabalhar, mas estamos na evidência, isto é em primeira mão que comuniquei também há pouco à RTP, portanto, é uma notícia muito fresca. Está evidente nos comunicados da Comissão de Normalidade dos Estabelecimentos de Ensino, portanto amanhã haverá aulas.

Amanhã haverá aulas, é isso?

Haverá aulas na generalidade dos estabelecimentos de ensino, exceto em três escolas.

Quais são?

Que são as escolas de Cambelas e de São Pedro da Cadeira, localidades que fazem parte da mesma freguesia, de São Pedro da Cadeira e da Ventosa. Porque aí são as nossas maiores preocupações. Por quê? Porque tivemos muitos abatimentos de estradas e essas duas freguesias, que ficam a sul e litoral do concelho, estão com severos problemas de cortes de água. Nós estamos a repor, temos conseguido paulatinamente ao longo do dia repor em algumas zonas, mas não conseguimos garantir, portanto, essas escolas não terão seguramente água ainda amanhã de manhã para iniciar a atividade letiva. Temos a generalidade dos casos também de falta de eletricidade, sendo que nenhuma freguesia ficou imune. Temos muitas localidades, em diversas freguesias, nenhuma freguesia ficou totalmente sem eletricidade, mas várias localidades em todas as freguesias.

Está a ser entretanto levada água a essas freguesias?

Desde ontem que estamos a fazer esse processo com cisternas. Toda esta obra de trabalho foi muito facilitado pelo facto de termos tido um centro de comando de coordenação com todas as entidades. Nós temos os serviços municipais na mesma sala dos sapadores, da Proteção Civil, da Câmara Municipal, e portanto isso foi possível dar respostas muito mais rápidas. Hoje nós estamos em estado de prontidão máxima.

Exatamente, Diogo Guia, o senhor é vice-presidente da Câmara de Torres Vedras, qual é a preocupação maior agora para as próximas horas?

Olhe, nós sabíamos que segunda, terça, quarta iam ser os mais complicados. Temos previsão de muita chuva esta noite, sobretudo a partir das 8:00 da noite. Ela vai continuar, vai ser persistente, não tão intensa. Temos muitas preocupações ao nível das linhas d'água. Nós ontem fizemos com recurso à colaboração com Arada de Santa Cruz, que fica aqui no litoral, conseguimos apanhar uma janela de bom tempo e fazer uma filmagem do concelho pelo ar. E temos muitos problemas sérios de inundações, alagamentos, principalmente dos rios, nomeadamente os dois principais, o Sizandro, que atravessa a cidade, e o Alcibricel, cuja foz é a norte. Estamos a monitorizar tempo pessoal no terreno, a quantidade de água tem sido muito grande, os rios estão muito assessuados. Preocupa-nos muito os danos materiais provocados aos agricultores. Nós temos aqui uma vastíssima atividade económica na agricultura, muitas coisas destruídas.

E essas contas ainda não estão feitas, obviamente, não é?

Estão já a ser feitas. Enfim, nós estamos a falar ao fim de 10 horas.

Exato, 12 horas, praticamente.

Exatamente. A nossa comunicação é uma prioridade e nós estamos quer a receber, quer a reportar imediatamente aos operadores e aos cidadãos, em especial. Não estamos em condições, neste momento, de fazer uma avaliação dos danos, mas são significativos. Nós tivemos aqui uma zona industrial na cidade que ficou muito afetada, com oficinas que perderam os telhados e com carros destruídos. Só isso carece de meses de avaliação