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Junta-se em direto a nós também a escritora Lídia Jorge. Bom dia, obrigado por se juntar também a nós em direto, Lídia Jorge. Como é que podemos recordar e deixar permanecer também a memória de António Lobo Antunes?

A melhor memória é esta estante absolutamente cheia dos livros dele. Ele trabalhou para a literatura, viveu para a literatura, viveu escrevendo e deixa, de facto, uma obra gigantesca, imensa, uma obra que tem aspetos de inovação extraordinários e que faz dele um escritor que não é só um escritor português, é um escritor europeu, é um escritor do século XX, do século XXI. É uma honra nós termos um Lobo Antunes entre nós.

E é certamente uma obra que vai perdurar e que vai, de certa forma também, marcar aquilo que foi sendo a história de um país.

Exatamente. Ele teve a capacidade de fazer uma proeza extraordinária, que foi pegar naquilo que foi a aquisição dos métodos do romance psicológico do início do século XX, mas que ele junta, faz acrescer e preenche com aquilo que poderia não ser o tema adequado, mas que ele transforma e introduz a história recente de Portugal em relação ao vasto mundo onde os portugueses estiveram. É um escritor que se inscreve no fim dos impérios, do colapso dos impérios, e que é um tema absolutamente europeu e um tema universal, e o faz maravilhosamente na língua portuguesa. É muito bom saber que ele deixa esta obra imensa e, na verdade, olhando para a nossa geração, ele de facto foi à frente, foi o mais criativo entre nós todos.

E deixa certamente uma marca na história da literatura portuguesa, mas também mundial?

Acho que sim. De toda a parte onde ele foi traduzido, ele é entendido, é louvado, sobretudo pela parte poética e também pela história que conta. Se em tempos parecia ser uma história apenas portuguesa, hoje, uma vez que ele fala da relação dos povos colonizados com os povos colonizadores, que era o nosso caso, ele acabou por falar de um tema que é absolutamente crucial nos dias de hoje. E quando as pessoas falam dele, falam da literatura dele, ainda que digam que é complexo, que têm a dificuldade de ler, a verdade é que abrem uma página e cada uma dessas páginas, a força poética é tão intensa que vale por si mesma. E isso faz dele um escritor universal e basta ver a relação que ele teve com os vários países onde foi traduzido, foi traduzido por toda a parte, e basta ver o enunciado dos prêmios que teve também por toda a parte.